Morre ex-presidente da Portela Nilo Figueiredo aos 85 anos
Ele estava com Alzheimer e veio a falecer nesta sexta-feira (21)

O ex-presidente da Portela Nilo Figueiredo, de 85 anos, morreu nesta sexta-feira (21), em decorrência de Alzheimer, conforme noticiou a escola de samba.
Nos últimos anos, ele estava internado em uma clínica de repouso, recebendo a visita de familiares e amigos. Nilo Figueiredo deixa filhos e netos, incluindo Nilo Mendes Figueiredo Junior, ex- vice-presidente da Portela.
O velório de Nilo Figueiredo está marcado para este sábado (22), a partir das 11h, na Capela 02 do Memorial do Carmo. A cerimônia de cremação será às 14h.
Veja a trajetória de Nilo Figueiredo:
Oficial da Marinha, Nilo começou a frequentar a Portela na década de 1960, numa época em que oficiais graduados das Forças Armadas ainda não participavam ativamente das escolas de samba. Ele quebrou barreiras e se tornou vice-presidente da Portela nos desfiles de 1970 e 1971, sagrando-se campeão com o enredo “Lendas e Mistérios da Amazônia”. Afastou-se da escola após a eleição de Carlos Teixeira Martins, logo após o carnaval de 1971, mas manteve-se como uma das lideranças políticas da Portela ao longo da década de 1970. Por muitos anos foi um dos responsáveis pela segurança do Sambódromo, trabalhando junto à LIESA.
Mesmo afastado, jamais abandonou o sonho de um dia voltar a participar ativamente de sua escola do coração. Em 2003, liderou a ocupação da quadra de ensaios por um grupo de descontentes com a gestão de Carlos Teixeira Martins, o que gerou o movimento “Nova Portela”. Após uma série de disputas judiciais, em agosto de 2004 Nilo Mendes Figueiredo derrotou Marcos Aurélio Fernandes, candidato indicado por Carlinhos Maracanã, tornando-se Presidente da Portela.
Nilo Figueiredo comandou a Portela por nove anos, sendo reeleito nas eleições de 2007 e 2010. Neste período, a Portela retornou nos desfiles das campeãs nos anos de 2008 (4ª), 2009 (3ª) e 2012 (6ª). Foi sob sua liderança que a Portela enfrentou uma das mais graves tragédias de sua história, que foi o incêndio que antecedeu ao carnaval de 2011, que fez a escola desfilar sem ser julgada. O “Comandante Nilo”, como era chamado, sempre incentivou a participação de jovens, ajudando a renovar importantes segmentos da Portela, como a direção de harmonia e a bateria. Neste processo de renovação, nomes hoje consagrados, como Gilsinho e Nilo Sérgio, tiveram suas primeiras oportunidades. Também em sua gestão a escola mirim Filhos da Águia, fundada em 2001, finalmente conseguiu reconhecimento para desfilar, iniciando seu trabalho como formadora de novos talentos.