Aposentada que criou canteiro de flores em rua do Jardim Catarina morre após infarto

Marlene faleceu na última quinta-feira (07)

Escrito por Redação 09/04/2022 15:34, atualizado em 09/04/2022 14:45
Marlene era muito ligada ao seu canteiro
Marlene era muito ligada ao seu canteiro . Foto: Arquivo pessoal

"Mas você partiu sem mim e sei que estás em algum jardim, entre as flores...". O trecho da canção 'Uma Vez Mais', de Ivo Pessoa, que representava o casal principal Rafael e Serena, da novela da TV Globo, Alma Gêmea, está dando um novo sentindo para uma família de São Gonçalo. Para eles, a mensagem da canção pode se assemelhar com a partida repentina da aposentada Marlene Alves Moreira Monteiro, de 58 anos, que cultivava na calçada de uma rua do Jardim Catarina um canteiro cheio de flores e plantas. Marlene morreu na última quinta-feira (07), mas sua história jamais será esquecida no bairro em que viveu, principalmente com o canteiro continua sendo uma de suas heranças no local. 

 

O canteiro é uma marca dela na rua
O canteiro é uma marca dela na rua | Foto: Arquivo pessoal
 

 

Marlene tinha o amor pelas plantas e sempre as cultivou, desde pequena, por influência de sua mãe. Ao se aposentar, há cinco anos atrás, ela resolveu viver a vida fazendo o que gostava: cultivando flores e plantas. Começou a plantar dentro de casa, mas o talento e amor dela pelo ato de dar vida às plantas era tão grande que caiu no gosto dos vizinhos e passou a se espalhar por toda a rua. Hoje, o canteiro de Marlene se estende da entrada de sua casa, no número 264 na Rua Madri, no Jardim Catarina, até quase o final da rua. Além de grande, o canteiro arborizado de Marlene tem diversidade, com espécies como pariri, vincas de diversas cores, cactos, margaridas e outras. 

A filha dela, a cabeleireira Meirilene Moreira, de 40 anos, contou como a mãe começou a se encantar por plantas. "Ela gostava das plantas desde a época que a minha avó era viva, a mãe dela. A minha avó já fazia enfeites com plantas e cuidava de algumas. Há cinco anos, quando minha mãe se aposentou por invalidez, ela resolveu começar a plantar dentro de casa, para se ocupar. Depois, ela começou a fazer artesanatos e enfeites com produtos recicláveis, como garrafas pets e também pneus, fez pinturas e etc e começou a enfeitar as plantas. Os vizinhos começaram a gostar e ela fez na frente da casa dela e depois da deles, expandindo o canteiro. Hoje, o canteiro começa na frente da casa dela e vai até quase o final da rua, passando na frente de uma base da Cedae que tem aqui e vivia cheia de lixo, que as pessoas jogavam, atraindo ratos. Minha mãe mudou isso e hoje tem plantas das mais lindas e flores, os ratos não existem mais nesse canteiro e nem o lixo", afirmou a filha dela.

 

O jardim na calçada feito por ela se estende por quase toda a rua
O jardim na calçada feito por ela se estende por quase toda a rua | Foto: Arquivo pessoal
 


Todos os vizinhos passaram a cuidar do canteiro para não deixar ninguém arrancar as flores e nem destruir o local, no entanto, era Marlene e seu esposo, o senhor Clóvis Monteiro, que todos os dias cuidavam das plantas e capinavam o local. 

No entanto, Marlene, que lutou até o final de sua vida pela saúde, não resistiu ao problema que tinha no coração e veio a óbito na última quinta-feira (07). Ela sofreu um infarto e foi encaminhada para a UPA mais próxima pela família, logo depois, ela foi transferida para o Hospital da Retaguarda Gonçalense, onde ficou entubada e faleceu. Ela fazia um tratamento para seu problema cardíaco no Hospital Universitário Antônio Pedro e aguardava por uma cirurgia, o que não deu tempo. Marlene tinha 50% de seu coração obstruído. Ao final, ela morreu após uma parada cardíaca.

Como homenagem, Meirilene contou que sua mãe era uma alma especial nesse planeta. Ligada a Deus e com amor pela vida, que era exposto na forma de cuidado e carinho com as plantas, desde quando elas eram mudinhas até se tornarem maiores, Marlene era sinônimo de amor até para seus vizinhos. Uma vez, para enfeitar seu canteiro, ela achou estátuas da Branca de Neve e Os Sete Anões para jardim. A escultura havia sido jogada fora por outra pessoa e estava quebrada e feia. Marlene usou seu trabalho com artesanato para reestruturar as estátuas e usar em seu canteiro. Até hoje, no local, estão presentes os oitos personagens da Disney.

"Minha mãe era uma mulher especial, guerreira, solidária, que ajudava os outros e as vezes tirava até dela para dar para alguém. Ela gostava muito de plantas, da vida, ela se inspirava todos os dias em cada florzinha para viver. Ela fez alguns vídeos mostrando seu amor por Deus e pela vida falando das plantas (vídeo em anexo) e era uma mulher guerreira. Ela sempre teve gratidão por tudo, mesmo nas dificuldades. Ela fez de uma rua esquecida um canteiro cheio de flores, com vida. Ela até pintou a beira das calçadas com o meu pai para o canteiro ficar mais bonitinho. Se alguém pedisse uma flor a ela aqui no portão, ela já vinha com uma muda plantada. Era uma mulher especial para todos, filhos, vizinhos, família, não tinha um inimigo", afirmou Meirilene. Ao todo, a aposentada tinha 3 filhos, 2 enteados e 10 netos.

 

Ela cuidava de suas plantas com amor
Ela cuidava de suas plantas com amor | Foto: Arquivo pessoal
 


Como forma de preservar sua memória, a família de Marlene pretende continuar cuidando do canteiro de plantas feito na calçada de sua rua, dando amor e carinho ao que foi plantado, como ela faria. "Os vizinhos também querem ajudar. No sepultamento dela, que ocorreu ontem (08), uma pessoa até brincou que o nome da rua dela não deveria ser Rua Madri, mas sim Rua Marlene, em homenagem a tudo que ela fez no local", afirmou a cabeleireira. 

No Instagram de Marlene (@mar.lenemore) tem vídeos e fotos dela com suas plantas, mostrando o quanto aquele canteiro na calçada significava para ela.

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