Universidades federais podem paralisar atividades em julho
Pesquisas contra a Covid-19 podem ser interrompidas

Os reitores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), duas das mais importantes do país, afirmaram ao jornal O Globo que há possibilidade de paralisação das atividades em julho.
Segundo os reitores, o montante disponível para 2021 voltou ao patamar de 2004, quando as instituições tinham metade dos alunos que têm hoje. Denise Pires de Carvalho, reitora da UFRJ, disse que as atividades da universidade podem parar em julho.
“As aulas só continuam porque são remotas. Mas todos os serviços da universidade, como hospitais e pesquisas, incluindo o desenvolvimento de uma vacina Covid-19, serão interrompidos”, disse ele.
A Unifesp, em nota ao O Globo, informou que "não poderá arcar com o funcionamento básico" da instituição "se não houver liberação de recursos". “O risco de uma paralisação total é real”, destaca a nota.
Para 2021, de acordo com o Painel de Orçamento Federal, o governo destinou 2,5 bilhões a 69 universidades do país, que juntas têm 1,3 milhão de alunos. Esse valor é quase igual ao do orçamento de 2004, com valores atualizados pelo IPCA. No entanto, há 17 anos, o país contava com 574 mil alunos matriculados em 51 instituições de ensino superior.
O recurso enviado às universidades inclui salários e outros valores cujas despesas são fixadas por lei, além de contas básicas, como água, luz, limpeza e segurança, bem como a manutenção de bolsas, materiais de pesquisa e reparos estruturais. O corte orçamentário representa risco de perda de auxílio aos alunos mais pobres e também interrupção do financiamento a pesquisas dedicas ao combate à Covid-19.