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Gonçalenses mostram como estão se adaptando ao aumento dos preços de legumes e frutas

A cenoura está custando cerca de R$ 10 o quilo

relogio min de leitura | Ana Carolina Moraes 16 de março de 2022 - 14:46
Os produtos têm ficado mais caros desde o início do ano
Os produtos têm ficado mais caros desde o início do ano -

A população gonçalense tem sentido no bolso o peso do aumento no valor de frutas e legumes nos sacolões e mercados. A cenoura, o tomate e até o coentro, por exemplo, são alguns dos produtos que estão em menor quantidade na mesa dos brasileiros por causa desse aumento. Um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que, no Rio de Janeiro, a cenoura aumentou 60% de janeiro para fevereiro. O dado é divulgado através do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que calcula a inflação no país. 

Além do aumento no preço da cenoura, o cheiro verde teve um aumento de preço de 14,3%, a melancia teve um aumento de 12,4%; a batata de 18%; dentre outros. Todas essas mudanças fazem com que as pessoas tenham que reorganizar suas refeições para buscar economizar.

É isso o que tenta fazer o gonçalense Heraldo Carlos Menezes, de 39 anos. "A gente tem que procurar se adaptar a essa alta nos preços, mas continuar buscando produtos com qualidade. Temos que fazer o necessário! Eu, por exemplo, troco alimentos no cardápio. A batata está cara e eu fui lá e troquei por inhame nas compras. Precisamos buscar substituir. Um produto que senti um aumento no preço foi o chuchu, tem também o morango, o abacaxi e, principalmente, a cenoura, que já foi R$ 1 e agora está R$ 10,99 o quilo", afirmou o autônomo que torce para que no futuro a situação melhore.

O autônomo Heraldo sentiu o bolso 'apertar' com o valor da batata, por exemplo
O autônomo Heraldo sentiu o bolso 'apertar' com o valor da batata, por exemplo |  Foto: Filipe Aguiar
 

O motorista Eduardo Araújo foi um dos que foram ao sacolão nesta quarta-feira (16) e se assustou com os preços dos produtos. "O tomate foi uma das coisas que eu mais vi que estava cara hoje. Nessa época de chuva e com os problemas nos municípios, tudo aumenta de preço. Temos que procurar levar um pouquinho de cada para não faltar nada, mas é difícil. O coentro é uma das coisas que eu mais gosto e antes custava R$ 1, hoje eu vejo por quase R$ 3. Isso porque eu procurei um mercado mais barato e vim nesse aqui no Coelho, bairro de São Gonçalo. No outro lugar que vi, o tomate chega a R$ 14 o quilo, aqui está R$ 12 e é assim que eu venho economizando", afirmou ele.

Eduardo é um dos que sentiu dificuldade nas compras de frutas e legumes do mês
Eduardo é um dos que sentiu dificuldade nas compras de frutas e legumes do mês |  Foto: Filipe Aguiar
 

Essas também são as dicas dos especialistas. O professor de Economia do IBMEC, economista e contador Gilberto Braga explicou o motivo da alta dos preços no setor alimentício. "De uma forma geral, todos os alimentos têm ficado mais caros. Essa inflação acima de 10%, acumulada em 12 meses, já completou 6 meses. Do ponto de vista dos alimentos, isso significa mais de uma cultura, porque em média são feitas duas colheitas por ano na maioria dos produtos. Então, os produtos tem chegado mais caros nos supermercados e na mesa dos brasileiros. Um pedaço disso é explicado por conta dos problemas climáticos que afetaram o Brasil no ano passado. Assim, vários produtos tiveram uma produtividade menor e, com isso, a oferta colhida fica menor e chegam menos produtos para o consumidor. O preço, então, aumenta. Os legumes têm ficado mais caros dentre esses produtos, mas um dos que o preço mais cresceu foi a cenoura. Ela tem sido um dos produtos mais caros, custando acima de R$ 8 (o quilo) e em alguns lugares acima de R$ 10. A abobrinha, o tomate, e outros produtos dessa natureza também estão bem caros. Os que permanecem um pouco mais em conta são a batata, o aipim, embora não possamos dizer que tem qualquer produto com um preço menor", explicou o especialista.

Ele ainda informou qual é a expectativa do preços desses produtos para os próximos meses. "A perspectiva para os próximos meses depende muito desse conflito internacional da Rússia com a Ucrânia. Hoje, o que está sendo colhido e vendido no nosso país já estava plantado, mas, para os próximos meses, se a guerra demorar, o Brasil vai ter problema com os fertilizantes. O Brasil só produz 10% dos fertilizantes que precisa hoje, os outros 90% são importados e a Rússia é o maior produtor e fornecedor de fertilizantes para o Brasil. O nosso país não vai conseguir, portanto, trazer esse produto da Rússia para cá, ou vai ter dificuldade, e vai ter que arrumar outros fornecedores e comprar mais caro. Com relação a como economizar, a dica é pesquisar preços e ofertas, e encontrando o produto mais barato que seja do hábito do consumidor, ele pode tentar processar esse alimento e congelar, como, por exemplo, o alho, ou comprar o tomate para fazer molho, usando as técnicas adequadas de cozimento e conservação", afirmou ele. 

O economista Gilberto Braga conversou com o OSG
O economista Gilberto Braga conversou com o OSG |  Foto: Divulgação
 

Nos mercados procurados pelo OSG, a batata doce custava R$ 3,50 (kg), a laranja custava R$ 5,50 (kg), o pepino era r4 3,90 (kg), a cebola era R$ 4,90(kg) e a cenoura chega a R$ 9,50 (kg). 

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