Sem o Censo 2021, país pode ficar ‘no escuro’ sobre a educação

Ausência de informações pode atrapalhar estudo dos últimos anos e ações para o futuro

Escrito por Redação 28/04/2021 10:08, atualizado em 28/04/2021 11:05
Sem os dados, futuro da educação pode ficar comprometido, de acordo com especialistas
Sem os dados, futuro da educação pode ficar comprometido, de acordo com especialistas . Foto: Divulgação

Com a suspensão do Censo Demográfico de 2021, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os municípios brasileiros podem ficar ‘no escuro’, de acordo com especialistas. Segundo eles, faltarão dados para entender se as políticas dos últimos 10 anos fizeram efeito, e indicam que não haverá uma base para ações futuras. As informações são do ‘G1’.

O Censo é um levantamento feito pelo IBGE a cada 10 anos, com coleta de informações sobre a população, podendo assim identificar o perfil socioeconômico do país. 

"É por meio dos dados do Censo que se distribuem os recursos para educação, saúde, assistência e todas políticas públicas. Para quem quer acabar com essas políticas, não realizar o Censo é o passo primeiro", diz André Lázaro, diretor de Políticas Públicas da Fundação Santillana.

O caráter ‘censitário’ do estudo indica que uma parcela relevante da população seria ouvida, diferente dos levantamentos com base amostral, com apenas uma parcela dos cidadãos.

Na pesquisa sobre educação, o Censo mapearia a analfabetismo, mostrando a realidade de pessoas que não sabem ler em cada bairro, por exemplo. Além disso, traria os índices de escolaridade, esmiuçando os adultos que não concluíram os estudos. E também identificaria o número de crianças fora da escola, indicando a demanda de vagas por creches.

O Censo deste ano foi suspenso por conta do orçamento para 2021, em decisão sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, na quinta-feira (22), que não prevê novos recursos para o levantamento dessa pesquisa.

O estudo que já foi postergado de 2020 para 2021, no momento não tem uma data definida.

"O Censo investiga, entre outros temas, a escolaridade das pessoas, em nível de municípios, e o analfabetismo, em nível de bairros. A partir do Censo, também conseguimos traçar o perfil etário de municípios e bairros do país, o que ajuda no mapeamento da demanda por escolas", explicou o IBGE.

"Além disso, há uma série de cruzamentos entre os dados educacionais e a cor, o sexo, a ocupação e as faixas de renda da população", informou o instituto.

Sem o Censo, o Brasil fica sem o conhecimento de onde estão os 69,5 milhões de adultos acima dos 25 anos que não concluíram a educação básica em 2019. Este índice aponta 51,2% da população adulta. Além disso, não será possível entender onde estão os 11 milhões de brasileiros acima de 15 anos que não sabem ler e escrever. Esses números são da Pnad Educação, outro estudo realizado pelo IBGE de forma anual. Os dados mais recentes foram divulgados em julho de 2020, com informações de 2019.

Segundo o instituto, "o Censo consegue apurar esse dado em níveis geográficos muito mais detalhados: o analfabetismo é apurado em nível de bairros e a escolaridade, em nível de municípios, o que é muito importante para as secretarias estaduais e municipais de Educação”.

Em um comunicado, os ex-presidentes do IBGE reiteraram que, sem os levantamentos do Censo, "o Brasil se junta ao Haiti, Afeganistão, Congo, Líbia e outros estados falidos ou em guerra que estão há mais de 11 anos sem informação estatística adequada para apoiar suas políticas econômicas e sociais."

 

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