Trabalhadores morrem após desabamento de dique em estaleiro; família acusa empresa

Funcionários estavam participando da construção da estrutura

Escrito por Daniel Magalhães 26/07/2021 16:58, atualizado em 26/07/2021 15:37
Caso aconteceu na manhã desta segunda-feira, em Niterói
Caso aconteceu na manhã desta segunda-feira, em Niterói . Foto: Filipe Aguiar/O São Gonçalo

Dois metalúrgicos, identificados como Niro de Paula, de 68 anos, e José Henrique da Silva, de 45, morreram após um acidente com um dique flutuante das empresas Renavi e Enavi no fim da manhã desta segunda-feira (26), no Barreto, em Niterói.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, equipes foram acionadas para o local às 11h38 para fazer o socorro de uma embarcação que afundou perto de uma ilha próxima de onde o dique estava sendo construído. Homens do grupamento marítimo de Botafogo e mergulhadores do quartel da Barra da Tijuca também foram chamados para ajudar nas buscas.

Os corpos de José e Niro já foram encontrados no início da tarde.

A empresa ainda não se manifestou sobre o assunto.

Família de uma das vítimas acusa empresa

Abalada e ainda sem entender direito o que aconteceu, a família de José Henrique, um dos falecidos, chegou ao local em busca de explicações e acusa a empresa de negligência.

"A maioria das informações que conseguimos são informações iniciais que conseguimos com conhecidos e a própria mídia. A gente só sabe de alguma coisa porque o filho ligou pra empresa. Nem foi a empresa que ligou. Não foi nem um assistente social falar com a família. A gente soube por informações dos amigos dele, até outros estaleiros estão sabendo, e pela televisão", reclamou Fernando Azevedo, tio da esposa da vítima.

De acordo com eles, as informações preliminares são que José Henrique morreu tentando salvar um colega de trabalho que estava se afogando e acabou ficando preso em cabos.

Ainda segundo ele, a esposa de José Henrique contou que ele não queria trabalhar hoje porque não estava se sentindo bem e já estava irritado com a falta de segurança no local em que trabalha há mais de 26 anos.

"Ele disse que estava com um pressentimento e que sempre tem um problema de segurança no trabalho.", completou. "Aliás, esse é o terceiro acidente de trabalho que ele sofre. Um dos outros acidentes foi grave e ele quase ficou sem andar, inclusive. A empresa tem muito o que explicar", afirmou.

Marinha instaura inquérito para apurar acidente

A Marinha do Brasil, por meio da Capitania dos Portos do Rio de Janeiro (CPRJ), informou que enviou uma equipe de Busca e Salvamento (SAR) para prestar apoio às buscas na localidade assim que foi informado sobre o caso. O grupo atuou em coordenação com o Corpo de Bombeiros, que realizou o resgate dos corpos de duas vítimas.

Em nota, a Marinha informou que a "Autoridade Marítima possui competência limitada à esfera administrativa, mediante a instauração de procedimento denominado Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação (IAFN). Nesse caso será instaurado um IAFN para apuração dos fatos. Após concluído e cumpridas as formalidades legais, o IAFN é encaminhado ao Tribunal Marítimo (TM) para devida distribuição e autuação, dando vista à Procuradoria Especial da Marinha para que adote as medidas previstas no Art. 42 da Lei no 2.180/54, que dispõe sobre o Tribunal Marítimo. Caso seja requisitado, o inquérito administrativo poderá ser disponibilizado à Autoridade Policial", afirma.

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