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Volta do Talibã? Entenda o que está acontecendo no Afeganistão

Funcionários do governo de Joe Biden admitiram que foi um erro de cálculo sobre quanto tempo demoraria para o Talibã tomar a capital

relogio min de leitura | Escrito por *Beatriz Machado | 19 de agosto de 2021 - 13:18
Abdul Ghani Baradar, líder do Talibã cotado para ser presidente do Afeganistão
Abdul Ghani Baradar, líder do Talibã cotado para ser presidente do Afeganistão -

A mídia noticia em massa o que está acontecendo no Afeganistão. Mas uma avalanche de informações em tão pouco tempo faz com que a linha temporal das razões de todo esse conflito se perca e deixe algumas dúvidas.

O SÃO GONÇALO conversou com o professor de história formado pela UFF, Felipe Ribeiro, de 43 anos e com 15 de magistério. Segundo Felipe, é preciso voltar a 1979, ano em que o Afeganistão foi invadido pela URSS, durante a Guerra Fria, quando os Russos tentavam expandir o socialismo. Com isso, a presença soviética provocou uma insatisfação generalizada entre grupos políticos locais afegãos.  

"Os EUA passaram a financiar esses grupos com mísseis, armas e munições, na luta contra a URSS, que no final da década de 1980 não resistiu e acabou deixando o país. Com a saída dos russos, as disputas de poder entre os grupos locais se intensificaram e o Talibã, que na tradução literal significa 'estudante' se destacou assumindo o país em 1996, impondo um governo extremamente radical e violento, com intensa perseguição às mulheres", explicou.

Ele reforça o quanto esse período foi caótico para a população, além da radicalidade em relação as mulheres, o cinema, a rádio, a TV e filmes também foram proibidos no país. Contudo, o Talibã não foi reconhecido pela ONU como governo. 

Além disso, o fato de Osama Bin Laden ter se destacado na luta contra a URSS, quando saiu da Arábia Saudita para o Afeganistão se juntando ao Talibã, alimentou um ódio maior em relação aos russos e aos Estados Unidos. 

"A AlQaeda, grupo terrorista comandado por Bin Laden, conseguiu, então, apoio do talibã e com maior articulação, promoveu vários ataques terroristas, até desencadear no ataque às torres gêmeas no 11 de setembro de 2001. Menos de um mês após esse ataque, as tropas americanas invadiram o Afeganistão para derrubar o Talibã, alegando que o grupo  havia apoiado a AlQaeda nos ataques terroristas. Em duas décadas de invasão, o Afeganistão sofreu vários bombardeios com um saldo de milhares de mortos", relembra o professor.

"Agora, o governo atual dos EUA decidiu retirar as tropas do Afeganistão sem conseguir retirar o Talibã do poder. O grupo então ganhou ainda mais força no país e milhares de cidadãos passaram a buscar exílio em outros países".

Segundo informações divulgadas pela CNN, os funcionários do governo de Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, admitiram erro de cálculo. A rápida queda das forças nacionais e do governo do Afeganistão foi um choque para o presidente e para membros seniores de sua administração, que há uma semana acreditavam que poderia levar meses até que o governo civil em Cabul caísse. 

"O fato é que vimos que aquela força não foi capaz de defender o país", disse o secretário de Estado, Antony Blinken, ao “State of the Union”, da CNN, com Jake Tapper, referindo-se às forças de segurança nacional do Afeganistão. "E isso aconteceu mais rapidamente do que prevíamos."

Felipe Ribeiro finaliza expondo sua opinião de que esse terror não tem uma data próxima para o fim, e alerta ainda, para que não haja má interpretação sobre religião. 

"O islã não prega violência, isso é radicalismo do indivíduo", alerta.

*Sob supervisão de Cyntia Fonseca

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