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Dia nacional contra o preconceito ao nanismo - influenciadora luta por representatividade e respeito

Rebeca Costa lamenta estigmatização das pessoas com nanismo

relogio min de leitura | Pedro Di Marco 25 de outubro de 2021 - 17:35
Rebeca Costa, criadora da looklittle
Rebeca Costa, criadora da looklittle -

No dia 25 de outubro é comemorado o Dia Nacional do Combate ao Preconceito Contra às Pessoas com Nanismo, no Brasil. A data, instituída por lei em 2017, homenageia o ator e ativista William John Bertanzetti, mais conhecido como Billy Barty, reverenciado como um pioneiro na luta pelos direitos das pessoas com nanismo. Seu objetivo, como nos explica a influenciadora digital Rebeca Costa, criadora da @looklittle, é a conscientização acerca das dificuldades enfrentadas pelas pessoas com nanismo em seu dia a dia e seu reconhecimento perante a sociedade.

“O dia 25 de outubro é um dia muito importante, porque trás a conscientização do que de fato é o nanismo, sem qualquer barreira, sem precariedade, mas trazendo uma imagem real, com bastante informação sobre a importância da gente ver os problemas reais que as pessoas com nanismo sofrem no dia a dia, com limitações físicas, com preconceito, com exclusão. Então, na verdade não é nem [uma questão de] inclusão, mas sim de reconhecimento daquela pessoa com nanismo na própria sociedade.”, esclareceu a influenciadora.

Rebeca nasceu com acondroplasia, o mais comum dentre os 400 tipos de nanismo. A deficiência é causada por uma mutação no gene relacionado ao crescimento dos ossos e leva ao desenvolvimento desproporcional dos braços e pernas, podendo gerar uma série de limitações físicas relacionadas a deformações nos ossos e à altura, como problemas respiratórios, hidrocefalia, obesidade e problemas nos dentes.

A influenciadora explica que a deficiência ainda é muito estigmatizada pela mídia e a sociedade, e que isso é um dos principais empecilhos ao reconhecimento das pessoas com nanismo enquanto seres humanos privados de seus direitos pela falta de políticas públicas que atendam às suas demandas de forma individualizada.

“É uma deficiência que pouco se tem respeito e reconhecimento próprio, porque a mídia e a sociedade criaram um achismo em que se relaciona a doença a vitimismo, a fetiches e até ao humor. Então falta muito estudo referente a isso para que a gente possa transformar o nanismo em uma deficiência estudada em si e não herdeira das acessibilidades de outros tipos de deficiência. Existem poucas políticas públicas que atendam às pessoas com nanismo de forma individualizada e isso com certeza é uma das demandas mais urgentes e necessárias para hoje.”, afirmou Rebeca.

Pensando nessas dificuldades, na estigmatização das pessoas com nanismo e na falta de conhecimento do público acerca do tema, a influenciadora decidiu criar a looklittle, em setembro de 2015. Rebeca conta que a iniciativa foi inspirada pelo trabalho de Natalia Cruz, criadora do mini look do dia, e tem como objetivo a desmistificação do nanismo através da representatividade.

“O looklittle surgiu numa época em que o Instagram estava bombando e eu não me reconhecia nos corpos que eram apresentados a mim no feed. Muitos amigos pediam que eu passasse a compartilhar dicas de roupa para que outras meninas se identificassem comigo e passassem também a se enxergar no outro então, depois que eu conheci a Natalia eu tive essa ideia e isso aconteceu. Depois de um tempo eu me tornei ativista, o looklittle se tornou empresa e hoje a gente tá aí, a frente de um trabalho lindo, junto com o meu time, pra desmistificar o nanismo e mostrar que ele é só um detalhe, desconstruindo essa imagem que a sociedade e a mídia criaram e trazendo uma imagem mais positiva, mais real.”, explicou ela.

No diário virtual, Rebeca aborda questões relacionadas à moda, à acessibilidade e ao reconhecimento de uma forma real e positiva, retratando sua vivência enquanto pessoa com nanismo e, mais do que isso, enquanto mulher que existe para além de sua deficiência. Hoje a página conta com mais de 85 mil seguidores, mas a influencer ressalta que sua importância não pode ser expressa por números. Para ela, o valor da empresa reside na troca com o outro, fator que considera fundamental para acabar com o preconceito.

“Eu sempre tive muito amor ao próximo, sempre gostei muito do contato humano. Eu nasci em um berço em que minha família tem essa herança de princípios empáticos, de valores muitos reais. Então eu sempre fui comunicativa para poder me incluir naturalmente, me fazer presente, independente de se a pessoa me aceitar ou não, porque ela não tem que me aceitar, ela tem que me respeitar e a partir do momento que eu estou ali, que eu estou me comunicando com ela, fazendo com que ela me conheça, ela consegue me enxergar além da definição em que a sociedade ou a própria mídia me transforma.”, sustentou Rebeca

“É por isso que precisa dessa representatividade, para desmistificar tudo que foi apresentado, entre aspas, por achismo. Porque, quando a gente tem essa representatividade nas redes, a gente, mais do que nunca, tem o nanismo visto de maneira real e positiva, como ele é de fato, por vivência dessas pessoas. Por isso a representatividade é tão importante para o reconhecimento do nanismo como condição. Ele precisa ser visto tanto como deficiência, quanto na pessoa, porque antes da deficiência existe uma pessoa. Nós não somos somente a nossa condição.”, acrescentou.

*Estagiário sob supervisão de Thiago Soares

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