Sindicato repudia agressões de PM a jornalista de Niterói
Ataques foram feitos por comandante-geral da operação Segurança Presente

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro manifestou (SJP-RJ) no último sábado (5) repúdio às agressões sofridas pelo jornalista Luiz Antonio Mello por parte do major PM Clímaco, coordenador-geral do programa Segurança Presente Niterói. Mello ocupa atualmente a função de Editor Senior do Jornal A Tribuna, de Niterói.
No dia 2 de março, o jornalista publicou uma reportagem que apontou ausência de agentes e viaturas do programa Segurança Presente nos bairros Icaraí, Ingá e Santa Rosa, em Niterói, no sábado (26), domingo (27), segunda (28) e terça-feira (1º) de Carnaval, entre 16 e 22 horas.
Dois dias após a divulgação da reportagem, na última quarta-feira (4), o comandante-geral do programa Segurança Presente Niterói, major PM Clímaco, divulgou uma nota repudiando a reportagem e classificando-a como "fake news". Além disso, o agente acusou o jornal de imparcialidade e afirmou que a matéria não tem embasamento.
Em nota intitulada "Repúdio ao Repúdio", o jornal A Tribuna esclareceu que "o artigo, assinado pelo editor Luiz Antonio Mello, intitulado “Segurança Presente desaparece de Icaraí no carnaval” é baseado em fatos constatados pelo jornalista, que é morador de Icaraí, não só mediante sua observação, mas também pela confirmação das informações com outros moradores do bairro e leitores do jornal, conforme já dissemos".
"Em nenhum momento, no artigo, falou-se em índices de violência, em ineficiência do Programa, contradizendo ou negando algum dado do Instituto de Segurança Pública. A Tribuna apenas constatou a ausência dos agentes em Icaraí, conforme alertaram vários leitores", diz a nota do jornal.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro, através do presidente Mário Souza, também divulgou uma nota em que criticou a agressão do comandante-geral do programa Segurança Presente em Niterói ao jornalista Luiz Antonio Mello.
"Ainda que fosse apenas uma opinião do jornalista, tal publicação não dá ao major o direito de agredir verbalmente ao jornalista por qualquer aplicativo da Rede Social. Isto fere o princípio constitucional da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa. A Constituição é clara ao vedar toda e qualquer censura de natureza política, ideológica ou artística às atividades jornalísticas", diz a nota.
"No entanto, o artigo do jornalista Luiz Antonio Mello está mais do que embasado na ética do jornalismo e da informação pelas suas observações, apurações e reclamações de moradores recebidas pelo jornal. A Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) publicou, recentemente, um relatório que denuncia o número elevado de violências contra jornalistas e contra os veículos de imprensa, desde agressões verbais, disseminação de fake news e a tentativa de desqualificar a imprensa no País", apontou o sindicato da categoria.
O sindicato reafirmou repúdio à agressão sofrida pelo jornalista Luiz Antonio Mello e a qualquer tentativa de censura ou desqualificação da Imprensa.
"O Sindicato também se manifesta pelo Estado de Direito Democrático para que o país não volte aos tempos sombrios da Ditadura. Neste sentido, o Sindicato acredita que a Corporação Militar do Estado do Rio de Janeiro que, há décadas, cumpre seu papel constitucional em defesa da população não seja confundida com declarações equivocadas contra jornalistas e a Imprensa em todos níveis do Estado", finaliza a nota.