Com 3 filhos especiais, mãe cata recicláveis para realizar desejo deles; veja!
'Não há vitória sem luta', conta a faxineira autônoma moradora do Sacramento

Mãe solo, com três filhos especiais. A rotina difícil, de necessidades e renúncias da faxineira autônoma se contrasta com o sorriso no rosto e a gratidão por quem a cerca. Moradora do Sacramento, em São Gonçalo, Rosineide Meire da Silva, de 45 anos, é mãe da Karolyne Meire, de 22 anos, que tem Síndrome de Down e autismo; do Renan da Silva, de 21, que possui transtornos psicológicos; e do Ryan da Silva, 15, que tem diagnóstico de distúrbio comportamental. Contudo, as diferenças se igualam no trabalho, quando os quatro saem juntos para catar recicláveis com apenas um objetivo: comprar os itens de desejos dos filhos.

O primeiro da lista foi o telefone celular. "Eles me pediam muito e eu não podia comprar. Mas, eu sabia que era necessário, pois o telefone é a forma que tenho para monitorar eles na escola e tudo mais. Aí, tivemos a ideia de catar latinhas e garrafas plásticas. Mas, como eu não deixo eles saírem sozinhos, vamos todos catar juntos", contou Rosineide, que trabalhava com carteira assinada até a filha mais velha completar dez anos. Após, ela precisou se dedicar mais as crianças e passou a fazer faxinas. Mas, por causa da pandemia, a diarista tem ficado meses sem ser chamada para nenhuma residência, e sustenta a família com um salário mínimo, benefício recebido pela filha, e R$ 500 de pensão alimentícia de dois filhos.
O trio, que estuda, faz acompanhamentos médicos e são atendidos no Projeto Primeira Chance, aprendeu, desde cedo, que não há vitória sem luta. "Começamos com as latinhas, e depois passamos a pegar também as garrafas pet. Aí, vendemos tudo juntos e divido por três. A Karol compra as coisinhas dela, como fralda, laço, coisas de menina. Eles juntam e pagam o celular que compramos em 15 vezes", explicou Rosineide, acrescentando que ainda restam 12 prestações.
Os meninos, mais ligados à tecnologia, aguardam ansiosamente que o celular seja quitado, para então poderem comprar uma televisão. "Quando começamos a catar as latas, uma amiga divulgou no Facebook e uma professora doou para eles um videogame. Agora eles estão esperando acabar de pagar o celular para comprar a televisão e um ventilador", explicou.

Apesar das dificuldades da vida, Rosineide mantém o sorriso no rosto e cuida de cada detalhe da rotina dos filhos. Durante a entrevista ela tirou da bolsa três garrafinhas de suco, que congela em casa e leva pra rua para manter os filhos hidratados. O cuidado também é percebido nas crianças. Os meninos, que haviam acabado de sair do futebol, estavam com uniformes impecáveis e a menina, embora quase não interaja, é muito vaidosa e estava com laços e roupa da Minnie.
Cada ajuda é agradecida pela mãe das crianças. "Olha, eu sou muito abençoada mesmo. Pois eu já dormi na rua, para receber quentinha e levar para meus filhos comerem. Hoje, com toda dificuldade, a gente consegue se virar. Acaba um lanche, acaba uma fralda, mas a gente se vira. Recebo ajuda de onde menos espero e sigo confiante", finalizou.

Rosineide explicou ainda que o INSS só liberou o benefício da menina, e ela ainda aguarda qualquer ajuda beneficiária em relação aos meninos.
Enquanto não sai, a família conta com a ajuda da população. Se você tiver garrafa plástica, latas ou papelão, pode entrar em contato com Rosineide através do Facebook (facebook.com/Rosi.meire.148) para a família ir buscar o material na sua residência.