Cerca de 30% de atendimentos de Centro LGBT são de gonçalenses

O trans Juan Gomes é um dos assistidos do núcleo de Niterói
Foto: Luiz NicolellaPor Elena Wesley
Três em cada 10 atendimentos do Centro de Cidadania LGBT de Niterói são de gonçalenses. Em funcionamento há três anos e meio, o polo no Ingá atende os municípios que compõem o Leste Fluminense com assistência jurídica, psicológica e social. O Centro integra o programa “Rio Sem Homofobia”, vinculado à Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos. O local ficou mais em evidência essa semana, quando OSG contou o caso de Jennifer Silva, impedida de usar o banheiro feminino onde trabalha por ser uma mulher trans.
As portas abertas foram fundamentais também para o trans Juan de Barcelos Gomes, de 45 anos, encontrar amparo e conhecer seus direitos.
“O Centro me encorajou em um momento em que eu não tinha com quem desabafar”, lembra Juan, em referência aos ataques de homofobia e intolerância religiosa de vizinhos. Juan mora no Camarão, com a esposa, com quem se relaciona há 10 anos.
“Achei que ficar quieto seria o suficiente para diminuir os ataques, mas não adiantou. Já mataram quatro animais de estimação e destruíram as plantas que pusemos no corredor porque uma delas era uma espada de São Jorge. Até a Polícia já foi acionada sem motivo”, destaca Juan, que, com base na orientação dos profissionais do Centro reúne os documentos necessários para entrar como uma representação na Justiça.
Procura é crescente
Segundo o coordenador do Centro de Cidadania, Olavo de Martino, tem aumentado a procura por informações sobre leis e direitos a população LGBT. Somente nos últimos seis meses, a regional do Centro em Niterói já registrou 660 atendimentos.
Em relação ao público trans, o coordenador comemora o uso do nome social.
“Apesar das dificuldades, o nome social entrou em discussão. Há dois anos, quando eu entrei aqui no Centro, isso ainda era uma utopia. Foi uma conquista bem significativa”, ressalta.
O Centro encaminha os interessados ao Núcleo de Defesa da Diversidade Sexual e Direitos Homoafetivos (Nudiversis) e ao Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE) para solicitar a mudança de registro e a terapia hormonal, respectivamente.
Juan foi um deles e ainda aguarda um laudo médico para alterar a identificação de forma oficial.