Dia nacional da adoção: mitos, verdades e tabus sobre o tema
Data serve para conscientizar sobre a importância da adoção

Os laços familiares são construídos por uma ligação de carinho, amor e afeto, fatores que vão muito além da ligação biológica. A adoção de crianças no Brasil é celebrada nacionalmente no dia 25 de maio. A data busca conscientizar a população sobre a importância de adotar e assegurar o direito de crianças e adolescentes à convivência familiar.
De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 6.110 crianças já foram adotadas por meio do Cadastro Nacional de Adoção. Atualmente, outras 4.259 estão em processo de adoção e quase cinco mil estão à espera de uma família. No entanto, mais de 32 mil pessoas estão disponíveis e habilitadas para adotar.
Embora o número já seja suficiente para zerar a quantidade de crianças em busca de um lar, muitas famílias ainda buscam um perfil que não está disponível na fila de adoção. Além disso, o processo no Brasil ainda é cercado de tabus, preocupações e desconhecimentos em relação às etapas necessárias para oferecer um lar às crianças.
A jornalista Roberta de Souza Pereira, de 39 anos, afirmou que a adoção sempre foi um sonho que ela teve, desde a infância. Mesmo podendo ter filhos biológicos, ela iniciou o processo de adoção de uma criança.
"Eu sempre quis adotar. Graças a Deus me marido topou quando conversamos sobre isso e daí buscamos dar início a um processo de adoção. Mesmo com a possibilidade de ter o filho biológico, nós continuamos na fila de adoção porque esse sempre foi um desejo meu. E aconteceu que realmente os dois vieram juntos, eu consegui a adoção logo após o nascimento do outro", afirmou.
Os principais requisitos para adoção no Brasil são idade acima de 18 anos e idoneidade moral e motivação idônea para a adoção. A lei também prevê a frequência em curso preparatório para adoção, onde serão prestados esclarecimentos e efetuadas as avaliações correspondentes. O objetivo dessa etapa é conhecer os candidatos e definir se estão aptos ou não para adotar.
Roberta afirmou que existem diversas etapas para a adoção. A primeira delas é uma formação para os candidatos, que aprendem um pouco sobre o processo e participam de um curso preparatório antes de dar entrada com a documentação.
"Primeiro você passa por um grupo de palestras realizadas por ONGs que fazem a ligação dos pretendentes com as crianças e recebe um certificado. Na região de Niterói, São Gonçalo e Maricá, é o grupo Quintal de Ana que realiza essas atividades. Depois disso nós fomos ao Fórum correspondente da nossa região e lá pegamos uma listagem de documentos que precisamos apresentar para dar início ao processo", diz.
Todo o processo de habilitação e adoção são gratuitos devido à isenção de custas judiciais. Também não é preciso contratar advogado e os requerimentos podem ser formulados diretamente em cartório pelos interessados.
A jornalista também contou sobre a importância de realizar os cursos de preparação antes de dar início ao processo.
"Quem quiser adotar precisa fazer os cursos de preparação. As atividades e palestras abrem o nossos olhos para coisas que a gente não fazia ideia, para as questões dos tabus e coisas que ouvimos falar sobre adoção e muitas vezes não são verdadeiras", afirmou Roberta.
Ela também disse que através do curso conseguiu desmistificar algumas noções e pôde compreender melhor o verdadeiro significado da adoção.
"O pensamento mais comum da adoção é pensarmos que estamos fazendo uma caridade para a criança, quando na verdade não é isso. Você não está fazendo caridade, você está recebendo um filho. Muita gente pensa que "vai ajudar", mas não é assim, é o meu filho. Ninguém diria a uma mãe com filho biológico que ela está "ajudando" ele. A adoção é o amor mais puro. Você se entrega para um ser que não saiu de você e precisa fazer uma conexão com ela, trazer a aceitação. Tudo que elas precisam é de carinho e amor", afirmou.
*Sob supervisão de Cyntia Fonseca