Família cria vaquinha para custear procedimentos após cirurgia do coração de adolescente de 15 anos

A menina segue internada em um hospital privado em Niterói

Escrito por Ana Carolina Moraes 04/04/2022 13:24, atualizado em 04/04/2022 12:02
Yasmin é uma criança que lutou muito por sua vida
Yasmin é uma criança que lutou muito por sua vida . Foto: Arquivo pessoal

Em uma verdadeira corrida contra o tempo, a família de Yasmin Vitória de Oliveira, de 15 anos, vem mostrando que garra e luta são coisas que não faltam para eles. Yasmin foi diagnosticada, poucos dias após seu nascimento, com uma doença congênita cardíaca conhecida como Transposição dos Grandes Vasos (ou Transposição das Grandes Artérias) que levou à sobrecarga do pulmão dela, causando a Estenose Pulmonar. Desde o início, a jovem conseguiu o tratamento com a ajuda de sua família, dos médicos e do plano de saúde. No entanto, na cirurgia que a jovem fez neste último mês de março, o plano de saúde estabeleceu algumas regras e, com isso, o valor da anestesia e de alguns exames acabou tendo que ser custeado pela família, que não tem condições de arcar com esse gasto. Por isso, eles resolveram abrir uma vaquinha para pagar esses custos. 

Yasmin foi diagnosticada com a doença quando tinha apenas 18 dias de vida. De lá para cá, sua família passou a realizar exames e acompanhamento médico constante com ela. "No ecocardiograma fetal com ela ainda na minha barriga, o médico disse que o coração dela batia diferente, mas, como a visão dele de dentro da barriga era ruim pela posição que ela estava, não dava para saber muito. Ele mandou eu repetir o exame depois que ela nasceu. No dia do nascimento ela ficou um pouco no oxigênio, mas achávamos normal. Ela era uma criança diferente, percebíamos que ela ficava com a mão e a boca roxa quando mamava e etc. Ela foi para o Centro de Terapia Intensiva (CTI) depois do diagnóstico e foi quando entendemos a doença, que ela nasceu com as artérias do coração trocadas. Ela fez uma cirurgia e ficou entubada por seis meses, com risco de morte eminente, mas ela sobreviveu", contou a confeiteira Suellen de Oliveira, de 37 anos, mãe de Yasmin.

A cirurgia feita na época foi apenas um procedimento paliativo para evitar a cirurgia mais invasiva, que ela fez recentemente. Os médicos queriam proporcionar a maior qualidade de vida para ela, mas sem procedimentos desnecessários, testando opções mais leves antes. Com isso, os médicos chegaram a efetuar um procedimento conhecido como Blalock no coração dela. Com o tempo, a situação foi passando e, aos 3 anos, Yasmin precisou realizar um cateterismo no coração. Ela chegou a ter uma parada cardiorrespiratória durante o procedimento e teve problemas na função neurológico e na visão, quando ficou 9 meses sem enxergar, recuperando a visão em seguida.

"Eu lembro que os médicos falavam que ela não iria recuperar a visão, mas ela recuperou. As funções neurológicas ficaram um pouco comprometidas, ela só ficava deitada, não tinha firmeza, mas com o tempo foi melhorando. Hoje, ela ainda tem um atraso, ela tem 15 anos, mas responde como uma criança menor, tem uma isquemia pequena na parte direita do corpo e pouca massa muscular na perna, mas é uma menina que ela sempre superou as expectativas dos médicos, sempre com os tratamentos necessários", contou a mãe de Yasmin.

Com o tempo, mesmo com a condição, os pais de Yasmin sempre fizeram ela se sentir como qualquer criança, como qualquer um de seus 3 irmãos, por exemplo. Ela estudava, ia a médicos e brincava como todos. No entanto, no final do ano passado, ela passou a ser cansar de forma rápida e começou a passar mal, com falta de ar, até que um dia foi para a emergência. "Começamos a perceber que a barriga dela estava inchada e que ela vomitava quando comia. Após exames, descobrimos que ela estava com uma inflamação no fígado. O médico passou uma tomografia e foi descoberto que o fígado estava assim por estar sobrecarregado por causa do coração, que não estava mais suportando seu trabalho. Ela estava retendo líquido, ficou com as pernas inchadas e os braços. Ela fez um cateterismo de diagnóstico em fevereiro deste ano e começou a reagir bem. O médico, no entanto, disse que não daria alta para ela, pois os exames mostravam que ela estava em estado grave, que ela tinha sérias lesões e que o coração dela estava se sacrificando", afirmou a mãe da menina.

Logo depois, eles sugeriram realizar em Yasmin uma cirurgia denominada 'Cirurgia de Rastelli'. Ao todo, Yasmin ficaria duas horas com o coração parado para que os médicos conseguissem reverter o quadro dela e consertar as artérias que estavam erradas.

"Por causa disso, minha filha precisava de um ecmo (Oxigenação por membrana extracorporal), um aparelho que funciona como coração e pulmão superficiais. Só que é um aparelho caro e que o plano se recusou a cobrir o procedimento. Tivemos que pedir para o médico fazer e eu corri atrás de uma liminar na Justiça para que o plano cobrisse o procedimento. Mesmo assim, vamos ter que pagar anestesia, exames, ela teve uma piora após a cirurgia, mas já melhorou e etc. Tudo isso é gasto e o plano ainda não nos informou se irá pagar. Tive que contratar um advogado particular para ver o caso e entender o que plano irá pagar ou não. Eu pago quase um salário mínimo de plano de saúde e eles fazem isso. É a vida dela que está em jogo", contou Suellen.

Hoje, a renda da família vem de um food truck que eles possuem, cuidado por Suellen e seu marido, o pai das crianças. A confeiteira, no entanto, não consegue trabalhar fora para cuidar dos filhos, incluindo Yasmin, que segue internada no hospital após sua cirurgia que ocorreu em março.

 

Ela e sua mãe possuem um elo muito forte
Ela e sua mãe possuem um elo muito forte | Foto: Arquivo pessoal
 

Toda essa situação causa um estresse na confeiteira que ficou indignada com a negativa do plano. A solução para salvar a vida de Yasmin foi fazer uma vaquinha online. Ao todo, a família quer arrecadar R$ 24 mil, no entanto, hoje, o valor é até mais alto, pois antes de melhorar, Yasmin teve uma piora e teve que passar por mais anestesias e outros procedimentos. 

"É muito complicado, as pessoas pensam que é só o dinheiro, mas não é, é a vida da minha filha, que eu invisto mensalmente com o pagamento do plano. Com essa nova cirurgia, eu espero que a vida da minha filha melhore, que a qualidade das coisas que ela fez melhore, que ela ande sem se cansar, que ela se divirta, seja criança. Claro que ela vai precisar de medicações a vida inteira, mas que ela consiga ter uma qualidade de vida melhor. Esse investimento não tem preço, ver minha filha bem e feliz", contou a mãe dela.

A família pede que aqueles que quiserem ajudar com qualquer quantia, mande o dinheiro para o site da vaquinha da família clicando aqui. Qualquer quantia será bem-vinda e ajudará na recuperação da Yasmin, que continua com gastos com remédio, locomoção, fisioterapia (depois que sair do hospital).

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