Polícia do Haiti prende suposto mandante do assassinato de Jovenel Moise
O presidente do país foi morto a tiros em sua casa, no último dia 7

Foi preso na noite deste domingo (11), um dos supostos mandantes do assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moise, ocorrido no último dia 7. Em esclarecimento, o diretor da Polícia Nacional do Haiti, Léon Charles, sugeriu que Christian Emmanuel Sanon, um médico haitiano de 63 anos que morava na Flórida, teria ambições de se tornar presidente do país caribenho.
Sanon é o terceiro preso na operação vinculado aos Estados Unidos. Além destes três, as autoridades acreditam ainda que haja um total de 26 colombianos vinculados ao caso, a maioria dos quais ex-militares. Destes, 18 foram presos e outros três mortos durante confrontos com a polícia na semana passada.
Em declaração dada na noite deste domingo (11), Charles afirmou que a polícia também investiga dois outros supostos autores intelectuais do crime, ligados a Sanon. O diretor disse acreditar que este último teve um papel central na morte de Moise, assassinado a tiros dentro de sua residência oficial. Como prova, Charles afirmou que Sanon foi o primeiro a ser contatado pelos colombianos detidos pela polícia.
De acordo com o policial, o médico haitiano teria contratado uma empresa de segurança privada para recrutar pessoas dispostas a realizar o ato. Sanon desembarcou no país em junho acompanhado de mercenários colombianos, supostamente contratados para fazer sua segurança.
Além disso, segundo relatos de testemunhas e imagens dos arredores do local onde ocorreu o homicídio, os assassinos teriam entrado na residência de Moise afirmando serem funcionários da Agência Antidrogas americana, DEA. Coincidentemente, em operação realizada na residência de Sanon foi encontrado um boné do DEA, além de uma caixa de cartuchos, 6 coldres para pistolas e cerca de 20 caixas de munições. A agência alegou não ter nenhum envolvimento no caso.
Neste domingo, autoridades americanas informaram que enviarão agentes do FBI e do Departamento de Segurança Nacional para auxiliar nas investigações. Washington teria recusado ainda neste sábado, o pedido do governo interino haitiano de que tropas americanas fossem enviadas ao Haiti para ajudar a restaurar a ordem no país, que enfrenta uma grave crise socioeconômica e política.
Segundo Charles, o próximo passo da investigação é descobrir os responsáveis por financiar a operação. A versão da polícia para o crime é contestada por políticos da oposição e parentes dos colombianos detidos, que afirmam que eles teriam ido ao país para trabalhar como seguranças.