Calçadas são 'vendidas' e somem de rua em Niterói
Para se caminhar pela Rua Monsenhor Raeder é preciso usar o asfalto destinado aos carros. Tráfico 'vendeu' áreas públicas por valores entre R$ 2 mil e R$ 5 mil

No nosso vocabulário, calçada é um pavimento para a circulação de pedestres. Na prática, a palavra praticamente já foi suprimida para quem mora ou trabalha na Rua Monsenhor Raeder, uma das mais tradicionais do Barreto. Desde o ano passado, ocupações irregulares cada vez mais frequentes vêm fazendo a população usar o asfalto destinado à passagem de veículos para caminhar. Fiscais da Prefeitura de Niterói já iniciaram um levantamento e planejam, sob sigilo, uma espécie de 'choque de ordem' para restabelecer o direito de ir e vir das pessoas.
A Rua Monsenhor Raeder, apesar de ser um corredor viário de pequena extensão, tem grande movimentação por ligar dois pontos por onde circulam milhares de veículos todos os dias - a Avenida do Contorno e a Rua General Castriotto. Segundo levantamentos das autoridades, as calçadas começaram a ser vendidas, em uma ação audaciosa por pessoas ligadas aos traficantes de drogas da comunidade Buraco do Boi, situada próxima ao local onde as calçadas são ocupadas.
As ocupações são desde treilers e biroscas, para fins comerciais. Nos últimos dias, até um ferro-velho surgiu no local, com pedaços de automóveis sendo colocado em uma das calçadas. A autorização para as ocupações tem motivações financeiras. Para terem maior faturamento sobre seus 'negócios ilícitos' os traficantes de drogas daquela comunidade teriam, a partir do ano retrasado, iniciado a prática de 'venda' de 'pedaços' dos corredores viários, por preços que variam entre R$ 2 mil e R$ 10 mil.
As construções irregulares não existem apenas na Monsenhor Raeder, mas também na Alameda Carlos Gomes, no mesmo bairro, em trecho próximo à estação ferroviária do Barreto, que está à desativada por causa da paralisação dos trens. Há anos, os veículos deixaram de circular no trecho entre Niterói e São Gonçalo, por causa da suspensão das atividades por parte do poder público, sob alegação do baixo número de passageiros e da falta de recursos para manter as operações. Um repórter de OSG entrou em contato com a Prefeitura de Niterói, que não se pronunciou ou deu detalhes sobre as ações que estão em andamento no Barreto.