Final Feliz em Niterói!: Preso injustamente após reconhecimento por foto é absolvido
Jovem, que é músico de grupo cultural de comunidade na cidade, espera que seu caso sirva de referência para outros que foram encarcerados através do mesmo método

Alívio para o violoncelista Luiz Carlos Justino, de 24 anos. Preso injustamente em setembro do ano passado, no Centro de Niterói, após ser abordado pela polícia e ser encarcerado com base em uma fotografia que constava no livro de reconhecimento da 79ª DP (Charitas), o músico foi absolvido na tarde desta quarta-feira (9), na audiência de instrução e julgamento, que aconteceu no Fórum de Niterói.
No lado de fora, amigos e companheiros do projeto social Espaço Cultural da Grota, em Niterói, foram apoiar o jovem e realizar uma apresentação em frente ao prédio da 2ª Vara Criminal de Niterói para chamar atenção, não só para o caso de Luiz, mas também de outros jovens negros e periféricos que foram presos da mesma forma, tendo como base apenas o reconhecimento por foto, como o auxiliar administrativo Danillo Félix, que ficou preso injustamente por 55 dias após uma vítima de assalto acusá-lo do roubo fazer um reconhecimento através de fotos antigas no Facebook do rapaz.
"Esta é a segunda vez que estamos aqui. Primeiro foi por causa do Danillo e agora pelo Luiz. Mas nós sabemos que Danillo e Luiz são representações que a gente tem pela sociedade brasileira. Na verdade, eles são mártires, que estão sendo reconhecidos ainda em vida. Essa representação que a gente fez hoje, embora seja para o Luiz, ela tem o mesmo valor para o Danillo, para o Jefferson, que está preso até agora. Segundo a Defensoria Pública, quando Luiz foi preso, nós tínhamos 92 casos iguais no estado, de gente encarcerada após reconhecimento por fotos. O formato de aceitação de prova é extremamente frágil e desigual de provar alguma coisa", afirmou Paulo de Tarso, diretor presidente do Espaço Cultural da Grota.
Após a audiência e a decisão a favor de Luiz, restou apenas comemorações ao rapaz, aos familiares e seus colegas do projeto, que veem a solução do caso como uma ponta de esperança para tantos outros que foram presos injustamente através do mesmo método.
"Alívio, cara, é o que eu tô sentindo, tô muito aliviado, porque graças a Deus, foi tudo esclarecido de uma forma correta. Sei nem te explicar a sensação que eu tô sentindo realmente, só tô respirando mais leve, sinto que consigo pular até mais alto agora", comemorou Luiz.
"Eu espero que mude isso. Se eu senti isso, imagina as pessoas que estão lá [na prisão] há mais tempo? Não pode fazer essa covardia com os outros, é puro racismo fazer com os outros. Pra mim, não tem outra explicação. Mas assim, espero que com com o que aconteceu comigo, mude um pouco o jeito deles pensarem", completou o violoncelista.
Em ritmo de festa e comemorações pela absolvição de Luiz, o projeto social Espaço Cultural da Grota fará uma apresentação amanhã (10) no Solar do Jambeiro, no bairro Ingá, em Niterói. A apresentação será transmitida nas páginas do palacete nas redes sociais.