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Vacina antirrábica em Magé teria causado a morte de 10 cães, entenda!

Caso ocorreu no último fim de semana e já está sendo investigado

relogio min de leitura | Escrito por Ana Carolina Moraes | 07 de setembro de 2021 - 12:37
O caso está sendo investigado
O caso está sendo investigado -

Todo mundo sabe a importância de vacinar seus cães e gatos com as vacinas recomendadas pelos veterinários, incluindo a antirrábica. No entanto, uma cena desesperadora chamou a atenção de profissionais de saúde e donos de cães em Magé: 10 cães morreram após tomarem o imunizante no último sábado (04), considerado o dia D de vacinação na cidade, em um posto no bairro Santo Aleixo. Após o episódio, a prefeitura abriu diligências para investigar o caso e entender se foi "falha humana" dos profissionais ou algum tipo de problema no imunizante. Diogo Alves, vice-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) e da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais do Estado do RJ, afirma que o caso está sendo investigado pelos órgãos competentes.

Ao todo, 52 postos estavam aplicando a vacina em Magé, mas foi em apenas um deles que os cachorros tiveram reações, alguns chegando a falecer. "Alguns cachorros morreram em casa, outros morreram na hora em que tomaram a vacina, já alguns foram levados por seus donos até o veterinário e morreram. Os cachorros tiveram os mesmos sintomas que incluem convulsão e muito grito dos animais. Até agora ninguém explicou o que aconteceu, mas uns dizem que deram insulina no lugar da vacina para os animais, outros acreditam que foi só reação à vacina. Estamos chocados na cidade, queremos resposta da Prefeitura!", contou uma pessoa do local que preferiu não se identificar.

Para Diogo Alves, que soube do caso pelas redes sociais do CRMV-RJ, a situação da vacinação não é só complicada pela morte dos animaizinhos, mas também porque pode fazer com que as pessoas não levem mais seus animais para vacinar.

"Esse cenário é muito preocupante, pois infelizmente pode fazer com que a credibilidade da campanha de vacinação antirrábica seja colocada em xeque. Fatal em quase 100% dos casos, a raiva é uma zoonose que pode também afetar o ser humano e por isso os cuidados se redobram no combate e prevenção da doença. A vacina antirrábica é ainda a única forma de prevenir a enfermidade e manter os pets saudáveis. Temos que incentivar a população a continuar vacinando seus animais. A raiva é uma zoonose. Tivemos recentemente um caso de um cão positivo na região da Baixada Fluminense. Ou seja, a doença não deixa de existir. Ela está controlada. É uma doença altamente letal, que devemos prevenir porque após o contágio, se manifesta de forma muito agressiva. O vírus da raiva ataca o sistema nervoso central e provoca inflamação no encéfalo. O animal contaminado pode apresentar alterações comportamentais, salivação excessiva, agressividade, convulsões e coma seguido de óbito", conta ele, acrescentando que esse foi um caso isolado em Magé, mas que, em anos anteriores, já houve outros no Amazonas e em São Paulo.

Diogo Alves é vice-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) e da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais do Estado do RJ
Diogo Alves é vice-presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro (CRMV-RJ) e da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais do Estado do RJ |  Foto: Divulgação
 

Para ele, existem alguns cuidados devem ser tomados antes da aplicação das vacinas. "Devemos sempre verificar a validade após a abertura do frasco para todas as vacinas, já que quando abertos devem ser utilizados em até três dias, respeitando as condições de armazenamento. E, por tratar-se de uma vacina multidose, deve-se aplicar as boas práticas de vacinação, como: realizar a assepsia do batoque de borracha entre a aspiração das doses, utilizar uma agulha por animal e conservar a vacina sempre à temperatura de 2ºC a 8ºC. O bom desempenho da vacina depende da conservação, transporte, manejo e modo de administração, assim como do estado sanitário dos animais. Conforme chegaram denúncias, também pode ter havido um erro na administração da vacina, em face de outro medicamento. Temos que ter bastante cautela e atenção na apuração dos fatos. A Vigilância Sanitária de Magé, Secretaria Municipal de Saúde e Secretaria Estadual de Saúde, devem vir a público para dar uma resposta à sociedade mageense. Não podemos acusar ninguém, mas que ocorreram eventos adversos, isso é fato", explicou ele.

