Estudantes organizam manifestação contra possível fechamento da UFRJ
Universidade pode fechar as portas em julho, segundo reitora

Estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) estão se mobilizando para realizar uma manifestação contra o possível fechamento da instituição em julho. Com cortes de verba sucessivos desde 2013, somados ao bloqueio de R$ 41,1 milhões neste ano, os serviços da instituição estão ameaçados, segundo a reitora Denise Pires de Carvalho.
O ato está marcado para as 14h de sexta (14), em frente ao Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ (IFCS), no Largo São Francisco de Paula, no Centro da cidade. Nas redes sociais, mais de 60 mil pessoas já assinaram um abaixo-assinado virtual iniciado pela Associação de Pós-Graduandos da UFRJ para pressionar o Ministério da Educação e o Congresso Nacional em relação ao orçamento da instituição.
Segundo um artigo publicado no jornal O Globo e assinado pela reitora Denise Pires e pelo vice-reitor Frederico Leão, o orçamento discricionário aprovado pela Lei Orçamentária para a UFRJ em 2021 é 38% do que foi empenhado em 2012. Além disso, há ainda o bloqueio de 18,4% do orçamento aprovado. A dificuldade orçamentária ameaça o pagamento de contas básicas como água, limpeza, segurança e eletricidade.
Além disso, a paralisação das atividades da UFRJ também pode afetar os laboratórios, hospitais, unidades de saúde, museus e bibliotecas administrados pela instituição, além de bolsas e auxílios, como o "auxílio digital", que tem ajudado estudantes a se manterem na universidade mesmo com o ensino remoto em função da pandemia de Covid-19. Pesquisas de duas vacinas nacionais contra o coronavírus, que estão sendo desenvolvidas na universidade, também podem ser paralisadas.
“O governo optou pelos cortes e não pela preservação das instituições. A universidade está sendo inviabilizada. Em dez anos, nos restará perguntar onde estará a capacidade de resposta na próxima emergência sanitária e qual será a opção terapêutica milagrosa que colocarão à venda”, disse a reitora no artigo.
Maior universidade federal do Brasil, a UFRJ é a primeira instituição oficial de ensino superior do país, com atividade desde 1792 (Escola Politécnica, a sétima escola de Engenharia do mundo e a mais antiga das Américas) e organizada como universidade em 1920. Presença registrada nas 15 melhores posições dos mais diversos rankings acadêmicos na América Latina, a instituição conta, hoje, com 172 cursos presenciais de graduação, 4 de graduação a distância, 315 de especialização e 224 programas de pós-graduação (mestrado, doutorado e pós-doutorado), além de mais de 1.700 ações de extensão.
Segundo o Ranking Universitário Folha, a UFRJ é a universidade mais inovadora do país, fator que a instituição atribui à sua pluralidade, tendo em seu corpo social mais de 65 mil estudantes (nesse âmbito, anualmente, 5 mil se formam na graduação e 2,6 mil dissertações e teses são produzidas), 4 mil docentes (sendo que 9 em cada 10 têm doutorado), 3,7 mil técnicos-administrativos atuantes nos hospitais da UFRJ e 5,6 mil em demais unidades.