Enfermeira diagnosticada com Síndrome de Crohn tem benefício negado pelo INSS e é obrigada a voltar ao trabalho
Ela possui a doença autoimune e ainda necessita de cuidados médicos

A enfermeira Aline da Silveira Fernandes de Câmara, 41, moradora de Nova Cidade, em São Gonçalo, foi diagnosticada em 2019 com Síndrome de Crohn, uma doença autoimune, e depois disso sua vida virou um pesadelo. Ela precisou passar por um procedimento cirúrgico, retirar parte do intestino e mesmo assim, teve o benefício negado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em diversas oportunidades.
“Fui diagnosticada em 2019 com Síndrome de Crohn, já tardiamente, precisei retirar uma parte do intestino. Inicialmente não haveria necessidade de bolsa de colostomia, mas houve uma complicação e fui reoperada, sendo ostomizada. Ainda estou em tratamento e a doença ainda está bem agressiva, só há possibilidade de reconstrução do trânsito intestinal, que é a remoção da bolsa de colostomia, após passar esse processo inflamatório causado pela doença”, contou Aline, que ainda relatou, que por estar hospitalizada, pediu ajuda de sua mãe para a perícia no INSS, mas sem sucesso.
“No primeiro momento marquei, ainda hospitalizada, a perícia e minha mãe foi até o INSS. Fiquei de fevereiro até junho de 2020 sem benefício, só constava em análise, tive dois indeferimentos, até que consegui no mês de junho até o mesmo mês deste ano (2021).”
Apesar do primeiro êxito, a enfermeira revela que logo depois teve mais um impasse com o INSS, sobre o pagamento retroativo dos meses aos quais não teve acesso.
“Em outubro de 2020, quando reabriram as agências, foi agendado presencialmente. Fizeram o retroativo, mas tive outra surpresa. Meu salário foi reduzido pela metade, disseram que foi por conta da reforma previdenciária. Contatei uma advogada, que fez os cálculos, e havia um residual pra receber, que também foi indeferido”, contou.
A batalha de Aline não parou por aí. Em junho de 2021, no fim do prazo do benefício, a enfermeira pediu a prorrogação no INSS, pois ainda precisa de cuidados médicos e novamente foi indeferido, obrigando-a a voltar ao trabalho.
“Dia 25 de junho fiz a perícia de prorrogação e pra minha surpresa foi negado, mesmo levando todos os exames. Com isso, fiz o exame de retorno solicitado pela empresa e fui incapacitada a voltar. Não tenho como voltar a trabalhar, pois minha profissão além de insalubre tem risco químico e biológico”, reforçou a enfermeira.
Aline conta que já fez contato com um advogado para tomar as medidas cabíveis na Justiça. Ela busca a permanência do benefício e o pagamento do que não recebeu, pois, segundo ela, há um saldo de quase R$ 1 mil a ser repassado.
Ainda de acordo com a enfermeira, ela terá que passar por outros procedimentos cirúrgicos para resolver o problema. No momento, Aline faz uso de medicamentos e busca resolver a inflamação do intestino, pois sem isso não há como realizar uma nova cirurgia.
Procurado pela reportagem, o INSS informou que "o auxílio-doença da Sra. Aline da Silveira Fernandes do Câmara foi cessado em 25/06/2021 pela perícia médica. A avaliação médica é feita exclusivamente por um perito médico federal, que encontra-se sob responsabilidade da Subsecretaria de Perícia Médica Federal, no Ministério da Economia." O Instituto esclareceu ainda que, "caso não concorde com a decisão da perícia, a segurada possui um prazo de 30 dias para dar entrada em um pedido de recurso a partir da ciência da decisão. O requerimento deve ser feito através dos nossos canais remotos, Meu INSS ou Central 135, disponível de segunda-feira a sábado, das 7h às 22h."
*Sob supervisão de Cyntia Fonseca