Diogo deixa um conselho para os 'pais e mães' de pet, que não devem deixar de vacinar seus animais. "Pedimos que a população não deixe de acreditar na vacinação nacional. Em breve teremos o Dia D, em diversos municípios. Vacinar é um ato de amor. Quando a gente gosta, é claro que a gente vacina. O conselho que damos aos responsáveis pelos animais é que busquem saber a origem da vacina, se está acondicionada termicamente entre +2 e +8 C. Procure sempre um médico veterinário para que faça a imunização do seu animal", contou ele. 

Diogo ainda encaminhou uma nota sobre o caso: "O Conselho Regional de Medicina Veterinária do RJ, vem a público informar que neste momento está acionando os órgãos municipais mageenses para que dêem uma resposta para a sociedade civil, e se coloca a disposição da sociedade na averiguação dos fatos".

Após o ocorrido, a Prefeitura de Magé resolveu recolher os frascos e outros materiais que continham a vacina para fazer testes e entender se havia algo indevido no imunizante. Também serão analisados os corpos dos cães mortos. Em nota, o órgão também informou que irá verificar se foi dada alguma outra substância no lugar da vacina para os animais que faleceram. 

Nota completa da Prefeitura de Magé sobre o caso:

"Conforme nota anterior, a Prefeitura de Magé recebeu denúncias de possíveis reações de alguns animais à vacina antirrábica aplicada em um único posto da cidade durante a Campanha realizada no último sábado (4/9).

Desde o primeiro momento, a Secretaria Municipal de Saúde está acompanhando de perto os acontecimentos, oferecendo, inclusive, suporte para o socorro dos animais. Até agora, temos registro de 10 mortes de pets.

A Secretaria instaurou um sindicância  para investigar o ocorrido. As seringas e demais insumos e instrumentos que foram usados no processo de vacinação da unidade e que seriam normalmente encaminhados para o descarte foram recolhidos e levados para análise, assim como os corpos dos animais que serão encaminhados para autópsia. 

Em uma análise preliminar, foi constatado que a reação pode ter se dado por falha humana. Segundo depoimentos colhidos, uma troca pode ter ocasionado a aplicação de insulina ao invés do imunizante. De um total de quase 36 mil doses aplicadas no último sábado, em 53 postos de vacinação, apenas uma única unidade registrou as reações. 

Toda a equipe envolvida no processo de vacinação ocorrido na unidade foi afastada por ato da Secretaria de Saúde, nesta segunda feira (6/9), até a conclusão final com a vinda dos laudos. 

Não custa acrescentar, porém, que os funcionários receberam treinamento prévio e ganharam certificado de conclusão desse treinamento, estando capacitados para a atividade. Se forem confirmadas as suspeitas, os agentes que atuaram na unidade serão exonerados e todos os documentos do processo administrativo serão encaminhados às autoridades policiais para a responsabilização penal.

A Prefeitura de Magé reitera que está completamente solidária com a dor dos donos dos animais que sofreram reações e morreram. E se encontra inteiramente à disposição para quaisquer esclarecimentos."

Repercussão no Rio 

No próximo sábado (11), terá início a vacinação antirrábica de animais no Rio. No entanto, parte da vacina do lote levado para Magé também foi encaminhado para o Rio, por isso, e sem saber o que causou a morte dos animais, o vereador Luiz Ramos Filho (PMN), que também atua como presidente da Comissão dos Direitos dos Animais da Câmara do Rio, não sabe se será seguro iniciar a vacinação de animais na capital.

Ele, então, encaminhou um ofício ao secretário municipal de Saúde Daniel Soranz, segundo o G1, para que a vacinação de animais fosse adiada até que os estudos para entender o que ocorreu em Magé sejam finalizados e apresentem resultados. O vereador também deixou claro que, se necessário, irá abrir uma ação na Justiça para impedir que as primeiras da vacina sejam encaminhadas para postos no Rio para serem aplicadas nos animais.

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