Prefeitura de SG decide não renovar convênio com Abrigo Cristo Redentor, que pode fechar

Convênio com o Abrigo para manutenção de 56 idosos se encerra no dia 31 de dezembro

Escrito por Redação 17/12/2021 11:19, atualizado em 16/12/2021 22:22
Administração do abrigo teme crise financeira ainda maior após o encerramento do contrato
Administração do abrigo teme crise financeira ainda maior após o encerramento do contrato . Foto: Arquivo Pessoal

Fundado há mais de 80 anos no bairro Estrela do Norte, em São Gonçalo, o Abrigo Cristo Redentor tem desde sua criação, em 1939, o compromisso de cuidar e dar assistência aos idosos do município e região. A fundação que concede moradia, remédios e alimentação aos idosos tem, no entanto, passado por dificuldades financeiras e tem contado constantemente com o apoio da sociedade civil gonçalense para arrecadar alimentos e fundos, o que tem impedido a instituição de fechar as portas. 

Mesmo com essa mobilização voluntária, o abrigo pode acabar sendo obrigado a encerrar suas atividades e 'despejar' 95 idosos, já que a Prefeitura de São Gonçalo decidiu encerrar um convênio de repasse de verbas para a instituição, a partir do dia 31 de dezembro.

O Cristo Redentor há meses tem sofrido com cortes de verbas e atrasos de repasses de convênios para sua manutenção. Para cuidar dos seus 95 idosos, 90 funcionários  dividem-se entre os serviços da administração médica, manutenção do abrigo, alimentação e outras áreas. No entanto, segundo o superintendente e diretor financeiro do abrigo, Ademir Nunes, as dificuldades financeiras prejudicaram o pagamento dos funcionários, que estão há mais de dois meses com os salários atrasados.

 

Superintendente financeiro, Ademir Nunes, explica que repasses estão atrasados e dívidas não foram pagas
Superintendente financeiro, Ademir Nunes, explica que repasses estão atrasados e dívidas não foram pagas | Foto: Filipe Aguiar
 

Além do pagamento dos funcionários, toda a estrutura do abrigo tem um alto custo de manutenção que, mesmo com o aporte financeiro das entidades públicas, não tem sido suficiente para manter o local em suas melhores condições, já que os recursos são incertos e muitas vezes insuficientes.  

A maior parte da receita vem de um convênio com a Fundação Leão XIII, responsável por 25 idosos, e também um convênio com a Prefeitura, que é responsável pela manutenção de 56 idosos. Ainda de acordo com o superintendente, os repasses feitos pela prefeitura de São Gonçalo estão há 4 anos sem reajuste, e a Fundação Leão XIII tem uma dívida com a instituição de cerca de R$ 3 milhões.

"Depois que houve uma mudança na Secretaria de Assistência Social do município teve uma melhora temporária nos repasses em questão de atraso, mas o valor continua o mesmo de quatro anos atrás, que é R$ 1.500 por idoso. Esse valor não dá nem para a metade da manutenção de um idoso com todas as refeições, remédios, atendimento médico e outras assistências que o abrigo oferece", disse Ademir.

"A instituição chegou ao seu limite e, caso nada seja feito de forma imediata, o abrigo terá, sem nenhum exagero, uma enorme dificuldade para continuar suas atividades. Não há mais condições financeiras, nem de continuar prestando assistência aos residentes, nem de manter os pagamentos do nosso corpo de funcionários. A gente ultrapassou o limite de todos os problemas financeiros”, lamentou. 

Com o valor das despesas ultrapassando o dobro da receita, o superintendente também reconhece parte da culpa das administrações anteriores do abrigo por conta da negligência ao lidar com os recursos financeiros e também questões políticas entre a antiga administração e a Fundação Leão XIII, mas também afirma que há um impasse com a fundação, que está atrasando o pagamento de uma dívida que poderia aliviar a complicada situação do abrigo. Dessa forma, os mais de 90 idosos cuidados pelo Abrigo Cristo Redentor sofrem enquanto a administração e a fundação não resolvem os empecilhos.

“A Fundação mudou de presidente duas vezes. O novo presidente, que está no cargo há pouco mais de três meses, marcou uma reunião com a gente, nos tratou super bem, mas falou que não pode fazer o reconhecimento da dívida porque ela não foi feita durante o mandato dele”, afirmou o diretor. Grande parte da ajuda que o abrigo recebe hoje vem da sociedade civil.

Desde o início da pandemia, boa parte da arrecadação de alimentos e recursos para o abrigo está sendo paga pelos diretores voluntários e também por ações de solidariedade dos moradores de São Gonçalo, que sempre contribuem com campanhas de doação de comidas, cestas básicas e outros suprimentos.

 

De acordo com o presidente José Jerônimo, doações da sociedade civil têm ajudado a amenizar o grave problema
De acordo com o presidente José Jerônimo, doações da sociedade civil têm ajudado a amenizar o grave problema | Foto: Filipe Aguiar
 

“O povo de São Gonçalo nunca deixou a gente na mão”, disse o presidente do abrigo, José Jerônimo Sobrinho.

Questionada sobre o encerramento do convênio, a Secretaria Municipal de Assistência Social de São Gonçalo informa que “não poderá, por pendências legais, renovar o contrato de manutenção dos 56 idosos que hoje vivem no Abrigo Cristo Redentor". Ainda segundo a prefeitura, o Abrigo Cristo Redentor "não apresentou a documentação necessária para a renovação do convênio, que vence no final deste mês, o que levou o município a buscar novas instituições, através de chamamento público, para atender aos idosos. O contrato a vencer prevê o atendimento a 56 idosos, que deverão ser transferidos".

"A Prefeitura de São Gonçalo lamenta a situação do Abrigo Cristo Redentor, entende a importância da instituição para o município, mas encontra-se impossibilitada de renovar o convênio para não incorrer em crime de responsabilidade".

"Vale lembrar que, ao longo deste ano, a atual gestão sinalizou diversas vezes para a necessidade de regularização da situação, para a manutenção do contrato, o que não aconteceu”, conclui a nota da prefeitura.

Porém, segundo o superintendente financeiro Ademir Nunes, a Prefeitura não solicitou documentações e, mesmo se o tivesse feito, não especificou quais os documentos necessários para tal renovação. Além da Prefeitura ter de repente mudado os planos de adquirir parte da propriedade do abrigo e resolvido cancelar o convênio sem nenhum contato anterior. 

"Será que eles estão entendendo o enorme problema que estão causando aos idosos apenas por aventar essa possibilidade? Já há idosos se sentindo mal, literalmente aterrorizados pela possibilidade de terem que deixar, obrigatoriamente, suas moradias onde, com todos os problemas, eles são super bem tratados?", concluiu Ademir. 

A Fundação Leão XIII não se posicionou até o fechamento desta matéria.

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