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Hospitais de SG e Itaboraí mantém odontologia intensiva para combater doenças respiratórias

Estudos alertam que a boca é a principal porta de entrada de muitas infecções em pacientes internados em CTI's

relogio min de leitura | Escrito por Redação | 19 de agosto de 2021 - 20:10
Heat, em SG e João Batista Cáffaro, em itaboraí, mantém equipes especializadas
Heat, em SG e João Batista Cáffaro, em itaboraí, mantém equipes especializadas -

Estudos alertam que a boca é a principal porta de entrada de muitas infecções respiratórias em pacientes internados nos Centros de Tratamento Intensivo (CTIs). Para garantir um atendimento ainda mais humanizado e evitar novas complicações, que podem aumentar o tempo de permanência do paciente no leito, os Hospitais Estaduais Alberto Torres (Heat), em São Gonçalo, e João Batista Cáffaro, em Itaboraí, contam com uma equipe de odontologia intensiva. Cirurgiões-dentistas e bucomaxilofacial garantem diariamente a higiene bucal dos pacientes internados nas unidades. 

Somente nos últimos seis meses, ocorreram 14.777 atendimentos em pacientes internados nos CTIs adultos e pediátrico e nas salas vermelha e amarela dos hospitais receberam atendimento desses profissionais. De acordo com o coordenador de odontologia, dr. William Chaia, a higiene bucal previne principalmente pneumonia nosocomial e outras infecções respiratórias. "Nosso trabalho, junto com toda a equipe multiprofissional, é olhar o paciente como um todo e ajudar no controle de infecções ao aplicar um conjunto de práticas para o bem-estar e a qualidade de vida do paciente". 

Todos os dias, os profissionais percorrem os 115 leitos de tratamento intensivo dos Hospitais Alberto Torres e João Batista Cáffaro. Junto a equipe de enfermagem, médicos, assistentes sociais e fisioterapeutas, eles buscam informações de cada paciente antes de iniciar o procedimento. Mas o Serviço de Odontologia e Cirurgia Bucomaxilofacial passou por diversas adequações para manter todos os serviços funcionando durante a pandemia provocada pelo novo coronavírus. 

No ano passado, o Conselho Federal de Odontologia (CFO) e a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) garantiram que a falta de higiene bucal poderia potencializar os efeitos da covid-19 no organismo, uma vez que é grande a replicação do vírus em glândulas salivares, língua e saliva. " O procedimento odontológico vinha sendo realizado nos pacientes intubados quanto naqueles que faziam procedimento de traqueostomia. Nosso objetivo era sempre o de prevenir pneumonias causadas por outros microrganismos e broncoaspiradas. Mas a rotina mudou e tivemos que investir nos pacientes ligados à ventilação mecânica por causa do Covid-19", explicou dr.Chaia.  

Apesar dos desafios e riscos enfrentados durante a pandemia, a rotina de cuidados é diária. Os pacientes que estão em estado grave nos Centros de Tratamento Intensivo passam por higienização bucal frequente. Já os demais pacientes, menos graves, recebem devidamente a assistência em casos emergenciais. Além do tratamento tradicional de limpeza e higienização, com gaze e antisépticos, os profissionais hoje estão utilizando a laserterapia para eliminar infecções mais severas na boca devido ao processo de intubação. 

Pacientes e familiares enaltecem os procedimentos realizados pelos profissionais de odontologia. "Quando somos levados para o CTI imaginamos uma situação ruim, grave, até de morte. Mas somos tão bem acolhidos que esta sensação ruim desaparece logo. Eu não imaginava que o hospital tivesse dentista para cuidar dos pacientes internados no CTI. Fiquei intubado por cinco dias devido a Covid. Depois descobri o trabalho dos dentistas, que ajuda a salvar vidas também. É muito gratificante", garantiu o motorista de aplicativo Marcos Vinícius Melo, de 37 anos.  

Os cirurgiões bucomaxilofaciais também realizam procedimentos de urgência no Centro de Trauma do Heat todas as terças, quintas e sextas-feiras, onde nos últimos seis meses foram realizados mais de cinco mil procedimentos de todas as especialidades.

O Hospital Estadual Alberto Torres é uma unidade de urgência e emergência, especializado no socorro a pacientes com múltiplos traumas. O João Batista Cáffaro, em Itaboraí, no entanto, é uma unidade de retaguarda do Alberto Torres, mas que virou hospital exclusivo para tratamento e internação de pacientes de Covid-19 de dezembro de 2020 a junho deste ano. As unidades são administradas pelo Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde (Ideas) em parceria com a secretaria estadual de Saúde (SES).

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