‘Profissão’ Papai Noel
Eles ‘interpretam o papel’ em São Gonçalo por amor e dedicação às crianças e ao Natal

Ricardo Nery encanta a todos que passam pelo Partage Shopping. Ele tem um carisma peculiar
Foto: Luiz NicolellaPor: Cyntia Fonseca
O Natal está próximo, e as crianças já sonham com a “visita” e o presente de Papai Noel em suas casas. Essa “profissão”, tão cercada de encantamento pode ser motivada por oportunidades de negócios ou pela simples vontade de fazer uma criança sorrir. Mas o que poucos sabem é que sempre há uma história interessante daquele ser humano da roupa vermelha e de barba branca.
Quem leva o filho para tirar fotos com o “Bom Velhinho” do Partage Shopping, em São Gonçalo, sai de lá, no mínimo, encantado. Por trás do carisma e das dezenas de sorrisos, o aposentado Ricardo Nery, de 57 anos, carrega uma história de 12 anos como Papai Noel.
“Sempre gostei de lidar com crianças. Quando ouvi um anúncio na rádio para trabalho como Papai Noel, decidi me inscrever, e desde então não parei mais”, conta.
Ricardo Nery, que já passou por vários shoppings inclusive fora do Rio, é um defensor ferrenho da magia proporcionada pelo Natal.
“Fico triste quando destroem essa fantasia. Cada um tem uma criança dentro de si. Em 2012, quando estive em um shopping no Rio, 70% eram adultos tiravam foto comigo. Vários levavam mensagens, queriam tirar dúvidas. Então cheguei a conclusão que existem também crianças de 50, 60 anos”, brinca.
Anos dedicados à alegria das crianças também fazem parte da história de Adair Silva, 80. Há mais de 20 anos, Adair segue marcando presença em eventos e escolas e, no dia do Natal, faz uma caravana com brinquedos doados para crianças de vários bairros em São Gonçalo.
Tudo começou com um pedido da proprietária de uma escola que fica na rua onde mora. A recepção das crianças foi tão grande que ele resolveu investir e não parou mais.
“O tempo passa e não percebemos o desgaste físico e emocional, mas é muito gratificante ver o sorriso das crianças”, conta o aposentado, que nem mesmo com problemas recentes de saúde não abre mão de distribuir os presentes. Atualmente, ele conta com a parceria do comerciante Naum, da marca Abutre, que organiza a caravana, com as doações de empresários e pessoas físicas.
A importância do ‘Bom Velhinho’ no imaginário
É saudável para a criança mergulhar na fantasia de personagens como o Papai Noel? Segundo os especialistas em comportamento, sim.
“Estimular a imaginação não é tirar da criança o senso de realidade. A fantasia é fundamental e de modo algum causa traumas ou danos psicológicos. O papel de pais e educadores é facilitar o mundo imaginário para os pequenos, ajudando-os a construir uma infância mais feliz”, explica a psicóloga Claudia Aguiar Miranda.
Sobre a idade que a criança começa a “desconfiar” da veracidade dos personagens, o psicólogo Diogo Bonioli esclarece que não há um momento específico.
“Assim que a criança conseguir dominar operações lógicas, como funcionamento do mundo, mecânica das coisas, o imaginário deixa de ser necessário e dá lugar à vida simbólica. Ou seja, assim que surgirem os primeiros sinais de raciocínio lógico, automaticamente será o momento da criança entender que o Papai Noel não é imaginário e nem real, mas simbólico”, ressalta Bonioli.
Mais importante do que se preocupar com a fantasia infantil é estimular a gentileza e a solidariedade desde cedo. Então, para quem quiser ajudar o trabalho dos Papais Noéis em São Gonçalo, pode entrar em contato com Adair Silva, no telefone 2712-3173 ou então ir à agência dos Correios, no Zé Garoto, e apadrinhar uma criança no projeto social da empresa.