'De olho' no título!: Com apresentação arrebatadora, Viradouro se aproxima do bi, com Beija Flor 'na cola'

Desfile histórico de 2020, por coincidencia, tem mesma característica da inesquecível apresentação de 1997: a predominância da cor preta no início. Seis escolas concluem hoje (23) apresentações do Grupo Especial

Escrito por Redação 25/04/2022 14:19, atualizado em 23/04/2022 17:11
Escola de Niterói veio forte em busca do bicampeonato
Escola de Niterói veio forte em busca do bicampeonato . Foto: Divulgação

No 'jogo' das cores, muita gente, por superstição ou gosto, costuma deixar a cor negra de lado. Tem aquela história do gato preto que não pode passar na sua frente, a mania de não usar roupa assim pra não dar azar...Enfim, às vezes tudo parece desfavorecer o preto, mas não na Viradouro. Pode ter sido mera coincidência, coisa do destino ou mesmo uma 'força' dos Deuses do Carnaval. Mas o fato é que em 2022, exatos 25 ano após o primeiro título na elite, em 1997, a tradicional escola de samba de Niterói  teve novamente o preto como cor predominante na primeira parte de um desfile oficial, 'abrindo alas' para mais uma apresentação histórica  e aparentemente impecável. E parece mesmo ter sido o melhor caminho, ou a 'senha', para mais um título, ou bi-campeonato, porque no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial, na noite dessa sexta-feira (22), a vermelha e branca, após vencer em 2020, 'sobrou' mais uma vez na turma e 'puxou a fila' no seleto grupo de quem ganhar. 

    

A cor preta deu sorte à escola de Niterói em 1997
A cor preta deu sorte à escola de Niterói em 1997 | Foto: Arquivo/O Globo -1997
 

Mas não se pode esquecer da Beija Flor, que também veio inteira, imponente e querendo regatar o caminho de glórias, já que está há três anos sem levantar a taça na elite do mundo do samba - o último  foi em 2018. Pelo que mostraram, as duas pulam na frente, entre as seis escolas que se apresentaram em uma Sapucaí lotada, em princípio, com ligeira vantagem para a vermelha e branca de Niterói. Mas a noite também tinha a Imperatriz Leopoldinense, que honrou  as tradições e passou bem na volta à elite, num prenúncio de que trabalha para resgatar o passado de vitórias que foi interrompido durante alguns anos recentes, até o rebaixamento, em 2019. 

 

Beija Flor também está no páreo pelo título
Beija Flor também está no páreo pelo título | Foto: Carnavalesco/Divulgação
  

Para a escola de Ramos, porém,  deverão ficar 'na pista', pontos preciosos, por problemas de organização, que atrapaplharam a evolução, mas que no balanço geral, a deixam 'bem na fita'. Os detalhes organizacionais também deverão tirar pontos da Mangueira e Salgueiro, escolas que tradicionalmente se exibem com imponência e chão forte. No caso da Mangueira, houve problemas em alegoria e o Salgueiro teve irregularidade no canto, que deve acarretar em perda de pontos em harmonia e evolução. 


Os sambistas da São Clemente, foram dormir preocupados porque o 'fantasma' do rebaixamento começa a 'rondar' Copacabana, bairro do Rio onde fica a escola. Na apresentação problemática, por causa da dificuldade na entrada dos carros, houve formação de buracos. O canto também se mostrou irregular. 

 

São Clemente apresentou problemas
São Clemente apresentou problemas | Foto: Layla Mussi
 

Mas o samba não pode parar e o show tem que continuar! A noite desse sábado (23), a partir de 23h, reserva fortes emoções, porque outras escolas 'de peso' vêm com tudo. São elas: Paraíso do Tuiuti, Portela, Mocidade Independente de Padre Miguel, Unidos da Tijuca, Acadêmicos do Grande Rio e Unidos de Vila Isabel. E que na segunda noite, os responsáveis pela segurança consigam evitar as lamentáveis cenas de roubos a motoristas e sambistas na Avenida Presidente Vargas, registradas em áreas próximas à Central do Brasil. A seguir a análise de todas as desfilantes na primeira noite do Grupo Especial na Sapucaí.  


Imperatriz Leopoldinense - Marcou um ponto positivo na volta à elite do Carnaval do Rio de Janeiro. O rebaixamento, em 2019, parece ter sido referência para reflexão e reconstrução em prol do engrandecimento da escola, que un ano depois, acabou fazendo o 'dever de casa' e subindo sem dificuldades, com a reedição do enredo que homenegeou Lamartine Babo. E agora, sob a batuta de Rosa Magalhães, mostrou a força dos bons tempos. Trouxe alegorias e fantasias luxuosas e alegorias grandiosas e imponentes. Lembrou o 'bicho papão' dos anos 90, quando a passagem nos desfiles das camepeãs era considerada certa. O único ponto negativo foi a irregularidade na harmonia, que alternou algumas alas cantando muito e outras nem tanto. Apresentou o entredo “Meninos eu vivi…Onde Canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine” dentro do tempo regulamentar, em 67 minutos.  

