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Estudo mostra que substância de cobra brasileira inibe até 75% da reprodução da Covid

Molécula pode impedir a invasão do vírus no organismo

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 25 de agosto de 2021 - 16:24
Descoberta foi feita por pesquisadores paulistas
Descoberta foi feita por pesquisadores paulistas -

Uma descoberta inédita de cientistas do Instituto de Química da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) de Araraquara revelou que o veneno da cobra brasileira Jararacuçu, comum em estados como Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia, contém uma substância que pode inibir em até 75% a capacidade da Covid-19.

De acordo com os pesquisadores, a alta taxa de capacidade apresentada pela molécula da cobra poderia dar mais tempo para que um organismo infectado com o vírus possa criar anticorpos. Os resultados desse estudo foram recém-publicados na revista científica internacional Molecules. Agora, os cientistas vão avaliar também a eficiência de diferentes dosagens da molécula e se ela pode exercer funções de proteção na célula, o que poderia impedir a invasão do vírus no organismo.

A molécula analisada pelos cientistas é um peptídeo, um pedaço de proteína, com ação antibacteriana e antiviral. Segundo as análises, a enzima que é inibida pelo peptídeo do veneno da cobra está presente em todas as variantes do coronavírus já identificadas e não faz parte da estrutura do vírus. 

Os pesquisadores destacam que apenas a molécula tem ação contra o vírus e o restante do veneno não tem capacidade de impedir a contaminação da doença. Além disso, a picada de uma jararacuçu pode causar hemorragia, inchaço e destruição dos tecidos na área lesionada. Segundo a Fiocruz, a jararacuçu é responsável por 90% dos envenenamentos por cobra no Brasil, sendo a serpente que mais pica seres humanos no país.

O professor do Instituto de Química Eduardo Maffud, um dos responsáveis pelo estudo, explica que o grupo de pesquisa já havia identificado toxinas no veneno da jararacuçu que tinham atividade antibacteriana. “Com o avanço da covid, a gente posicionou vários dos nossos peptídeos para ver se eles apresentavam atividade contra o SARS-CoV-2. Felizmente a gente obteve esse resultado interessante”, disse o pesquisador.

De acordo com Maffud, um possível remédio com o composto descoberto, ao desacelerar a replicação do vírus da covid-19, daria mais tempo para o organismo agir e criar os anticorpos necessários para resistir à doença. “Isso ainda está em andamento, precisaria de estudos adicionais, mas a gente viu que esse peptídeo impede a replicação ou a multiplicação das partículas virais”, acrescenta Maffud.

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