Bolsonaro recebe desfile militar na esplanada do Planalto no dia da votação da PEC do Voto Impresso

Partidos de Oposição veem o ato como uma tentativa de intimidação

Escrito por Redação 10/08/2021 12:52, atualizado em 10/08/2021 13:39
Bolsonaro e cúpula do governo em desfile militar na esplanada do Planalto
Bolsonaro e cúpula do governo em desfile militar na esplanada do Planalto . Foto: Divulgação/ Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro recebeu um desfile com cerca de 40 blindados, caminhões, tanques e outros veículos militares da Força de Fuzileiros da Esquadra da Marinha na Esplanada do Planalto, na manhã desta terça-feira (10). A demonstração de poderio militar combinada entre os comandantes das Forças Armadas e o mandatário acontece após uma série de ameaças dirigidas por Bolsonaro à democracia no Brasil e bem no dia em que será votada a PEC do Voto Impresso, defendida ferrenhamente por este.

O chefe do executivo assistiu ao desfile em companhia dos ministros Braga Netto (Defesa), Milton Ribeiro (Educação), Ciro Nogueira (Casa Civil), Onyx Lorenzoni (Trabalho), Anderson Torres (Justiça) e Gilson Machado (Turismo). Além destes, estavam presentes ainda o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Filho, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jorge Oliveira, o líder e o vice-líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR) e Evair de Melo (PP-ES) e o filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ).

O ato foi interpretado por membros da oposição como uma tentativa de intimidação do Congresso frente a votação da proposta de emenda constitucional (PEC) do voto impresso pelo Plenário da Câmara nesta terça-feira (10). Contudo, de acordo com a Marinha, o comboio que partiu do Rio de Janeiro, desfilou pela capital a caminho do Campo de Instrução de Formosa (CIF) onde participará da Operação Formosa, um programa de treinamento militar que acontece anualmente em Goiás. Este ano, a Operação contará com mais de 2,5 mil militares e a participação de membros da Marinha, Força Aérea e Exército.

Durante o desfile, um militar desceu de um jipe e subiu a rampa do Planalto para entregar ao chefe do executivo e ao ministro da defesa, Walter Souza Braga Netto, convites para participar da operação marcada para a próxima segunda-feira (16).

Após a repercussão negativa do evento, o Palácio do Planalto convidou os chefes dos outros poderes a participarem do ato, mas estes recusaram. Partidos de oposição tentaram articular a proibição do desfile frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas o pedido foi negado pelo ministro Dias Toffoli.

Um pequeno grupo de apoiadores do governo se reuniram na Praça dos Três Poderes, em Brasília, para bradar palavras de incentivo a Bolsonaro e às Forças Armadas durante o desfile. Além disso, dois manifestantes em vestes vermelhas também foram ao local expressar seu descontentamento com o ato e atiraram bombas de fumaça vermelha contra militares que integravam a comitiva.

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