 

Mangueira teve grande interação com o público
Mangueira teve grande interação com o público | Foto: Divulgação/carnavalesco
  

Mangueira - Foi emocionante ver a Mangueira voltar à Sapucaí com um  enredo que homenageou três dos seus filhos mais ilustres: Jamelão, Mestre Delegado e Cartola. O carnavalesco Leandro Vieira criou uma marca registrada e identidade própria à verde e rosa. E usou e abusou das tradicionais cores da escola, tanto nas fantasias, muito luxuosas, diga-se de passagem, como nos carros alegóricos. A comunidade também fez a sua parte, cantando muito o hino oficial. Destaque negativo para os problemas de iluminação com os carros - o primeiro passou com algumas luzes apagadas e um produto de limpeza foi esquecido na parte de trás da alegoria, já o segundo tinha a parte superior apagada pelos setores 6 e 10. A evolução da escola foi outro ponto a ser observado, o início se mostrou um pouco travado e o final foi mais corrido, com alas passando em ritmo acelerado. 

   

Grandiosidade das fantasias pode ter deixado escola 'travada'
Grandiosidade das fantasias pode ter deixado escola 'travada' | Foto: Divulgação/Carnavalesco
  

Salgueiro - Salgueiro é Salgueiro. E mantém as tradições de grandes desfiles há alguns anos. A apresentação do enredo 'Resistência', sobre a heroica e sofrida jornada do povo negro no Rio de Janeiro', caiu como 'uma luva'  para a comunidade. E teve grande interatividade também com o público, que sentiu a 'força' do desfile e aplaudiu muito. Fantasias luxuosas, alegorias grandes e bem acabadas se destacaram na apresentação, que, entretanto, esbarrou em pequenos detalhes, principalmente na dança. Talvez o peso de algumas fantasias, embora imponentes, pareçam ter deixado 'travados' os componentes em algumas alas.

 

São Clemente - Uma noite para ser esquecida na homenagem ao niteroiense Paulo Gustavo. Foi a quarta escola a desfilar, mostrando a vida e a obra do artista, que morreu em decorrência da covid-19, no pior momento da pandemia do coronavírus. As dificuldades na manobra das alegorias no início do desfile e os problemas de evolução acabaram complicando a vida dos sambistas de Copacabana, abrindo claros na pista. Detalhes que de em comprometer marcos positivos no desfile, como a imponência dos carros e o glamour de fantasias muito bem acabadas. 

    

Fantasias luxuosas fizeram a diferença
Fantasias luxuosas fizeram a diferença | Foto: Layla Mussi/O São Gonçalo
  

Viradouro - Aparentemente, tudo deu certo para a Unidos do Viradouro, que mais uma vez, fez uma apresentação arrebatadora e marcante. O 'mergulho' no Carnaval de 1919, o primeiro após a pandemia mundial de gripe, foi mostrado com tudo de bom para um grande desfile: luxo, imponência e glamour nas fantasias e alegorias, com direito a efeitos especiais e o tradicional canto arrebatador dos componentes, que parece fazer o 'chão' tremer. Um desfile que tem tudo para ficar marcado na história do Carnaval, como o do primeiro título, em 1997, quando o carnavalesco era Joãosinho Trinta. Difícil encontrar erros 'de pista' ou algum prroblema na escola, que passou 'inteira', encerrando sua apresentação com 67 minutos. Os mais experientes amantes do carnaval lembram de uma semelhança desse ano com o desfile apresentado em 1997: a predominância da cor preta no abre alas. Nessa temática, o preto parece dar sorte à Viradouro.

 

Beija Flor - Voltou aos tempos de imponência e luxo na Sapucaí. Com carros alegóricos gigantes e bem acabados. E teve também  fantasias impecáveis,  irretocáveis na parte plástica. No entanto, cometeu alguns erros de evolução, teve ausência de composições na segunda alegoria e somou problemas na apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira. São detalhes que percebidos pelos jurados, podem deixá-la atrás  da considerada pela crítica a melhor da noite - a Viradouro. 

 

Escola de Nilópolis fez 'bonito' desfile
Escola de Nilópolis fez 'bonito' desfile | Foto: Ana Victória/Divulgação
   

* Participaram da cobertura especial do  Carnaval de 2022: 

Reportagens: Ana Carolina  Moraes, Sérgio Soares e Tiago Soares

Fotos: Layla Mussi (O São Gonçalo) e Ana Victória (Divulgação) 

Chefia de Reportagem:  Ari Lopes, Cyntia Fonseca, Marcela Freitas, Sérgio Soares e Tiago Soares

Chefia de Fotografia: Kiko Charret

/Escola de Niterói veio forte em busca do bicampeonato
Escola de Niterói veio forte em busca do bicampeonato. Foto por Divulgação
/Fantasias luxuosas fizeram a diferença
Fantasias luxuosas fizeram a diferença. Foto por Layla Mussi/O São Gonçalo
/Escola de Niterói saiu aclamada pelo público
Escola de Niterói saiu aclamada pelo público. Foto por Layla Mussi/O São Gonçalo
/A cor preta deu sorte à escola de Niterói em 1997
A cor preta deu sorte à escola de Niterói em 1997. Foto por Arquivo/O Globo -1997
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Beija Flor também está no páreo pelo título. Foto por Carnavalesco/Divulgação
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Escola de Nilópolis fez 'bonito' desfile. Foto por Ana Victória/Divulgação
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Escola interagiu com o público. Foto por Ana Victória/Divulgação
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Mangueira teve grande interação com o público. Foto por Divulgação/carnavalesco
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Escola de São Cristóvão pode perder pontos 'preciosos'. Foto por Divulgação/Carnavalesco
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Alegorias foram ponto alto do Salgueiro. Foto por Divulgação/Carnavalesco
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Grandiosidade das fantasias pode ter deixado escola 'travada'. Foto por Divulgação/Carnavalesco

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