Em meio a casos de racismo e homofobia, UEFA proíbe manifestação LGBTQIA+ em jogo da Alemanha
O jogo acontecerá na tarde desta quarta-feira (23), às 16h, em Munique

Alemanha e Hungria se enfrentam nesta quarta-feira (23), às 16h, pela última rodada da fase de grupos da Eurocopa. O confronto, que terá como palco a Allianz Arena, em Munique, decide quem se classifica para a próxima fase da competição, mas, para além do futebol, perpassa uma decisão ainda mais importante.
O evento ganhou relevância internacional após a UEFA, entidade máxima do futebol europeu, proibir a iniciativa da prefeitura de Munique de realizar uma manifestação em prol dos direitos LGBTQIA+ durante a partida. Dieter Reiter, prefeito da cidade, pediu autorização à entidade para iluminar o estádio do Bayern de Munique com as cores da bandeira LGBTQIA+. Contudo, seu pedido foi negado sob a alegação de que a UEFA seria uma organização “política e religiosamente neutra”.
O pedido veio após o Parlamento Húngaro aprovar, no dia 15 de junho, uma lei que proíbe a divulgação de quaisquer conteúdos que, supostamente, promovam a homossexualidade e a transexualidade, em escolas e propagandas. A emenda foi proposta pelo partido Fidesz, do primeiro-ministro Viktor Orbán, e aprovada quase que por unanimidade, com 157 votos a favor e apenas um contrário.
Frente a decisão da entidade, diversos clubes alemães, como o FC Köln e o Hertha Berlim, anunciaram que iluminarão seus estádios com as cores da bandeira LGBTQIA+ durante a partida. O ato é considerado um gesto de solidariedade para com a comunidade LGBTQIA+ na Hungria e protesto contra a isenção da UEFA em casos de discriminação e preconceito.
A Euro do ódio
Não obstante sua grande repercussão, essa não é a primeira polêmica envolvendo o país do leste europeu durante a Eurocopa. A UEFA comunicou, neste domingo (20), que abriria um inquérito para investigar ataques racistas e homofóbicos promovidos pela torcida húngara durante as partidas contra Portugal e França. Os jogos foram disputados nos dias 15 e 19 de junho, respectivamente, ambos na Puskás Arena, em Budapeste, capital da Hungria.
À exemplo de seus vizinhos, a seleção austríaca também esteve envolvida em um episódio de racismo ao longo da competição. O incidente aconteceu durante a partida entre Áustria e Macedônia do Norte pela 1ª rodada do grupo C. Na ocasião, após marcar o terceiro gol da Áustria na vitória por 3x1 contra os macedônios, o atacante Marko Arnautovic, que atualmente joga no futebol chinês, proferiu palavras de cunho racista para os adversários, além de fazer um gesto de alusão à supremacia branca. O jogador foi prontamente repreendido pelo capitão da seleção austríaca, David Alaba, que é filho de uma mãe filipina e um pai nigeriano e, posteriormente, pediu desculpas em suas redes sociais. Em nota, o Comitê Disciplinar da UEFA classificou o ocorrido como um “insulto ao adversário”. Arnautovic recebeu a punição mínima e foi suspenso da competição por uma partida.