Ex-secretário de saúde investigado por desvios na saúde é cedido pela UERJ para trabalhar como médico da PM

Salário de Edmar Santos chega a R$27 mil

Escrito por Redação 23/06/2021 16:27, atualizado em 23/06/2021 17:15
Edmar Santos foi secretário de saúde do governo Wilson Witzel
Edmar Santos foi secretário de saúde do governo Wilson Witzel . Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O ex-secretário de saúde do Rio, Edmar Santos, que atuava como professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), foi cedido para trabalhar como médico anestesiologista da Polícia Militar. O despacho, publicado no Diário Oficial desta quarta-feira (23), alega que PM estava com necessidade de mais médicos da especialidade de Edmar.

Réu por improbidade administrativa, Edmar Santos é investigado no processo que apura possíveis fraudes na compra de mil respiradores para o tratamento de pacientes com covid-19 no período em que ele foi secretário estadual de saúde. Depois de aceitar um acordo de delação premiada, ele ganhou o direito de responder a investigação em liberdade. 

Ao todo, o salário mensal de Edmar Santos chega na casa dos R$ 27 mil, já que ele tem duas matrículas como servidor do estado, uma delas como professor da Uerj, onde foi diretor do Hospital Universitário Pedro Ernesto, e outra como tenente coronel da Polícia Militar.

A Polícia Militar informou, através de nota, que "apesar da publicação em Diário Oficial, o comando da corporação aguarda a apresentação de Edmar Santos por ofício. Após essa definição, o militar será direcionado para atuação dentro das necessidades dos quadros de Saúde da instituição".

Já a Uerj, também em nota, informou que Edmar foi cedido por tempo indeterminado para exercer as funções em tempo integral na Polícia Militar, sem prejuízo do processo administrativo disciplinar a que ele responde na instituição.

Réu confesso

Edmar Santos foi preso em julho de 2020 acusado de fazer parte de uma organização criminosa que teria fraudado contratos de compra de respiradores pulmonares para pacientes com covid-19. Após fechar um acordo de delação com o Ministério Público Federal (MPF), foi solto em agosto do mesmo ano, depois de uma decisão pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A ação que levou Edmar à prisão foi um desdobramento da Operação Mercadores do Caos, deflagrada pelo Ministério Público do Rio com objetivo de apurar fraudes em contratos da Secretaria Estadual de Saúde.

Segundo a denúncia do MP, Edmar Santos agiu de forma consciente durante o período que ocupou o cargo de secretário de saúde para desviar recursos públicos, atuando "em comunhão de ações e desígnios" com os investigados na primeira fase da operação Mercadores do Caos.

A delação de Edmar Santos foi utilizada como base para a Operação Tris In Idem, deflagrada em agosto de 2020, que resultou no afastamento de Wilson Witzel do cargo de governador do estado e também na prisão do presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo.

Em um trecho da delação, Santos explicou como a propina seria arrecadada no esquema de corrupção. Ele afirmou que o grupo decidiu cobrar vantagens indevidas de organizações sociais e de empresas que tinham pagamentos atrasados a receber do Estado, conhecidos como “restos a pagar”. Segundo Edmar Santos, todo o dinheiro fruto do desvio ia para um caixa único de propina, que era dividido, além dele, com o governador Wilson Witzel, Pastor Everaldo, o empresário Edson Torres e Victor Barroso.

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