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Mães na pandemia: conheça a realidade das mulheres que tiveram seus filhos neste período

Isolamento social e insegurança aparecem como os principais desafios

relogio min de leitura | *Matheus Mattos 09 de maio de 2021 - 07:30
Dia 9 de Maio, Dia das Mães
Dia 9 de Maio, Dia das Mães -

 A maternidade é um período único, com diversas bênçãos e alegrias, isto é um fato. No entanto, ela vem acompanhada com muita dedicação e desafios no caminho, o que foi potencializado veementemente com a chegada da pandemia da Covid-19 no Brasil. Diante disso, com o isolamento social sendo necessário, medo e insegurança são sentimentos que predominam e que podem gerar consequências para o desenvolvimento das crianças.

Ana Carolina Martinez, mãe do pequeno Klaus, de apenas 8 meses, relata um pouco das adversidades com a maternidade e reitera que a pandemia agrava ainda mais o cenário.

“É um grande desafio... Ainda mais quando você passa a gravidez e a maternidade dentro de casa. O medo acaba te dominando, pois você não pode abrir sua casa pra visitas e até mesmo ter uma rede de apoio por conta do vírus. A maternidade com ou sem pandemia já é pesada para se carregar sozinha. E com a pandemia agrava ainda mais, por não poder sair, não poder encontrar pessoas, não poder receber pessoas na sua casa por medo de contaminação. Então acaba se tornando muito mais intensa e pesada.”

Nestas condições, Ana Carolina, que é moradora de Nova Cidade, em São Gonçalo, reitera a preocupação que tem com o desenvolvimento de seu filho. Segundo ela, esse período considerável dentro de casa, sem contato com outras crianças, pode acarretar em uma difícil socialização.

“Ainda não tivemos contato com outras crianças. É até algo que me preocupa, pois a falta de contato social pode levar os pequenos a ficarem desconfortáveis em novos ambientes e pessoas depois. E na minha realidade, como mãe solo, que em breve precisa voltar a trabalhar e deixar o pequeno com alguém ou numa creche, me deixa bem preocupada.”, iniciou.

“Sei que ele precisa ter uma interação social, sabemos quanto a criança desenvolve rápido com outras crianças. E ter contato com outras pessoas, faz com que ele crie suas experiências, mas com o isolamento fica difícil. Tenho medo de isso trazer consequências, como uma regressão no desenvolvimento. Então faço de tudo pra estimular como posso e torcendo para que as coisas melhorem um pouco e possamos finalmente 'sair da toca'.”, completou a mãe do Klaus.

Ana Carolina mora com o filho em Nova Cidade
Ana Carolina mora com o filho em Nova Cidade |  Foto: Arquivo Pessoal
 

Dentro dessa perspectiva, a psicóloga e psicanalista Marcelle Maciel chama atenção para as possíveis consequências desse período de isolamento, mas reitera que a dinâmica ainda é muito nova e que por isso, profissionais, família e a escola devem ficar atentos a esses desdobramentos.

“Acredito que a socialização seja muito importante. Essa interação com crianças da mesma idade e o fato de frequentarem um ambiente com pessoas diferentes, um ambiente com regras, faz com que elas comecem a aprender coisas novas e a criar mais responsabilidade. Diante desse cenário pandêmico, esse processo não ocorre de forma simples e nós estamos precisando nos adaptar a esta nova realidade... Isso tudo é muito novo e esse é um bom momento para refletirmos sobre os possíveis impactos que podem vir a acontecer. Ainda não sabemos ao certo quais serão as consequências disso, mas precisamos ficar atentos. Não só nós, profissionais, precisamos fazer esse exercício, mas, também, as famílias e as escolas. Essa parceria é fundamental para que a gente consiga passar por esse momento da melhor forma possível.”, afirmou a especialista.

Apesar do cenário cansativo e desafiador, a alternativa para as mães é criar brincadeiras, tentar estimular ao máximo a criança, inovar nas ‘comidinhas’ e contar com, pelo menos, a ajuda dos parentes mais próximos nessa caminhada. Até porque, segundo Marcelle, esse contato inicial entre a mãe e o bebê é de suma importância para constituição do “sujeito”, para a formação do “eu” na criança, iniciando o processo de identificação.

Com todas essas adversidades e incertezas, fato é que as mães estão dando o melhor de si. As palavras do momento são paciência e atenção. De acordo com a psicóloga e psicanalista, é necessário olhar para essas mulheres, que antes de serem mães, já possuem suas próprias angústias.

“Eu tenho ouvido muita angústia, muito medo e muita insegurança. Mas não só com relação à criação dos filhos, eu tenho ouvido isso de uma forma mais geral. Para além de pensarmos no que ouvimos das mães, acho que precisamos nos colocar dispostos a ouvir aquela mulher. Aquela mulher que, muitas vezes trabalha fora, trabalha em casa, cuida dos filhos e fica extremamente sobrecarregada. Essa mulher também sofre e precisa ser ajudada. As pessoas sofrem, porque a vida não é fácil, muitos problemas acontecem e temos que nos redobrar em mil para resolvê-los. Essas mães precisam ser ouvidas, acolhidas, abraçadas. É necessário pararmos de esperar que elas sejam perfeitas, porque elas não serão. As mães vão falhar, sempre falham, como todos os seres humanos e está tudo bem.”, reforçou Marcelle.

O momento não está fácil, mas ele há de melhorar, como espera Ana Carolina, que ainda reitera a necessidade de aproveitar cada instante. “Se pudesse mandar uma mensagem para as mães, eu falaria: ‘curta o máximo que puder, aproveite pequenos momentos. Não está fácil para ninguém, mas temos que ter fé que vai passar.' Sempre cuidando o máximo da nossa saúde mental!”, finalizou a mãe do menino Klaus.

Ana Carolina e seu filho Klaus
Ana Carolina e seu filho Klaus |  Foto: Arquivo Pessoal
  

*Estagiário sob supervisão de Marcela Freitas 

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