Após acidente de trabalho, gonçalense 'luta' para conseguir benefício do INSS
A zeladora chegou a usar fraldas após o acidente

"Eu não estou pedindo nada demais, não estou infringindo nenhuma lei. É humilhante, é constrangedor, chegamos a ficar sem comida na mesa e agora estamos vivendo de cesta básica. Desde os meus 14 anos que eu não dependo de ninguém, sempre trabalhei, mas, desde esse acidente, eu estou dependendo das pessoas e não consigo meu benefício para colocar comida em casa". Esse é o relato de desespero de Ariana da Silva Moreira, de 36 anos, que não sabe mais o que fazer para conseguir o auxílio-doença pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Ela foi atropelada no dia 22 de julho de 2020, apenas três minutos depois de 'bater o ponto' saindo de seu trabalho, no Alcântara. Ariana estava de bicicleta e foi atropelada por um carro. Desde então, ela passou por muitas situações ruins tendo, inclusive, que usar fralda. No entanto, o que mais preocupa a zeladora é que ainda não pode retornar trabalho já que precisa de andador para se locomover enquanto se recupera do acidente. Com isso, ela passa por dificuldades financeiras pois ainda não obteve o apoio do benefício para acidentados do INSS.
Segundo Ariana, ela quebrou a perna em três partes no dia do acidente. Passou por uma cirurgia na perna, mas também sofreu um deslocamento no braço e teve dois dedos fraturados, além de sentir uma dificuldade enorme para respirar já que no acidente bateu o tórax com força no chão. Nos primeiros 15 dias, ela teve o apoio da empresa, que pagou todos os benefícios a que tinha direito, mas, após isso, ao entrar com o pedido do auxílio-doença pelo INSS, o processo foi indeferido.
"Eu solicitei o auxílio do INSS pela primeira vez em agosto de 2020. Minha empresa já havia feito o documento de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Mas, mesmo assim, o meu processo deu inferido. Eu estava numa cama, comendo comidas pastosas, usando fralda e, mesmo assim, o meu processo não foi aceito. Eles deram hipóteses justificando o indeferimento, por exemplo, a não conformação ou a não apresentação dos dados contidos no atestado médico, sendo que dei todos os laudos e pedidos médicos para eles, mas, como estava na pandemia, tudo foi feito pela internet, não fiz uma perícia física. Também falaram que o documento poderia estar ilegível, mas era só me chamar lá que eu entregava-os legíveis ou até pela internet mandava outra foto. Disseram também que poderia ser pelo tempo de contribuição, mas meu advogado disse que, como foi acidente de trabalho, já que eu estava saindo do trabalho, esse tempo de contribuição não era válido", contou.

Ariana contou com a ajuda dos filhos, uma menina de 15 anos e um menino de 11 anos, no tempo em que ficou de cama sem conseguir comer. "Eu só comia coisas pastosas, pois a dor no tórax não deixava nem eu respirar direito, muito menos engolir. Até para tomar banho era difícil, contamos com a ajuda de pessoas de fora. Mesmo assim, quando vi que meu pedido no INSS estava indeferido, até ofereci voltar para onde eu trabalhava mesmo que de cadeira de rodas. Eles disseram que não podiam me aceitar, que eu tinha que voltar a trabalhar quando estivesse 100% recuperada. Então, sem dinheiro, eu recorri ao INSS novamente e fiz o pedido de novo em outubro. No último dia 01 de março, foi indeferido novamente. O meu advogado não entende o motivo do indeferimento e eu preciso do dinheiro, então, acionamos a Justiça", relatou a mãe de família.

Desde o começo de fevereiro, a família formada pela mãe e seus filhos aguarda o retorno do caso. Segundo Ariana, é constrangedor passar por esse problema, tendo que viver pedindo cesta básica. Seu filho, o pequeno Davi, vendeu móveis e abriu o Brechó do Davi para ajudar a mãe a pagar as contas. "Eu não dependo de ninguém desde os meus 14 anos. Então, voltar a depender é constrangedor. Algumas pessoas nem acreditam que ainda não recebi meu benefício. Até o meu filho tem que dividir o tempo dele de escola com o brechó para ajudar em casa, é complicado. Se o INSS tivesse me deixado levar os documentos até lá, veriam a minha perna fraturada, as minhas cicatrizes", disse ela.
Procurado, o Inss informou que "o auxílio doença da senhora Ariana da Silva Moreira foi indeferido pela razão da não apresentação ou a não conformação dos dados contidos no atestado médico apresentado.
O atestado deve estar legível e sem rasuras, conter assinatura e carimbo do profissional emitente com registro do conselho de classe e conter todas as informações sobre a doença e constar o prazo de repouso necessário.
A segurada deve entrar em contato com o INSS, por meio do site Meu INSS ou aplicativo e ainda se for de melhor acesso, pela central 135."