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Aluno sofre racismo em grupo de whatsapp da escola: 'Saudades de quando preto era só escravo'

Ataque foram feitos quando o rapaz deixou o grupo da turma

relogio min de leitura | Redação 20 de dezembro de 2021 - 15:24
Ofensas começaram assim que o jovem deixou o grupo
Ofensas começaram assim que o jovem deixou o grupo -

Um adolescente de 14 anos foi alvo de ataques racistas feitos pelos colegas de turma do Colégio Cristão Ver, na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Os ataques foram feitos na última semana, em um grupo de whatsapp criado para os alunos debaterem sobre as provas. "Pensei que preto era tudo pobre", "saudades de quando preto só era escravo", escreveram os alunos. De acordo com o UOL, o pai do menino vai na delegacia nesta segunda-feira (20) para registrar um boletim de ocorrência. 

Segundo Alexandre, o pai da criança, os alunos criaram o grupo com o objetivo de conversarem sobre os conteúdos das aulas e debaterem sobre as provas. Porém, o jovem era sempre excluído das conversas e não recebia atenção dos colegas. Sentindo-se isolado, o menino deixou o grupo.

Assim que o adolescente saiu do grupo, começaram os ataques racistas. De acordo com o pai, um amigo do filho enviou ao adolescente prints do que havia sido dito pelos colegas quando ele deixou o grupo. “Que bom que o ‘neguin’ não tá. Já não aguentava mais preto naquele grupo” [sic], disse um dos garotos.

Alunos alteraram nome do grupo para "Pilantrinhas (sem neguin") após ele sair do grupo
Alunos alteraram nome do grupo para "Pilantrinhas (sem neguin") após ele sair do grupo |  Foto: Reprodução
 

O nome do grupo chegou a ser alterado para "Pilantrinhas (sem neguin"). As mensagens racistas continuaram sendo escritas: “nem sabia que preto estudava”; “nem sabia que preto podia ter celular”. Após o caso, a coordenação marcou uma reunião com os pais dos alunos envolvidos. De acordo com Alexandre, alguns dos responsáveis ainda tentaram minimizar os ataques racistas. Até o momento, três alunos que cometeram os ataques foram identificados.

"Eles se desculparam, mas o leite já foi derramado. Eles bateram muito forte não só na minha família, mas no meu filho também. Hoje, [ele] não foi disputar um campeonato, não sai de casa e não está comendo" , disse ao Uol.

De acordo com o pai, a decepção foi maior com um dos alunos que chegou a estar na casa do jovem comemorando o aniversário junto com ele há duas semanas. "O que mais o machucou é que um dos meninos, há 20 dias, foi em churrasco para comemorar o aniversário do meu filho. Foi ele que fez mais ataques contra ele".  

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