Brasil teve 80 pessoas trans assassinadas na primeira metade de 2021
Dados são de levantamento realizado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra)

Segundo levantamento realizado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), o Brasil teve 80 pessoas trans assassinadas no primeiro trimestre de 2021. As informações são do jornal ‘O Globo’.
A mais jovem das vítimas registradas desde que a Antra começou a realizar o levantamento em 2018, Keron Ravach, tinha apenas 13 anos de idade quando foi morta a pauladas por um jovem de 17 anos no Ceará, em janeiro. Mais um caso recente de violência contra mulheres trans foi registrado no último dia 24, quando outro menor de idade foi responsável por atear fogo em Roberta da Silva, de 33 anos, no Recife. A mulher está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde então e perdeu um de seus braços e parte do outro durante o ataque.
A Antra denuncia que não existem dados oficiais sobre a violência contra a população trans no Brasil e afirma que o número de assassinatos entre janeiro e junho deste pode ter sido ainda maior, visto que seu relatório é feito a partir de reportagens e relatos de organizações LGBTQIAP+.
O número de homicídios registrados para este ano é inferior aos 100 assassinatos apontados no levantamento para o primeiro semestre do ano passado. Contudo, responsáveis pelo relatório afirmam que a comparação é ilógica, visto que no começo de 2020 ainda não havia pandemia no Brasil e os desdobramentos da crise causada pela chegada do vírus ao país pioraram muito as condições de vida da população trans.
O perfil das vítimas é uma constante nos relatórios da Antra que apontam que a maior parte dos homicídios são cometidos contra mulheres trans/travestis negras de até 35 anos, que vivem da prostituição. Outro fator que se repete no levantamento deste ano são os locais em que ocorreram os crimes. Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo seguem sendo os estados que mais matam pessoas trans.
A violência contra a população trans é tamanha que sequer políticos eleitos democraticamente escapam a ela. Em maio deste ano, a vereadora Benny Briolly, mulher, negra e primeira parlamentar trans eleita em Niterói, se viu obrigada a deixar o país após sofrer diversos ataques e ameaças à sua integridade física nas ruas e redes sociais.
A Antra também se mostrou preocupada com as novas formas de organização que os mecanismos de opressão têm tomado. Entre essas podemos citar o surgimento de projetos de lei que em suposta defesa da criança e do adolescente, pretendem privar a população LGBTQIAP+ de seu direito à representatividade. É o caso do PL 504 de 2020, proposto na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) pela deputada Marta Costa (PSD). Este prevê a proibição da veiculação de peças de publicidade e propaganda com a presença de LGTB’s em todo o estado. Recentemente uma lei similar foi aprovada pelo parlamento da Hungria, do primeiro-ministro Viktor Orbán, e fortemente rechaçada por líderes do mundo todo.