Empreendedores crescem em meio a pandemia: conheça alguns em SG!
Cerca de 307,8 mil novos pequenos negócios nasceram no Rio na pandemia

A pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil em março de 2020 e, de um ano para cá, vem mudado de forma drástica o cenários dos trabalhadores do país, com um crescente número de desempregados. Uma alternativa para a crise atual tem sido o empreendedorismo. No último ano, cerca de 307,8 mil pequenos negócios surgiram apenas no estado do Rio de Janeiro, segundo um levantamento do Sebrae Rio com base nos dados da Receita Federal. O setor de comércio, por exemplo, foi o que mais cresceu, com quase 160 mil novas empresas na categoria. Em São Gonçalo, a situação não é diferente. Muitas pessoas precisam se reinventar com a falta de oportunidade gerada pela crise. Rafaela Batista, de 23 anos, e Carol Pina, de 21 anos, foram duas jovens que encontraram um ramo para chamar de seu em meio à nova crise sanitária.
Rafaela Batista, de 23 anos, é formada em jornalismo e atuava na área até dezembro de 2019. Ela, que se interessou por maquiagem aos 15, viu neste momento, a oportunidade de conhecer melhor esse mundo das makes. Ela ganhou um curso de maquiagem profissional e design de sobrancelha e iniciou seus estudos na área em janeiro de 2020. Com dois meses de estudo, ela teve que parar por causa da pandemia e só conseguiu concluir o curso em janeiro de 2021.
"Então comecei o curso em janeiro de 2020, fiquei feliz, ia para cada aula super ansiosa, até que em março tivemos que parar. Nesse momento, confesso que fiquei desesperada, porque os meus planos era conseguir durante o curso tirar algum dinheirinho com a maquiagem, já que eu estava desempregada e vi os planos indo ladeira abaixo com a chegada da pandemia. Eu ficava em casa treinando o que tinha aprendido nas aulas que eu tive, mas com o isolamento social, as festas não podiam acontecer, nenhum evento, né? Então para nós, maquiadoras, isso foi difícil. Até que em agosto as aulas puderam voltar e eu tive a minha primeira cliente, que foi uma amiga que ia tirar foto para formatura. Comecei a ter minhas esperanças de volta, mas mesmo assim com bastante dificuldade, porque as festas ainda estavam proibidas. Mas eu dava o meu jeitinho", contou ela.

Com o tempo, Rafaela foi conseguindo conquistar o seu espaço na área. No entanto, ela acredita que só terá mais clientes quando a pandemia passar e as festas puderem ocorrer. "Acredito que isso de fato foi para todos os maquiadores, sem os eventos, o nosso trabalho não podia acontecer e então fomos para internet fazer os 'challenges' (desafios de maquiagem). O meu processo de ter clientes foi de pouquinho em pouquinho, mas o que mais tem sido mais fácil de ter clientes é no design de sobrancelha. Mas acredito que assim que tudo isso de pandemia passar, as coisas irão melhorar para todos nós", relatou ela.

Rafaela ainda está crescendo na profissão e, por isso, ainda não possui uma renda estável como maquiadora. Mas, ela não desanima e vê que após a pandemia será o momento propício para 'decolar' nas profissões que escolheu. "Se tudo der certo, e eu espero que dê, eu quero montar um espaço para mim. Porque o meu “espaço” é o meu quarto, onde fica minha penteadeira ou a própria casa da cliente. Então, a minha meta de quando tudo isso passar, é que eu consiga montar o meu espaço e tente conciliar entre o jornalismo e a maquiagem", concluiu ela. Para quem quiser conhecer o trabalho de Rafaela, basta acompanhá-la no Instagram (@rafabatistamakeup).

A também maquiadora Carol Pina, de 21 anos, é estudante de jornalismo e precisou se reinventar na pandemia. A partir do final do último ano, ela se tornou dona da Oceani Pratas, uma loja de joias virtual, junto com seu namorado. "A loja na realidade surgiu em um momento de dificuldade financeira. Eu e meu namorado estávamos com uma renda muito pequena e tínhamos um sonho de abrirmos algo juntos, e a Oceani Pratas aconteceu depois de muitas pesquisas e dedicação! A pandemia foi uma grande colaboradora para a abertura da loja, acredito que muitas pessoas passaram ou estejam passando por dificuldades financeiras nesses tempos tão sombrios. Mas como tínhamos um dinheiro guardado arriscamos tudo o que tínhamos na loja e hoje graças a Deus tem dado muito certo", disse ela.

Ela desenvolveu o projeto quando ainda estava desempregada e conseguiu, com muita pesquisa e desenvolvimento, se destacar no mercados das pratas. "Com toda a certeza a Oceani Pratas foi uma fuga do desemprego e da “falta de grana” que a pandemia proporcionou ao país. Tínhamos muita esperança, garra e vontade de conquistar um espaço e ter uma renda que nos ajudássemos com despesas da faculdade e gastos pessoais, além de juntar dinheiro para projetos futuros! A loja virtual nos auxilia demais hoje, e a cada dia vamos conquistando mais nosso espaço no meio! Mesmo sendo algo relativamente recente, sei que temos muito pela frente, mas estamos construindo uma marca que é muito importante tanto para mim quanto para meu namorado!", contou a empreendedora.

Atualmente, a Oceani Pratas é uma loja virtual, que funciona pelo Instagram (@oceanipratas) e via Whatsapp (99373-3333). Na rede social da marca, é possível ver as joias e o catálogo dos diversos produtos. Eles fazem entregas em casa com o auxílio de um motoboy.
"Eu e meu namorado temos grandes planos para a Oceani Pratas! Queremos muito expandir com lojas físicas, estoque, design... Contudo, nesse momento tão complicado economicamente, acreditamos não ser o momento certo para algo maior. Esperamos muito que a pandemia tenha seu fim e que a vacina chegue a todos! O país precisa ser curado para que tudo possa aos poucos voltar aos seus trilhos!", concluiu ela.

Felipe Antunes, analista do Sebrae Rio, falou sobre o crescimento dos pequenos negócios na pandemia.
“O empreendedorismo se tornou uma oportunidade para muita gente. Os pequenos negócios estão mantendo a economia. O setor de serviços cresceu muito. Das empresas abertas para esse tipo de atividade, no ano passado, os microempreendedores individuais representaram 88% do mercado. Um outro ponto que precisa ser destacado é que quando o negócio é formalizado, o empreendedor precisa ter conhecimento sobre os seus direitos, os benefícios e as suas obrigações”, explicou.
Ainda segundo a Sebrae Rio, do total de empresas abertas no estado do RJ, o setor de serviços abriu 159,9 mil empresas, seguido pelo comércio com 72,5 mil, indústria com 52,7 mil, economia criativa com 10,5 mil, turismo com 9,9 mil e agropecuária com 2,1 mil.
Vale lembrar que muitas empresas que fecharam nesta pandemia. Ao todo, 90,2 mil pequenos negócios fecharam no Estado do Rio de Janeiro. O setor de serviços foi o que mais fechou empresas (39,1 mil), seguido por comércio (28,8 mil), indústria (14 mil), economia criativa (4,1 mil), turismo (3,5 mil) e agropecuária (470), de acordo com a Sebrae Rio.