Facebook diz que operação russa de fake news sobre vacinas teve Brasil como alvo

Países como Índia e Estados Unidos também foram alvos

Escrito por Redação 10/08/2021 17:39, atualizado em 10/08/2021 18:25
A rede social derrubou a rede de informação falsa sobre vacinas
A rede social derrubou a rede de informação falsa sobre vacinas . Foto: Reprodução

O Facebook anunciou que derrubou, nesta terça-feira (10), uma rede coordenada de material antivacina que operava na Rússia e disseminava informações falsas em países da América Latina, incluindo o Brasil, além de outros países como Estados Unidos e Índia. Por meio de influenciadores, o grupo disseminava petições, memes e supostos relatórios científicos em várias redes sociais ao mesmo tempo. 

O Facebook elimina as chamadas "redes de comportamento inautêntico coordenado" não necessariamente pelo conteúdo, mas pela forma em que se articulam. A rede social define como "campanhas domésticas não governamentais que incluem grupos de contas e páginas que procuram enganar as pessoas" atuando por meio de contas falsas e autênticas. Nesse caso em específico, a rede eliminada tinha interferência estrangeira.  

O grupo propagava conteúdo falso relativo às vacinas AstraZeneca e Pfizer por uma rede com 65 contas do Facebook e 243 contas do Instagram, que também atuou em várias plataformas e fóruns na internet. Segundo o Facebook, os principais alvos eram a Índia, a América Latina e, em proporção menor, os Estados Unidos. 

Ainda segundo a rede social, foi realizava uma investigação interna que encontrou uma relação entre a campanha russa e uma empresa de marketing chamada Fazze, registrada no Reino Unido, cujas contas foram banidas da plataforma.

Um dos memes que circulava entre novembro e dezembro do último ano dizia que quem fosse vacinado com a AstraZeneca seria transformado em um chipanzé. No mesmo período do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro disse que não tinha fechado acordo com a fabricante Pfizer porque não era sua responsabilidade se as pessoas se transformassem em jacarés. 

"Em novembro e dezembro de 2020, a rede postou memes e comentários afirmando que a vacina AstraZeneca contra a Covid-19 transformaria as pessoas em chimpanzés. Cinco meses depois, em maio de 2021, ela questionou a segurança da vacina da Pfizer ao postar um suposto documento da AstraZeneca que teria sido hackeado e vazado", disse o Facebook em encontro com jornalistas.

"Ambas as fases coincidiram com períodos em que vários governos, incluindo da América Latina, Índia e Estados Unidos, estavam discutindo as autorizações de emergência para essas respectivas vacinas", ressaltou o Facebook.

Além de espalhar memes, a rede russa teria criado artigos e petições enganosas em vários fóruns, como Reddit, Medium e Change Org. Depois, usava contas falsas nas redes sociais para plantar e amplificar o conteúdo.

Segundo a empresa, o ponto mais importante da campanha era engajar influenciadores com públicos já consolidados nessas redes, no TikTok e no YouTube. Em seus serviços, a empresa de marketing anunciava que tinha acesso a uma grande lista de blogueiros.

O Facebook afirmou que parte da campanha falhou sem atingir o público-alvo, com quase  todas as postagens no Instagram recebendo zero curtidas. A petição em inglês no Change.Org conseguiu cerca de 550 assinaturas. Com anúncios no Instagram e Facebook, a empresa de marketing investiu apenas US$ 200 (R$ 1044).

A mesma rede de operação foi retomada em maio deste ano para disseminar conteúdos falsos sobre a vacina da Pfizer, como a que o imunizante teria causado "taxa de mortalidade" muito maior que a de outras vacinas. A fase foi iniciada na mesma época em que o Brasil e a Agência Europeia de Medicamentos discutiam se aprovariam a aplicação da vacina da Pfizer em adolescentes. 

Segundo o Facebook, a operação foi desfeita por conta da tentativa de alcançar influenciadores. Dois deles, um alemão e um francês, teriam exposto a campanha e recusado o pagamento da Fazze, que os pagaria 2.000 euros (R$ 12 mil).

A empresa de marketing deletou a maior parte de seus artigos falsos e os funcionários apagaram as referências à Fazze em seus perfis em redes sociais.

Desde o início da pandemia, governos e legisladores têm usado as redes sociais para disseminar conteúdos falsos em suas plataformas. Algumas redes sociais, como Facebook e Twitter, passaram a ter menos tolerância com esse tipo de conteúdo, marcando ou eliminando-o. Em julho, o Youtube deletou 14 lives de Bolsonaro por confrontarem sua política de informações médicas corretas sobre a doença. Em contraste, as redes passaram a dar mais destaque a postagens que dão mais visibilidade a conteúdos da OMS (Organização Mundial de Saúde), de órgãos oficiais e de veículos jornalísticos. 

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