'Cadê o apoio?': familiares de gari eletrocutado pedem apoio de empresa em que ele trabalha
Os familiares denunciam também uma transferência de hospital não autorizada

Um dia normal de trabalho se tornou um pesadelo para a família do gari Alcenir da Silva Marins, de 28 anos. Isso porque, no último domingo (14), ele foi eletrocutado enquanto trabalhava na Rua Padre Anchieta, em Niterói. A descarga elétrica ocorreu enquanto o homem estava trabalhando. Ele acabou encostando, sem querer, a barra de ferro que usava para desentupir uma tubulação que ficava no alto em um fio da rede elétrica. Na mesma hora, ele foi atingido pela descarga de energia. Além de a família já estar passando por essa situação, eles denunciam também que não recebem nenhum suporte da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin), empresa para a qual Alcenir trabalha.
"Eu tinha acabado de chegar do trabalho, eram quase 10h da manhã quando minha outra irmã, Grazielle, ligou contando do ocorrido. Na mesma hora, ficamos apavorados e fomos para o Hospital Estadual Azevedo Lima (HEAL), no Fonseca, onde ele estava. Lá soubemos que, na equipe que trabalhava com o meu irmão, havia quatro encarregados e um chefe e ninguém foi com ele até o hospital na ambulância. Os bombeiros o socorreram e ele chegou até a unidade de saúde sozinho. Depois, recebemos filmagens dele no momento do ocorrido e constatamos que ele estava sem os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários. Ele estava só com bota e o cabo, sem o chapéu, as luvas e outras coisas. Até o cinto que recebemos dele não estava queimado, o que é estranho, já que grande parte do tronco dele foi queimado", contou Daniele da Silva, de 38 anos, irmã de Alcenir.
Ela foi uma das pessoas que teve que ver seu irmão com 80% do corpo queimado, entubado, em uma cama de hospital. Além disso, ela teve que lidar com uma transferência de hospital não autorizada. "Eu fiquei com ele no hospital até ele fazer os curativos da primeira cirurgia. Na ocasião, a médica veio conversar comigo e disse que o estado dele era delicado e que ela iria fazer tudo pra ele ficar estável e perguntou se queríamos que fizesse a transferência dele de hospital, já que ele tem o plano da Clin. Eu não aceitei, pois queria conversar com a família primeiro, meu irmão estava instável, em estado grave e esse procedimento poderia piorar as coisas. Lá pras 23h, o hospital me ligou falando que tinha conseguido a transferência e que alguém deveria ir lá para acompanhá-lo. Eu não sei como, mas não fui eu quem autorizei. Essa transferência quase matou ele, o meu irmão chegou lá na outra unidade de saúde quase desfalecido. Quando eu indaguei o HEAL sobre quem teria autorizado esse procedimento, eles informaram que havia sido eu, mas eu nunca assinei nada, nem quando meu irmão deu entrada na unidade. Pedi pra me mostrarem esse documento assinado por mim e não mostraram até agora. Quero saber quem autorizou", disse a técnica de enfermagem ao OSG.
Os familiares de Alcenir e membros da comunidade em que ele mora no Sabão, como o presidente da Associação de Moradores Aterrado São Lourenço realizaram um ato hoje (16) na frente da Clin pedindo pela ajuda da empresa. Com placas como 'Força Alcenir' e 'Cadê o apoio?' as pessoas pediam respostas possíveis para o caso e ajuda no quadro de saúde do funcionário público.
"É muito difícil para a gente estar passando por tudo isso. Minha mãe não dorme, a gente não consegue trabalhar, pois tem que ficar no hospital com ele, pensando em como ele vai sair dessa e a empresa continua falando por aí que forneceu EPIs para o meu irmão, que ele fez curso de rapel e etc, mas todo mundo sabe que ele não caiu, ele foi eletrocutado, é diferente de fazer rapel, de um curso", contou Daniele.

Hoje, Alcenir está em um hospital particular em São Gonçalo e a família segue rezando pela melhora dele. "A Clin disse que está prestando apoio aos familiares, mas a única coisa que fizeram foi disponibilizar um carro para irmos ontem ao hospital, até pq a volta tivemos que pagar num aplicativo de mobilidade urbana. Eles não nos deram apoio, falaram 'meus pêsames' para outra irmã dele como se ele já tivesse morrido. Eles falaram que estão deixando um carro para se o Alcenir precisar ser transferido, mas não nos deram nenhum outro apoio. Nós queremos que ele vá para um hospital especializado em casos como o dele, mas isso quando puder, quando ele estabilizar. A unidade de saúde que ele está hoje disse que não é especializada em casos do tipo, mas que está fazendo o possível para ajudar no caso dele", afirmou o gerente de vendas Márcio da Silva, de 45 anos, o primeiro de Alcenir.
Em nota, a Clin informou que "a diretoria da Companhia de Limpeza Urbana de Niterói (Clin) se reuniu na manhã desta terça-feira com familiares e amigos do gari Alceni da Silva, vítima de uma descarga elétrica enquanto trabalhava, no último domingo (14). No encontro, o presidente da empresa, Luiz Carlos Fróes Garcia, reiterou que a Clin está, desde os primeiros momentos, dando todo o suporte à vítima e apoio à família. A Clin, reforçou o presidente, está empenhada em dar todo o suporte necessário à família.
“Nós estamos acompanhando todo o processo, inclusive disponibilizamos uma equipe de assistência social que está com a família o tempo todo", relatou Luiz Fróes.
A direção da Companhia esclareceu ainda que o funcionário encontrava-se com os equipamentos de proteção necessários, além de possuir curso de técnicas de rapel oferecido pela empresa.
Edson Mendonça Ananias, presidente da Associação de Moradores do Sabão, onde mora a família, também participou do encontro."
Já a assessoria de imprensa do HEAL foi procurada e não se posicionou sobre o tema.