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Casal formado por argentina e brasileiro gremista celebra o amor LGBTQIA+ no Rio

Junho é comemorado o mês do orgulho da comunidade

relogio min de leitura | Ana Carolina Moraes 28 de junho de 2021 - 20:41
Imagem ilustrativa da imagem Casal formado por argentina e brasileiro gremista celebra o amor LGBTQIA+ no Rio

No Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA + (Gays, Lésbicas, Bissexuais, Transexuais e Pessoas Intersexo), comemorado hoje, 28 de junho, muitos clubes de futebol, como Fluminense e Vasco, postaram mensagens de apoio à causa, assim como marcas de roupas, resolveram criar estampas baseadas nas cores da bandeira LGBTQIA+, num passo importante para dar visibilidade à luta contra homofobia.

O SÃO GONÇALO elegeu a história do casal formado pela argentina Maria Florência Arce, de 26 anos, e pelo gaúcho de Uruguaiana, Tasso Canaparro, de 30, para simbolizar essa luta. Maria é chefe de cozinha e Tasso, músico. Os dois se conheceram há 14 anos. "Eu sou da Província de Corrientes, na Argentina, e ele é de Uruguaiana. Nossas cidades fazem fronteiras uma com a outra. Nos conhecemos através de um amigo em comum que levou o Tarso no meu aniversário de 14 anos", contou Maria Florência. O casal está junto desde então, e comemoraram a data no bar Pato Louco, em Copacabana, Zona Sul do Rio.

Os dois são assumidamente bissexuais e possuem um relacionamento aberto. Mas, no Rio de Grande do Sul, estado conhecido por suas tradições conservadoras, a união do casal é uma afronta.

"Estamos viajando pelo Brasil, já fomos para a Bahia e agora estamos no Rio, em Copacabana, onde mora a mãe do Tarso. É muito diferente! Aqui no Rio, eu tava até comentando com o Tasso, que vimos casais gays de mãos dadas e dando passeios na rua tranquilamente, mas lá em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, onde moramos, é difícil de isso acontecer", contou Maria.

O casal mora em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, onde Tasso é torcedor ferrenho do Grêmio. Os dois moram em uma região do país em que ocorrem muitos casos de homofobia. Lá, entre entre os anos de 2014 e 2017, foram registrados cerca de 983 casos de violência contra bissexuais e homossexuais, segundo dados do governo do estado. 

No entanto, se engana quem acha que isso intimida o casal. "Não nos importamos com o que outras pessoas pensam. Nós e nossas famílias estamos bem com isso. Eu nunca ouvi comentários negativos, mas o Tarso, como músico, já sofreu agressões homofóbicas de eleitores do Bolsonaro no Facebook. Mas, mesmo assim, ele não liga muito. Na verdade, nem lembramos o que falaram dele, não nos impactou", contou Maria.

"O que falam ou inventam de mim não me afeta. É algo bem resolvido. Quem tem necessidade de ficar demonstrando que é homofóbico, na minha opinião, são pessoas que têm algo pendente com elas mesmo. Acho que a insegurança é tanta que ao invés de tentarem se encontrar, elas ficam procurando na outras pessoa formas de preconceito pra ser sentirem bem", opinou ele.

Tasso é amante do futebol e super fã do Grêmio, por isso, para ele, é importante que os clubes de futebol celebrem o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA +. "Pra mim é bárbaro. Eu acho que é um meio que tem muito preconceito, muita homofobia. Se os times de futebol estão apoiando essa causa é bárbaro, porque assim até um torcedor homofóbico, eu acho, se sentiria mal vendo que o próprio time dele tá apoiando essa causa. É o homofóbico se dando conta que esse não é o melhor caminho!", afirma Tasso.

Sobre o tema, a companheira Maria também ressalta que o movimento dos times de futebol é importante. "Para mim parece algo importante, porque, por exemplo, o futebol influencia muita gente por aí e têm algumas pessoas que não sabem nada da causa LGBTQIA+, seja por ignorância ou qualquer coisa. Então, acho que fica mais fácil de se interessar e se informar ao ver o time usando as cores da nossa bandeira", explica ela.

O casal agora pretende seguir a viagem para Ubatuba, em São Paulo, na próxima semana.

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