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Associação que conta com time de basquete de cadeirantes em SG pede ajuda para continuar funcionando

Sem amparo financeiro, a instituição pode fechar suas portas

relogio min de leitura | Ana Carolina Moraes 09 de maio de 2021 - 08:50
Instituição fica em Santa Luzia
Instituição fica em Santa Luzia -

O esporte é modificador e motor na vida de diversas pessoas por todo o mundo. É com esse mesmo pensamento que 30 pessoas, dentre funcionários e atletas, ajudam no funcionamento da Associação Desportiva de Deficientes de São Gonçalo/RJ (ADD-SG), localizada em Santa Luzia, bairro de São Gonçalo. A associação é responsável por ter um time de basquete com cerca de 15 jogadores cadeirantes que disputam diversos prêmios por todo o país. Hoje, no entanto, a instituição passa por problemas financeiros e pode acabar ficando sem recursos. Pensando nisso, o grupo pede doações e a ajuda daqueles que querem ver o basquete crescer, principalmente, como referência para pessoas com deficiência física em São Gonçalo.

A ADD-SG foi fundada em julho de 2019 pelo atual presidente e técnico do time de basquete Edilson de Souza, de 60 anos, que nasceu no Recife, mas escolheu São Gonçalo para morar há alguns anos. 

"Em 2018, eu dava treinos para cadeirantes no basquete em Niterói. Foi quando eu percebi que, em São Gonçalo, não havia muitas opções do esporte para cadeirantes. Então, eu resolvi fundar. Consegui uma pessoa que paga o aluguel do espaço onde ficamos, aqui na Rua Cardeal Luçon, no antigo espaço do Centro Educacional Romar, como patrocinador, mas ainda precisamos do dinheiro para luz e alimentação para a instituição. Muitos dos cadeirantes recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), mas é o dinheiro deles, para ajudar na família deles, na instituição não temos nada. Sem contar que ainda temos os gastos com o time, como bolas de basquete, tabelas, quadra, custos de viagem para campeonatos, cadeiras de rodas específicas para os jogadores na quadra e etc. Muitos dos jogadores do time são de outro estado também e passam a semana aqui na instituição, então, temos mais custos e precisamos dessa ajuda", contou Edilson. 

O time conquista diversas vitórias em competições pelo país
O time conquista diversas vitórias em competições pelo país |  Foto: Leonardo Ferraz
 

Atualmente, o time da ADD-SG está na terceira divisão do campeonato brasileiro de basquete para cadeirantes. Os principais nomes da equipe são: André Júnior, que é uma promessa para a primeira divisão da seleção brasileira do esporte; Dejair Souza, que já foi campeão no atletismo, no levantamento de peso, na queda de braço, e no basquete; e Elson Teixeira, que já conquistou diversos prêmios no basquete. 

"No ano passado, fizemos vaquinhas para tentar arrecadar algum dinheiro com doações e conseguimos R$ 400. Esse ano, no entanto, tentamos novas vaquinhas e não conseguimos nada. Não temos apoio do governo e queremos continuar funcionando para incentivar novos jovens deficientes a se juntarem ao esporte. Nosso plano é ir em escolas de São Gonçalo falar para os jovens cadeirantes sobre o esporte e como prosseguir nesse caminho, que a vida dele não acabou por causa da cadeira de rodas, muito pelo contrário. Quem sabe daqui não sai alguém para a seleção brasileira da categoria", contou Edilson, que foi três vezes vice campeão brasileiro pelo basquete em cadeira de rodas com outros times (em 1998, em 2010 e em 2018). 

