Policlínica de São Gonçalo participa de projeto piloto do Ministério da Saúde

Unidade é referência para tratamento de infecções sexualmente transmissíveis

Escrito por Redação 25/11/2021 08:54, atualizado em 25/11/2021 10:16
Atualmente, São Gonçalo tem 4.675 pacientes com HIV em tratamento
Atualmente, São Gonçalo tem 4.675 pacientes com HIV em tratamento . Foto: Divulgação

Referência para o tratamento das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) em São Gonçalo, a Policlínica Gonçalense de Referência para Doenças Crônicas e Transmissíveis, na Parada 40, participa de projeto piloto do Ministério da Saúde de coleta de exame para detectar gonorréia e clamídia há dois meses.Outra novidade é o tratamento de hepatites virais, que começou há um mês, para os que não têm cirrose.

Para ser atendido na clínica para tratamento de qualquer IST, os pacientes podem ir direto ao espaço, onde passarão por avaliação da enfermagem para entrada nos programas. 

O tratamento de hepatites virais na cidade era uma antiga reivindicação. Antes, os pacientes confirmados com hepatite eram encaminhados para o Hospital Universitário Antônio Pedro (Huap), no Centro de Niterói. Neste primeiro mês, 14 pessoas foram confirmadas com a doença e iniciaram o tratamento.

“Nós fazemos o exame da carga viral de hepatite na unidade. Com o resultado, que sai em duas horas, a gente começa a tratar com o hepatologista. Já estamos também liberando medicamentos. No entanto, o tratamento só é oferecido, por enquanto, para quem não tem cirrose”, explicou a coordenadora da policlínica, Monique Gonzalez.

A outra novidade no espaço é a coleta de exame para detectar gonorréia e clamídia. A cidade, uma das poucas no Estado do Rio a realizar estes exames, foi escolhida porque oferece a Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (Prep) – feito com medicação de forma contínua para evitar o contágio do HIV oferecido para um grupo de pessoas que têm maior incidência de exposição ao vírus (gays, população trans, casais sorodiscordantes - formado entre pessoa que vive com HIV e outra que não vive com HIV - e profissionais do sexo). Em dois meses, 68 pessoas foram confirmadas com as infecções e já iniciaram o tratamento e acompanhamento.

A policlínica realiza o tratamento de todas as ISTs (HIV, gonorréia, clamídia, hepatites virais, sífilis e outras), entrega medicamentos, faz testes rápidos, ensina a realizar o autoteste para HIV em casa e faz exames laboratoriais.

As gestantes convivendo com HIV também conseguem fazer todo o pré-natal com acompanhamento para a grávida e para o bebê, além de ter o suporte ginecológico de outras ISTs. Uma vez inserido nos programas de tratamento, o paciente tem o risco da infecção avaliado, passa por consulta médica e inicia o acompanhamento.  

O acompanhamento é realizado com equipe multidisciplinar: além da equipe de enfermagem, o paciente tem acesso a assistente social, psicólogo, nutricionista e pediatra para as crianças expostas ao HIV e positivadas. Além das consultas com especialistas, o local também realiza a vacinação de imunizantes especiais para pacientes adultos (Pneumo 13, Pneumo 23, Hepatite A e Meningite), realiza coleta de exames laboratoriais e o exame de carga viral e cd4 – específicos para o monitoramento para os pacientes que convivem com HIV. 

“Esses exames são importantes para ver se o tratamento com os antirretrovirais está fazendo efeito. Temos convênios com laboratórios, mas também realizamos exames na unidade. As nossas máquinas têm resultado rápido. A carga viral tem resultado em menos de duas horas e CD4 em dez minutos. Esses exames são importantes também para avaliar se os pacientes estão com carga viral indetectável (não transmite a infecção pelo sexo)”, explicou Monique Gonzalez.  

Em relação às medicações distribuídas para os pacientes convivendo com HIV, elas são realizadas a cada três meses, facilitando a vida dos pacientes que não precisam retornar à policlínica todo mês, como acontecia anteriormente. Esse intervalo é preconizado pelo Ministério da Saúde. Além dos retrovirais usados para o tratamento das pessoas que convivem com HIV, a policlínica também fornece medicação para doenças oportunistas e outras associadas.

Atualmente, São Gonçalo tem 4.675 pacientes com HIV em tratamento. Este ano, foram confirmados 362 novos casos. Do total, 81% dos casos têm carga viral indetectável (paciente com carga viral baixa, mantida por mais de seis meses, e que não transmite a infecção por relação sexual).

“Para ter a carga viral não-detectada, depende da adesão do paciente, do organismo e da carga viral inicial. Geralmente, com a nova medicação que está sendo administrada, se o paciente fizer tudo certo, com três meses de tratamento, a gente consegue deixar a carga viral indetectável na maioria dos pacientes. Sem a transmissão, a gente controla a replicação do vírus com a medicação”, finalizou Monique.   Unidades com tratamentos  

HIV:

Policlínica Gonçalense de Referência para Doenças Crônicas e Transmissíveis, Parada 40 (marcação de segunda à sexta);

Polo Sanitário Hélio Cruz, Alcântara (marcação de segunda à sexta);

 Clínica da Família Dr. Zerbini, Arsenal (marcação de segunda à sexta).

Hepatite B e C:

Policlínica Gonçalense de Referência para Doenças Crônicas e Transmissíveis, Parada 40 (marcação de segunda à sexta); 

PAM Alcântara (marcação na sexta);

Sífilis:

Polo Sanitário Hélio Cruz, Alcântara;

Polo Sanitário Jorge Texeira de Lima, Jardim Catarina;

Polo Sanitário Paulo Marques Rangel, Porto do Rosa;

Polo Sanitário Washington Luiz Lopes, Zé Garoto;

Polo Sanitário Augusto Sena, Rio de Ouro;

Clínica Municipal Gonçalense do Barro Vermelho;

Clínica da Família Dr. Jardel do Amaral, Venda da Cruz;

Clínica Municipal Gonçalense do Mutondo;

Clínica Municipal Euryclides de Jesus Zerbini, Arsenal;

Policlínica Gonçalense de Referência para Doenças Crônicas e Transmissíveis, Parada 40.

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