Coleta de DNA de parentes de desaparecidos pode ser esperança para familiares
IML de Niterói é o posto de coleta da região

A partir desta segunda-feira (14), o Ministério da Justiça e Segurança Pública promove uma campanha para incentivar a coleta de material biológico de familiares de pessoas desaparecidas. A ação, que estará vigor até a próxima sexta-feira (18), tem como ideia atualizar os dados de pessoas não localizadas. A proposta pode ser uma esperança e trazer respostas para os familiares de pelo menos 28 pessoas desaparecidas nas cidades de São Gonçalo, Niterói, Itaboraí e Maricá, segundo dados de 2019 do Programa de desaparecidos.
A coleta do material genético é feita através da amostra das salivas. Os parentes da pessoa desaparecida podem comparecer ao local com alguns dos itens de uso pessoal dela, como uma escova de dentes, aparelho ortodôntico, amostras de cordão umbilical e dente de leite.
Após a coleta, será feita pelos peritos um cruzamento do material genético do desaparecido com o banco de dados nacional, que é atualizado diariamente com perfis genéticos de pessoas vivas desconhecidas e de pessoas falecidas não identificadas. Se o resultado for positivo para algum desaparecido que tenha morrido, o IML entrará em contato para realizar os procedimentos legais, como reclamar o corpo por vias judiciais e, assim, pedir alteração na certidão de óbito.
Segundo o diretor do Posto Regional de Polícia Técnica e Científica de Niterói (PRPTC - Niterói), Thiago Vilar, essa campanha é extremamente importante para dar prosseguimento a casos parados, sobretudo de pessoas desaparecidas ou mortos considerados 'indigentes', que são cidadãos que ainda não tiveram suas mortes reclamadas por parentes ou quando estes não são encontrados.
"Os indigentes são classificados assim porque ou não foram reclamados ou não têm um registro de identificação pela antropologia ou pelo Estado. Nunca fizeram um registro das impressões digitais ou não foi feita uma carteira de identidade", disse o diretor. "Esse programa pode ajudar com a coleta do material genético. Porque ele é um indigente porque não foi registrado pelo Estado pelos métodos usuais, mas continua sendo um filho, um pai de alguém.", completou.
Serão 13 postos espalhados pelo Rio de Janeiro e será feito um mutirão para a coleta das amostras de qualquer pessoa com um familiar desaparecido que procurar os postos.
Em tempo de desinformação, muitos têm medo com relação a seus dados pessoais, e a preocupação se torna ainda maior quando se fala em material genético. Porém, o diretor do IML garante que o processo é seguro e o material coletado será usado apenas para este fim.
As pessoas podem ficar tranquilas porque é um programa sério, do Ministério da Justiça e esse banco tem todo o sigilo necessário sobre as informações de quem forneceu o material", assegurou Vilar.
O material doado para a campanha é inserido única e exclusivamente na parte do banco que tratam de pessoas desaparecidas não tendo parte alguma utilizada para análise criminal. Todo o material será utilizado apenas para a busca dos parentes e entes queridos desaparecidos.
Podem participar da campanha pais, filhos e irmãos de desaparecidos. As coletas serão realizadas de 14 a 18 de junho no período de 9h às 17h, em 13 postos espalhados por todas as regiões do estado.
Na Região Metropolitana do Rio, a coleta será feita no PRPTC Niterói, localizado na Travessa Comandante Garcia Dávila, 51, no Barreto. Na Região dos Lagos, a coleta será feita em Araruama, no PRPTC Araruama, localizado na Rua Bernardo Vasconcelos, 755 - Centro.