Violoncelista preso injustamente em Niterói: audiência na Justiça começa nessa quarta

Orquestra da Grota se apresentou em frente ao Fórum

Escrito por Redação 09/06/2021 16:32, atualizado em 09/06/2021 15:17
. Foto: Leonardo Ferraz

Acontece nessa quarta-feira (09/06) a audiência de instrução e julgamento do violoncelista Luiz Carlos Justino, jovem negro e morador da favela, integrante do projeto social Espaço Cultural da Grota, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. Ele foi preso injustamente em setembro do ano passado, após uma abordagem policial quando voltava para casa com seu instrumento, depois de uma apresentação musical na Estação das Barcas. Em apoio ao colega, músicos da Orquestra da Grota se apresentaram na calçada em frente ao Fórum, no Centro de Niterói, por volta de 13h30.

Justino foi abordado por policiais no dia 2 de setembro de 2020, no Centro de Niterói, no momento em que voltava para casa após o dia de trabalho. Na ocasião, havia um mandado de prisão contra ele, acusado de assalto a mão armada após ter sido reconhecido, em 2017, apenas por meio de uma fotografia que constava do livro de reconhecimento da 79ª DP (Charitas). Após ficar quatro dias preso em dois presídios diferentes, ele foi solto por decisão do juiz André Nicolitt, que demonstrou perplexidade ao emitir o alvará de soltura: “Por que um jovem negro, violoncelista, que nunca teve passagem pela polícia, inspiraria desconfiança para constar em um álbum?”, questionou o magistrado na época.

Casado, com 23 anos e pai de uma menina de 3, no dia e hora do referido crime Justino se apresentava como músico contratado numa padaria em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói, junto de outros dois colegas. Apesar do mandado de prisão, o músico jamais havia sido intimado e desconhecia a existência de qualquer denúncia contra ele até o dia da prisão. Até hoje, a Polícia Civil não explicou como a foto de Justino foi parar no livro de reconhecimento da delegacia.

Recentemente, o juiz responsável pelo caso atendeu a um pedido do advogado de Justino, Rafael Borges, para que a fotografia do músico fosse retirada do livro de reconhecimento existente na 79ª DP.

A audiência de instrução e julgamento teve início nessa quarta-feira (09/06), a partir das 13h30, na 2ª Vara Criminal de Niterói, no mesmo prédio do Fórum, na Av. Ernani do Amaral Peixoto, 487, no Centro da cidade.

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