André Júnior é um dos atletas do time de basquete da instituição. Ele ficou paraplégico em 2011, após um acidente com arma de fogo. "No começo, eu achava que ia voltar a andar logo. Eu não entendia, até porque eu tinha 14 anos e adorava jogar bola. Eu fiquei muito tempo em casa sem fazer nenhum esporte após o acidente, porque eu não conhecia deficientes e achava que não era possível. Em 2015, eu conheci o atletismo e a esgrima para cadeirantes lá em Recife. Depois eu conheci o basquete para cadeirantes e vi que um mundo era possível. Hoje, eu moro na Maré, mas passo a semana aqui e para mim é uma oportunidade. Eu chego aqui terça e fico treinando até sábado", contou ele. 

Dejair Souza, André Júnior e Elson Teixeira são atletas do time da ADD-SG
Dejair Souza, André Júnior e Elson Teixeira são atletas do time da ADD-SG |  Foto: Leonardo Ferraz
 

Dejair Souza, de 44 anos, também é um atleta de Recife que hoje treina na Associação Desportiva de Deficientes de São Gonçalo/RJ (ADD-SG). "Eu vim para cá há um ano e seis meses. Lá no nordeste eu já fui campeão de queda de braço, já fiquei em sexto lugar numa competição de atletismo, venci em 4 e 6 lugares (por dois anos) em uma competição de levantamento de peso, já fiquei em terceiro na segunda divisão do basquete em 1999, ganhei a mesma competição em 2000, fiquei em terceiro no mesmo evento em 2002 e já venci outras vezes em 2007 e 2008. Eu já tentei parar de competir, mas não consigo. Sou cadeirante desde o meu primeiro ano de idade por causa do poliomelite. Eu conheci o Edilson em um torneio de basquete em Belém do Pará em 2020. Ele chamou outras pessoas para vim para cá para a associação, até que o convite chegou até mim. Eu vim para o Rio e, depois disso, pedi minha noiva em casamento e ela veio para cá depois de mim. Ela também é do Recife e eu conhecia ela de lá. Valeu a pena a mudança", contou ele que também passa dias na instituição. 

Instituição conta com 15 atletas cadeirantes
Instituição conta com 15 atletas cadeirantes |  Foto: Leonardo Ferraz
 

Elson Teixeira, de 34 anos, foi atropelado por um ônibus quando tinha 7 anos e, a partir daí, ele teve que amputar uma de suas pernas. "Me abalou muito, porque eu fazia todas as atividades esportivas que podia, corria, jogava bola e tudo. Foi difícil a ficha cair depois que perdi a perna. Eu só entrei no basquete em 2004, anos depois, por causa de um amigo. É uma modalidade puxada, foi difícil, mas aos poucos fui me adaptando e vendo que aquilo era para mim. Minha mãe e minha família me apoiaram muito também e disseram que a sociedade é preconceituosa e que eu deveria ser forte para nada me abalar. Eu conheci o Edilson quando ele foi convidado para ser técnico de uma equipe da terceira divisão em Belém, de onde eu era. Eu gostei e vim para cá em outubro de 2020 e estarei sempre dando uma força para ele enquanto ele quiser. 

Além dos jogadores, outras pessoas com deficiência trabalham na associação, como Luciano Roberto dos Santos, de 30 anos, que divulga a história da associação. Ele nasceu sem seu braço esquerdo, fruto de uma amputação congênita.

Luciano é um dos funcionários da instituição
Luciano é um dos funcionários da instituição |  Foto: Leonardo Ferraz
 

O projeto já se mostrou importante para diversas dessas pessoas do esporte nacional para PCDs (pessoas com deficiência). Por isso, é necessário sempre ajudar para que o esporte continue sendo referência e mudando vidas. Quem quiser fazer qualquer doação para a instituição, basta transferir qualquer valor para a conta da instituição: 

Agência: 1596

Conta: 13001211-4

Santander

CNPJ: 34.081.435/0001-20

Associação Desportiva de Deficientes de São Gonçalo/RJ (ADD-SG)

A instituição está no Instagram (@addsgoficial). O endereço da AAD-SG é Rua Cardeal Luçon, número 51, em Santa Luzia.

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