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Delegado preso é acusado de tentar armar flagrante contra Paes

Maurício Demétrio está sendo investigado pelo MPRJ

relogio min de leitura | Redação 27 de dezembro de 2021 - 11:30
Maurício Demétrio
Maurício Demétrio -

Preso por corrupção em junho deste ano, o delegado da Polícia Civil, Maurício Demétrio, é o principal alvo da segunda fase de uma operação deflagrada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) nesta quarta-feira. O ex-titular da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM) é acusado de organizar operações falsas com o intuito de inferir sobre o resultado das eleições municipais do Rio de Janeiro no ano passado. O conteúdo do celular de Demétrio foi analisado pelo MPRJ e exibido pelo Fantástico neste domingo.

De acordo com a reportagem, Demétrio fez chegar ao conhecimento do delegado da Polícia Federal Victor Cesar Carvalho dos Santos a informação de que o então candidato Eduardo Paes receberia dinheiro de origem desconhecida no dia do segundo turno do pleito eleitoral, 24 de novembro de 2020. O acusado teria inclusive enviado fotos do envelope com notas de R$50 e R$100 que supostamente seriam entregues ao atual prefeito da cidade. Em depoimento, dos Santos afirmou que cancelou a operação ao descobrir quem era a fonte da denúncia.

Em postagem no Twitter, Paes comentou as informações divulgadas pelo programa, criticando os envolvidos no esquema e reiterando sua confiança nos investigadores.

"Mais um vagabundo travestido de 'Estado' e defensor da lei. O outro vocês já sabem quem é e foi mais bem sucedido em 2018. Esse não conseguiu. O outro era 'brother' do ex-juiz 171. Esse safado tinha a mulher nomeada na prefeitura do Bispo Crivela. E o casal ganhou muito dinheiro do povo carioca para financiar tanta safadeza. Foram R$ 319.925,37 pagos com dinheiro público para pagar a conta de mais uma armação. Tenho certeza que nossa secretaria de Governo e Integridade pública através do secretário Marcelo Calero vai reaver esse dinheiro para os cofres públicos. Eles são fracos e corruptos. Usam o Estado e o cargo que tem para fraudar o processo político e difamar seus adversários. Mas eles não passarão. Vagabundos! Delinquentes!", comentou o mandatário

Além disso, Demétrio foi apontado ainda como o mandante de uma operação falsa cujo objetivo era enfraquecer as investigações contra ele e seu bando. A ação aconteceu em março deste ano e culminou na prisão do delegado Marcelo Machado, à época responsável pela condução das investigações contra o policial acusado.

De acordo com o MPRJ, o grupo teria forjado conversas no Whatsapp, passando-se por interessados em adquirir camisas confeccionadas pela Alfredo Dias Babylon, empresa de propriedade de Machado e seu sócio. Os produtos encomendados foram usados para incriminar o delegado. Contudo, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco) percebeu que a denúncia foi feita previamente à encomenda e confecção das camisas, e o delegado foi solto mediante o pagamento de fiança.

O caso veio à tona em junho quando Demétrio foi preso, acusado de cobrar propina de comerciantes de produtos falsificados em Petrópolis, durante a operação ‘Cartas de Corso’. Na ocasião, foram apreendidos em seu apartamento R$225 mil em espécie, três carros de luxo blindados e 12 aparelhos celulares, a partir dos quais a Justiça constatou uma série de outras tentativas de extorsão e chantagem cometidas por Demétrio e sua quadrilha. O cabeça do grupo determinava que seus comparsas, entre os quais estava Adriano Rosa, preso essa semana, realizassem levantamentos de dados restritos de inúmeros cidadãos, entre eles autoridades e seus familiares, como meio de extorqui-los.

"O que se descobriu nessa nova fase da investigação foi que Maurício Demétrio utilizando-se de policiais sob a sua responsabilidade, inclusive Adriano, que foi denunciado nessa nova fase, fazia uso abusivo dos sistemas de consulta da Polícia Civil.", revelou a promotora Juliana Amorim.

Entre as vítimas da quadrilha estão o ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio Luiz Zveiter, sua mulher Gabriela Brito Zveiter e Glauco Costa Santana, filho da promotora Gláucia Santana.

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