Após falas na manifestação no 7 de setembro, Bolsonaro recua e afirma "respeito às instituições"
Em nota publicada nesta quinta, presidente mostrou um discurso mais ameno

O Governo Federal divulgou, na tarde desta quinta-feira (9), uma "Declaração à Nação" do Presidente da República, Jair Bolsonaro. Na nota, que teve a assinatura do atual mandatário do Executivo do país, Bolsonaro optou por declarações mais "amenas" e que todas as frases ditas (por ele) na manifestação de 7 de setembro, dia da Independência, foram no "calor do momento".
Bolsonaro citou, em várias oportunidades, o nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, e disse que diverge de algumas decisões do juiz. "Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes", disse o presidente.
Em contrapartida da nota publicada nesta quinta-feira (9), Jair Bolsonaro falou duramente, para os manifestantes presentes no dia 7 de setembro, no ato na Avenida Paulista, em São Paulo, contra o ministro Alexandre de Moraes: "Dizer a vocês, que qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou, ele tem tempo ainda de pedir o seu boné e ir cuidar da sua vida. Ele, para nós, não existe mais".
Na declaração de hoje, Bolsonaro argumentou que "em nenhum momento teve a intenção de agredir os Poderes que fortalecem a democracia do país". "Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar", disse.
Porém, no ato na Avenida Paulista (7), o chefe do Executivo do Brasil não poupou palavras para criticar o sistema eleitoral do país, mencionando, em oculto, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso. Além disso, voltou a pedir o voto impresso, já rejeitado em uma PEC na Câmara dos Deputados.
"Não podemos admitir um sistema eleitoral que não oferece qualquer segurança; em uma ocasião das eleições. Dizer também que não é uma pessoa no Tribunal Superior Eleitoral que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável", mencionou Bolsonaro.
Por fim, Jair Bolsonaro salientou que respeita as instituições brasileiras e agradeceu o "apoio do povo brasileiro".
Integra da nota oficial do Governo Federal:
Declaração à Nação
No instante em que o país se encontra dividido entre instituições é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:
1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.
2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.
3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.
4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.
5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.
6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art 5º da Constituição Federal.
7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país.
8. Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.
9. Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.
10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.
DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA
Jair Bolsonaro
Presidente da República federativa do Brasil