Camelôs de Niterói pedem flexibilição de regras e abertura geral do comércio
Nem os camelôs licenciados são autorizados a voltar a trabalhar em Niterói

"A situação está muito complicada! É difícil ver o comércio todo abrir e você não poder trabalhar. Temos que pressionar a prefeitura, se não vamos ficar esquecidos e sem trabalhar". Esse é o relato indignado de Fernando Carvalho, de 28 anos, presidente da Associação Assistencial dos Comerciantes Ambulantes do Município de Niterói (ACANIT). A sua revolta é pelo fato de o comércio como um todo estar autorizado a retornar após as medidas restritivas de combate à Covid-19, exceto os ambulantes, mesmo os licenciados pela prefeitura. A situação da categoria é tão tensa que alguns estão em filas para conseguir cestas básicas para alimentar suas famílias.
"Na última sexta-feira (16), em uma live, o prefeito Axel Grael falou sobre o retorno dos comércios no município na semana seguinte e deixou claro que nós, ambulantes, não estávamos autorizados a voltar a trabalhar. Então, nesta última segunda-feira (19), resolvemos fazer uma manifestação na frente da Prefeitura, no entanto, agentes do órgão chamaram a gente pra conversar neste dia e, segundo o secretário Executivo Bira Marques, essa decisão de não autorizar a nossa volta foi tomada pelo Gabinete de Crise, após uma pesquisa, alegando que nós não conseguiríamos cumprir as normas de proteção contra a Covid-19. No entanto, é importante dizer que o ambulante atende uma pessoa por vez nas barracas, que usamos álcool em gel e máscara e que trabalhamos ao ar livre, diferente das lojas, que funcionam com ar condicionado e atendem 40/50 pessoas por vez e foram autorizadas a abrir. É difícil, porque fomos a única categoria que não se manifestou com os comerciantes, esperamos e respeitamos as medidas, e fomos os únicos prejudicados", relatou Fernando.
O presidente da associação dos ambulantes ainda relatou que, segundo combinado na reunião, uma nova conversa ocorreria na próxima segunda-feira (26) entre a prefeitura e a categoria para resolver se assim eles poderiam voltar ao trabalho. "Eles falaram que na próxima segunda (26) o município já pode estar em fase amarela e aí poderíamos voltar, mas resolvemos nos manifestar na imprensa por causa da situação, está sendo horrível para nós", contou ele. Fernando ainda fez um pedido: "Queremos que a prefeitura reveja essa situação, está muito complicado. Teatros, academias e outros comércios já foram autorizados a abrir, menos a gente".
Os ambulantes estão sem trabalhar há 25 dias. No dia 26 de março, eles deixaram as ruas juntamente com os outros comércios em Niterói por causa das medidas de restrição contra a Covid. Até agora, a categoria não pôde retornar para o trabalho que a sustenta.
Procurada, a Prefeitura Municipal de Niterói não se manifestou sobre o caso.
Ambulantes precisando de doações
Fernando ainda contou que a categoria está passando por muitas dificuldades sem conseguir trabalhar. "Está complicado financeiramente. Recebemos o auxílio do programa Renda Básica Temporária, dado pela Prefeitura, que paga R$ 500 mensalmente para alguns ambulantes, mas, mesmo assim, está difícil, pois esse valor muitas vezes é o valor do aluguel e de remédios, além de não ser suficiente para fazer compras de mês nos mercados, já que o preço de tudo aumentou", disse ele.

Por isso, a ACANIT está fazendo uma campanha de arrecadação para a compra de alimentos para os ambulantes. No ano passado, a associação conseguiu doar 1.200 cestas básicas com a ajuda de investimentos de empresas privadas. No mês passado, o grupo doou mais 300 cestas, só que isso ainda não é suficiente. "Ainda tem muita gente na fila esperando por comida, muitos ambulantes com a mesa vazia", disse ele.

Para quem quiser doar para ajudar os ambulantes e o ACANIT, basta entrar em contato com eles pelo telefone (21) 99812-6795 ou doar qualquer valor pelo pix da associação: 998126795 ou para a vaquinha organizada por eles.