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Alimentação do brasileiro se vê ameaçada com alta nos preços dos produtos

Valor atual da cesta básica corresponde à 63% do salário mínimo atual

relogio min de leitura | Escrito por Pedro Di Marco | 02 de setembro de 2021 - 15:29
Preço encontrado em mercado de São Gonçalo na manhã desta quinta-feira (2)
Preço encontrado em mercado de São Gonçalo na manhã desta quinta-feira (2) -

Com a inflação alavancando o preço dos alimentos no mercado interno nos últimos meses, o cardápio do trabalhador se vê cada vez mais limitado, com ingredientes comuns no prato dos gonçalenses se tornando cada vez mais distantes do orçamento do consumidor médio. Assim, as feijoadas e os churrascos de domingo, pequenas alegrias na vida de um trabalhador mal remunerado que cumpre jornadas exaustivas como é o brasileiro, se tornaram uma lembrança saudosa de uma época boa que demora a voltar.

Uma famosa rede de supermercados em São Gonçalo chegou a registrar, nesta quinta-feira (2), os preços de R$34,90 pelo kg do rabo suíno, R$69,90 pelo da costela suína e R$8,99 pelo do feijão. Além disso, o preço de outros insumos básicos também registraram alta no período entre entre abril de 2020 e abril de 2021, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Óleo de cozinha (87%), milho (84%), arroz (59%), açúcar (40%), farinha de trigo (37%), leite (37%) e café (36%) são só alguns dos alimentos desta lista que só faz crescer.

Como nos explica a economista Luciana Tamburini, a alta dos preços é decorrente de um princípio básico da economia chamado Lei de Oferta e Demanda. Segundo esse princípio, quanto maior a quantidade de um produto disponível nos mercados (oferta) mais seu preço diminui, e quanto maior o número de pessoas querendo comprar este produto (demanda), mais seu preço aumenta. Acontece que, com a chegada da pandemia, as pessoas passaram a cozinhar cada vez mais em casa e a demanda por alimentos aumentou. Ao mesmo tempo, o governo brasileiro nada fez para aumentar a oferta destes produtos no mercado e seu preço acabou subindo descontroladamente.

“Isso na verdade não foi estratégia de governo, foi a falta de uma. Não houve restrição para manter os produtos nacionalmente, deixando os empresários livres para decidir e obviamente eles aproveitaram para lucrar. O real desvalorizado é um fomento para exportação. Na pandemia, o Brasil assumiu uma posição de continuar exportando, enquanto outros países seguraram o estoque de suas produções, e com pouca oferta para muita demanda o preço subiu, impactando na inflação.”, sustentou Tamburini.

Além disso, a falta de políticas de valorização do salário mínimo no país, dificultam ainda mais a vida do brasileiro. O salário mínimo necessário para cobrir as despesas básicas de um trabalhador e sua família no Brasil é de R$ 5.351,11, de acordo com dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) para maio deste ano. Entretanto, essa quantia corresponde a quase cinco vezes o valor de R$1.100 do salário mínimo atual.

“Hoje temos uma população extremamente empobrecida que paga muito caro por sua alimentação. São famílias vulneráveis e informais que perderam o emprego e a oportunidade de renda com a pandemia. Em 2020, o auxílio compensava, de certa forma, o desemprego, dando um maior poder aquisitivo para famílias, mas agora o que temos é insuficiente. A única saída é ajustar o salário mínimo para que a população volte a ter poder de compra. Caso contrário, vai ser muito difícil reverter o quadro após a pandemia.”, explicou Tamburini.

Com a cesta básica custando R$696,71, ou 63% de um salário mínimo, e 30% da população brasileira vivendo com uma renda de R$275 mensais, segundo o IBGE, churrascos e feijoadas nem sequer passam pela cabeça do trabalhador brasileiro. Hoje em dia, a preocupação não é com os momentos de lazer, mas com ter ou não o que almoçar.

*Estagiário sob supervisão de Thiago Soares

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