INSS deixa segurados ‘na mão’
Contribuintes ficam sem benefício e têm que remarcar perícias várias vezes

Luiz está afastado do trabalho, desde setembro, após sofrer um AVC e não consegue fazer perícia
Foto: Alex Ramos“Não tenho como trabalhar nessas condições. Como vou ficar sem salário tendo que comprar remédios?”. O questionamento é do porteiro gonçalense Luiz Carlos de Andrade, de 59 anos, uma das muitas vítimas da falta de peritos do INSS, provocada pela greve que dura há mais de quatro meses.
Após sofrer um AVC no fim de setembro, o porteiro, que trabalha há 12 anos em um condomínio residencial em Niterói, precisou ser afastado do trabalho. Desde então, a luta para dar entrada no benefício do INSS começou. Para garantir o pagamento, é preciso passar pela perícia médica, o que não pôde ser feito devido à greve.
“Já estou na terceira tentativa. A gente marca, chega lá e é informado na hora que não tem perito. Então, o atendimento é reagendado. Desta vez, marcaram para janeiro de 2016. E é complicado ficar voltando várias vezes, pois, devido ao AVC, não posso sair sozinho, fico dependendo da minha companheira”, explicou Luiz Carlos que, além do tratamento para o AVC, também precisa comprar remédios para diabetes e controle de pressão.
Outro caso que perdura há meses é o do soldador Jorge Antonio Alves Correira, 32, morador do bairro Coelho. Ele tenta conseguir o benefício pela segunda vez após sofrer um acidente de trabalho em março de 2014. “Desde setembro, estou indo para a quarta remarcação. A minha sorte é que consigo trabalhar de forma autônoma com meu pai em um comércio em Alcântara”, contou o soldador, que sente dores constantes no joelho causadas pelo acidente.
Em setembro, O SÃO GONÇALO divulgou o problema de atendimento no posto do Porto Velho, que já ocorria há mais de dois meses, informando que, mesmo com determinação da Justiça de que sejam mantidos 30% dos servidores trabalhando para atendimento ao público, a decisão vinha sendo descumprida, prejudicando os contribuintes. A assessoria de imprensa do INSS não deu retorno até o fechamento desta edição.