Flordelis tem mandato de deputada federal cassado em Brasília

A votação ocorreu nesta terça-feira e teve 437 votos favoráveis, 7 contrários e 12 abstenções

Escrito por Redação 11/08/2021 19:51, atualizado em 11/08/2021 20:34
Flordelis nega participação no crime e se considera vítima de injustiça
Flordelis nega participação no crime e se considera vítima de injustiça . Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A deputada federal Flordelis, acusada de ser a mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, teve a cassação do seu mandato aprovada por 437 votos a 7. A decisão aconteceu na tarde dessa quarta-feira(11) no plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília. 

Apesar da deputada negar participação no crime e dizer que é vítima de uma injustiça, o relator do processo considerou que as provas já obtidas pela polícia, ratificadas pela justiça do Estado do Rio de Janeiro, mostram que a deputada teve participação ativa no planejamento da morte de Anderson, que aconteceu em junho de 2019 em Niterói.

“As provas coletadas tanto pelo colegiado, quanto no curso do processo criminal, são aptas a demonstrar que a representada tem um modo de vida inclinado para a prática de condutas não condizentes com aquilo que se espera de um representante do povo”, afirmou Alexandre Leite.

O deputado afirmou ainda que mesmo que Flordelis seja inocentada pelo Tribunal do Júri do Rio de Janeiro pelo assassinato de Anderson do Carmo, a Câmara deveria manter a punição em âmbito administrativo. Segundo o relator, a Casa não faz julgamento criminal. 

“A independência das instâncias permite essa diferenciação e dupla e eventual punição, porém no Conselho de Ética tive o cuidado de não entrar na seara criminal do homicídio. Quem vai decidir quem matou o pastor Anderson do Carmo não é a Câmara dos Deputados; é o Tribunal do Júri. Aqui, nós nos ativemos às questões meramente ético-disciplinares que regem o mandato parlamentar”, explicou.

Defesa

A deputada Flordelis voltou a negar que tenha sido a mandante do assassinato de Anderson do Carmo e apelou mais uma vez para que os parlamentares aguardassem seu julgamento pela Justiça, antes de tomar uma decisão. Ela alegou também que, por causa da pandemia de covid-19, não teve a oportunidade de contactar diretamente os colegas parlamentares para explicar sua situação.

“Caso eu saia daqui hoje, saio de cabeça erguida porque sei que sou inocente, todos saberão que sou inocente, a minha inocência será provada e vou continuar lutando para garantir a minha liberdade, a liberdade dos meus filhos e da minha família, que está sendo injustiçada”, disse. “Quando o Tribunal do Júri me absolver, vocês vão se arrepender de ter cassado uma pessoa que não foi julgada”, acrescentou.

Para o advogado de Flordelis, Rodrigo Faucz, a deputada não teve oportunidade de se defender adequadamente da acusação. "A Flordelis foi acusada, julgada e agora está sendo executada sumariamente", disse. "A partir do momento em que o relator do Conselho de Ética diz que os elementos demonstram que a deputada tem 'um modo de vida inclinado para a prática de condutas não condizentes com aquilo que se espera de um representante do povo', isso corrobora com tudo o que eu falei. É uma covardia, porque ela sequer teve o contraditório", acrescentou.

Acusação

A deputada federal Flordelis dos Santos Souza e mais nove acusados da participação na morte do pastor Anderson do Carmo, enfrentarão o júri popular, após decisão da juíza do 3º Tribunal do Júri de Niterói Nearis dos Santos Carvalho Arce. 

Denunciada como mandante do crime, Flordelis responde por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio cruel e de recurso que impossibilitou a defesa da vítima), tentativa de homicídio, uso de documento falso e associação criminosa armada. Em razão da imunidade parlamentar, a deputada não pode ser presa em flagrante por crime inafiançável e, dessa forma, cumpre medidas cautelares, monitorada por tornozeleira eletrônica.

Também serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri Marzy Teixeira da Silva, Simone dos Santos Rodrigues, André Luiz de Oliveira e Carlos Ubiraci Francisco da Silva, por homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio e associação criminosa armada.

Rayane dos Santos Oliveira será julgada por homicídio triplamente qualificado e associação criminosa armada e Flávio dos Santos Rodrigues, Adriano dos Santos Rodrigues, Andrea Santos Maia e Marcos Siqueira Costa, por uso de documento falso e associação criminosa armada.

(Agência Brasil) 

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