Garis do Rio suspendem greve temporariamente por causa das chuvas

Município esteve em estágio de atenção durante a madrugada

Escrito por Agência Brasil 01/04/2022 10:23, atualizado em 01/04/2022 10:36
Greve está suspensa até 0h segunda-feira (4).
Greve está suspensa até 0h segunda-feira (4). . Foto: Divulgação Agência Brasil

Os garis do Rio de Janeiro, em greve desde segunda-feira (28), decidiram suspender a paralisação temporariamente, devido aos estragos provocados pelas fortes chuvas que caíram na cidade no fim da noite de ontem (31).

O presidente do Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Rio de Janeiro (Siemaco-Rio), Manoel Meireles, comunicou a categoria por áudio que a greve está suspensa até 0h segunda-feira (4).

“Atenção companheiros da Comlurb - Companhia Municipal de Limpeza Urbana -  que estamos em greve. Vamos suspender a greve até 0h de segunda-feira por causa da chuva que está caindo no Rio de Janeiro, vamos ajudar a população”, diz Meireles no áudio distribuído aos trabalhadores.

Segundo o sindicato, o movimento será retomado na segunda-feira “caso a prefeitura não apresente uma solução satisfatória para os funcionários da Companhia”.

Chuvas

As fortes chuvas começaram na noite de ontem e o município entrou em estágio de atenção às 22h, avançando para estágio de alerta às 23h15, devido ao registro de chuva acima de 60 mm em 1h nas estações Guaratiba (128,4 mm), Jardim Botânico (67,6 mm) e Alto da Boa Vista (65,8 mm). O estágio de atenção foi retomado à 1h30, com a ausência de previsão de chuva para as horas seguintes, e está em estágio de mobilização desde 6h15, com a redução do acumulado de chuvas.

De acordo com o Centro de Operações da Prefeitura, houve queda de arvores no Flamengo, na Tijuca,  no Engenho Novo e em Santo Cristo, além de um deslizamento de pedra no Alto da Boa vista. Bolsões de água se formaram em 57 locais, em todas as regiões da cidade, mas as ocorrências já foram finalizadas.

Os maiores acumulados de chuva em 15 minutos foram registrados em Guaratiba (39,4mm entre 22h30 e 22h45), no Alto da Boa Vista (33,2mm entre 22h45 e 23h) e na Barra/Barrinha (31,0mm entre 23h e 23h15). Em uma hora, os maiores acumulados foram em Guaratiba (125,6mm entre 23h e 23h15), Grota Funda (85,2mm entre 23h15 e 23h30) e no Jardim Botânico (75,2mm entre 23h e 23h15).

O registro de Guaratiba corresponde ao maior acumulado em uma hora de toda a série histórica do Alerta Rio, iniciada em 1997.

O Alerta Rio informa que o Radar do Sumaré detecta núcleos de chuva sobre a Zona Sul, com chuva fraca a moderada, e núcleos de chuva intensos atuam sobre o oceano, mas não se deslocam para a cidade.

A previsão para as próximas horas é de chuva moderada, ocasionalmente forte, em pontos isolados.

Greve dos garis

Após a audiência de conciliação na Justiça do Trabalho ocorrida na quarta-feira (30), a categoria decidiu, em assembleia realizada ontem, recusar a proposta da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb) e manter a greve.

A proposta garantia cerca de 10% de reajuste salarial ao longo deste ano; 3% no tíquete alimentação; 20% retroativo a janeiro de 2022 de Adicional de Insalubridade para Agentes de Preparo de Alimentos (APAs) nas escolas municipais; a conclusão do Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS), com efeito retroativo a janeiro de 2022; a compensação dos dias parados; e Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Para o Sindicato dos Empregados de Empresas de Asseio e Conservação do Rio de Janeiro (Siemaco-Rio), a proposta representava uma conquista e a greve deveria ter sido encerrada.

“No entanto, os presentes na assembleia decidiram recusar o que havíamos conseguido e prosseguir com a greve. A posição do Tribunal, com a proposta recusada, é levar nossas reivindicações a dissídio na Justiça. O Sindicato seguirá a decisão da assembleia, dando todo o suporte ao movimento”, informou a entidade em nota.

A Comlurb destacou que a greve foi considerada ilegal, com nova liminar expedida ontem pela juíza Edith Tourinho, mantendo a multa diária de R$ 200 mil contra o sindicato. A companhia mantém o plano de contingência.

“Entre as ações que fazem parte deste plano estão a mudança no ponto de saída dos caminhões e dos garis, a otimização dos roteiros de coleta, o uso de escolta para proteger os trabalhadores e o patrimônio público com o apoio da Guarda Municipal (GM) e Polícia Militar (PM), e a contratação de mão de obra temporária terceirizada”.

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