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Vereadora Benny Briolly é vítima de racismo e transfobia durante plenário da Câmara

Ataques de ódio ocorreram durante votação de PL que visava institucionalizar o Dia de Maria Mulambo na cidade

relogio min de leitura | Redação 11 de março de 2022 - 14:47
Vereadora Benny Briolly durante plenário da Câmara, nesta quinta-feira
Vereadora Benny Briolly durante plenário da Câmara, nesta quinta-feira -

A vereadora Benny Briolly (Psol) foi alvo de racismo religioso e transfobia durante votação do Projeto de Lei que decidia sobre a instituição da data de 12 de novembro como o Dia de Maria Mulambo, na Câmara Municipal de Niterói, nesta quinta-feira (10).

Na ocasião, o discurso da vereadora, primeira mulher trans eleita no estado do Rio de Janeiro, foi interrompido por um grupo de cristãos conservadores que berravam ofensas racistas e transfóbicas, como  “seu macumbeiro”, “xô, Satanás” e “Jesus Cristo é o senhor de Niterói”, contra ela. Por conta da confusão, a sessão precisou ser adiada.

Apesar de vídeos, expondo os ataques de ódio direcionados à vereadora circularem pelas redes sociais, a Câmara Municipal de Niterói, através da figura de seu presidente, o vereador Milton Carlos Lopes (PP), afirmou, em nota, que a sessão correu "dentro do respeito que o parlamento exige e o Estado de Direito determina".

"Na sessão de ontem (quinta-feira), em razão da matéria proposta pela vereadora Benny, ocorreram debates acalorados com posicionamentos diversos, dentro do respeito que o parlamento exige e o Estado de Direito determina. Tudo dentro do campo da ideia e convicção. Ademais, até o momento não foi noticiado por qualquer parlamentar nenhum tipo de ofensa e, caso tenha ocorrido eventual racismo de qualquer espécie, que ainda não foi noticiado pelo ofendido, assim que formalizado, será prontamente adotada as medidas cabíveis para a sua apuração e punição.", sustentou o presidente da Casa.

Em suas redes sociais, Benny repudiou o posicionamento do presidente da Câmara, descrevendo-o como ‘lastimável e inaceitável’. Ainda segundo a vereadora, a Casa retirou o PL de votação, sem justificativa prévia, após as cenas deploráveis desta quinta-feira.

“Para mobilizar a aprovação do projeto de lei, convidei personalidades de axé para participar da votação. No entanto, a sessão teve de ser interrompida por conta de gritos e xingamentos de bolsonaristas da casa. Tive a fala interrompida por gritos como ‘demônio’, ‘tá repreendido’, ‘só Jesus Cristo é o senhor’. Os pais de santo que vieram acompanhar a sessão foram desrespeitados. Minhas irmãs travestis foram intimidadas por conta das roupas que estavam usando e sofreram junto comigo a transfobia institucional dessa casa. Fui chamada de ‘macumbeiro’, ‘demônio’, ‘capeta’, ‘satanás’ e tudo de mais racista e transfóbico que possa existir. Fui ameaçada, tive que sair do plenário e o projeto de lei foi retirado de votação, sem mais nem menos. Mas o racismo direcionado às religiões de matrizes africana é tão naturalizado que consideram normal marginalizar o nosso sagrado dessa forma. A Câmara escolheu intensificar o racismo religioso na cidade. Esse cenário é lastimável e inaceitável! Precisamos estabelecer o estado laico em Niterói! Até quando o racismo religioso vai continuar atrasando as pautas políticas de progresso pro nosso município?”, desabafou Benny em suas redes sociais.

A vereadora informou que sua equipe jurídica já foi acionada e tomará todas as medidas cabíveis para responsabilizar os autores da ofensa. A ocorrência deve ser registrada na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) da Polícia Civil nos próximos dias.

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