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Filha faz campanha nas redes sociais para ajudar mãe acamada há mais de quatro anos

Dona Cassia Maria está acamada após sofrer terceiro AVC e ficar com o lado direito do corpo paralisado

relogio min de leitura | Daniel Magalhães 02 de maio de 2021 - 11:01
Após o terceiro AVC, Cassia está acamada com parte do corpo paralisado
Após o terceiro AVC, Cassia está acamada com parte do corpo paralisado -

Muito se fala do amor de mãe que faz tudo pelos filhos, mas o contrário também acontece e há vários exemplos de filhos que fazem o possível e o impossível por aqueles que tanto os ajudaram na vida. É o caso da Perla Soares que tem lutado para conseguir manter a mãe, Cassia Maria, e seus alimentos e remédios.

Em uma pequena casa alugada, no bairro Paraíso, moram Perla e a mãe, acamada há mais de quatro anos devido ao terceiro acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico que sofreu, deixando seu lado direito paralisado, tornando-a dependente de sua filha, que abriu mão de tudo, inclusive o emprego, para ajudá-la. Devido a todo esse tempo sem trabalhar, Perla e a mãe estão com dificuldades para conseguir suprimentos básicos, além de fraldas geriátricas e medicamentos. A idosa, de 66 anos, também não consegue mais sair de casa para realizar os tratamentos diários. 

A solidariedade de vizinhos e pessoas que acompanharam a luta das duas nas redes sociais é o que tem mantido a sobrevivência de ambas. Tudo que compõe a casa de Cássia e Perla hoje é resultado de doações, desde o pequeno pacote de biscoito em cima da cômoda ao sofá da sala. No entanto, a solidariedade tem se reduzido, assim como com muitas outras famílias enquanto a pandemia no país ainda persiste. 

"A gente conseguiu muitas cestas básicas no início da pandemia, mas agora não estamos mais conseguindo. Alimentação tá bem complicada também. Fora o aluguel da casa e os remédios dela, ela chega a tomar quase 10 remédios por dia e tem remédio que custa quase R$ 100, e eu tenho que dar um jeito", contou Perla. 

As duas também tentaram recorrer ao INSS, mas o pedido foi indeferido dois anos após a primeira tentativa. Também recorreram ao CRAS para conseguir atendimento médico domiciliar, mas, segundo Perla, foram feitas apenas duas visitas e depois ninguém mais compareceu. 

Diante do abandono do governo, dos amigos e familiares, Perla decidiu recorrer às redes sociais para conseguir, dia após dia, o necessário para que a mãe receba o básico e tenha o mínimo de conforto na cama em que passa 24 horas deitada há mais quase cinco anos. Perla utiliza o próprio perfil pessoal (@perlasngrata) e o que criou para divulgar a causa da mãe (@ajude_a_guerreira_cassia) e conseguir a ajuda necessária através de remédios, alimentos e fraldas. Os perfis também são utilizados para atualizar os seguidores sobre a situação de Dona Cássia. Além dos perfis, os interessados em ajudar Cassia e a filha podem fazê-lo através do número (21) 9 8513-4260.

Acamada por tanto tempo, Cássia comenta que o básico para sua recuperação já seria suficiente. Metas como caminhar ainda são distantes, o que ela mais quer agora tratamento fisioterapêutico para que possa ao menos conseguir sentar ou andar até o portão, onde possa ficar sentada com a filha acompanhando o movimento da rua e voltar a conversar com os vizinhos. 

"Eu sei que se ela conseguisse o tratamento e conseguisse pelo menos sentar, ficaria mais feliz. Minha mãe é feliz, não é uma pessoa triste, se diverte vendo uma televisão, um vídeo no celular, que ela também joga. Ela fica feliz, mas eu queria ela comigo no portão, sentada comigo, mas se ela não vai, eu não vou", lamentou a filha.

Com o dia das mães chegando, o melhor presentes que Perla já deu para a mãe foi estar ao lado dela integralmente. Outro presente seria conseguir ajudar a mãe a caminhar e viver novamente sem se preocupar com o que se alimentar ou medicar.

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