Após viralizar com discurso preconceituoso, pregadora pede desculpas

Kakau é alvo investigação na polícia civil e será denunciada no Ministério Público

Escrito por Redação 03/08/2021 18:31, atualizado em 03/08/2021 17:15
Vídeo com declarações da pregadora viralizou na internet
Vídeo com declarações da pregadora viralizou na internet . Foto: Divulgação

A pregadora Kakau Cordeiro, da Igreja Sara Nossa Terra, em Nova Friburgo, Região Serrana do Rio, fez um pedido de desculpas público após um vídeo com discurso racista e homofóbico feito por ela viralizar nas redes sociais. Kakau também virou alvo de um inquérito policial por intolerância racial e homofobia. 

Durante uma pregação, Kakau Cordeiro criticou os fieis que apoiam causas do movimento negro ou LGBTQIA+.

"É um absurdo pessoas cristãs levantando bandeiras políticas, bandeiras de pessoas pretas, bandeiras de LGBTQIA+, sei lá quantos símbolos tem isso aí. É uma vergonha, desculpa falar, mas chega de mentiras, eu não vou viver mais de mentiras. É uma vergonha. A nossa bandeira é Jeová em si. É Jesus Cristo. Ele é a nossa bandeira. Vira crente, se transforma, se converta!", disse.

Após o vídeo viralizar, a pregadora voltou às redes sociais para pedir desculpas através de uma nota. Ela disse que foi infeliz em suas palavras e que não tem nenhum tipo de preconceito.

"Quero afirmar que não possuo nenhum tipo de preconceito com pessoas de outras raças, inclusive meu próprio pastor é negro, e nem contra pessoas com orientações sexuais diferentes da minha, pois sou próxima de várias pessoas que fazem parte do movimento LGBTQIA+", diz a nota.

Ela também destacou que as palavras que usou não expressam a opinião da igreja ou do pastor. "A minha intenção era de afirmar a necessidade de focarmos em Jesus Cristo e reproduzirmos seus ensinamentos, amando os necessitados e os carentes, principalmente, as pessoas que estão sofrendo tanto na pandemia", escreveu.

Com a repercussão do caso, a 151ª DP (Nova Friburgo) instaurou um inquérito para apurar os crimes de intolerância racial e homofobia que possivelmente foram praticados pela pregadora. A autora será intimada a prestar depoimento na unidade policial e testemunhas também serão ouvidas pelos agentes. A investigação está em andamento.

Além do inquérito na Polícia Civil, Kakau Cordeiro ainda pode enfrentar uma denúncia no Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ). O relator da CPI da Intolerância no Rio, deputado Átila Nunes (MDB), informou que vai denunciar a pregadora. "Um absurdo! É inadmissível uma fala dessas de uma pregadora que se diz cristã. Toda ação desse tipo vai merecer minha atenção especial: não vamos deixar passar episódios de preconceito explícito," afirmou.

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