Instagram Facebook Twitter Whatsapp
Dólar R$ 5,0665 | Euro R$ 5,8376
Search

Dia do Autismo: conheça a realidade das famílias e desmistifique alguns tabus sobre o transtorno

Data foi idealizada pela ONU em dezembro de 2007

relogio min de leitura | *Matheus Mattos 02 de abril de 2021 - 11:31
Uma em cada 54 pessoas que nascem, apresentam TEA, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças
Uma em cada 54 pessoas que nascem, apresentam TEA, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças -

Hoje, 2 de abril, é celebrado O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2007 para reflexão e conscientização acerca dessa temática. No entanto, a realidade em que se encontram as famílias de pessoas com autismo é bastante desafiadora, de um transtorno que ainda tem alguns mitos para serem esclarecidos.

O primeiro tabu é sobre a denominação, se o autismo é considerado uma doença ou não. Segundo a diretora da ONG Espaço do Autista, Márcia Medeiros, essa é uma temática que precisa ser esclarecida para as pessoas:

“Com certeza não é doença. Essa é uma questão que precisa ser tocada para que as pessoas se conscientizem que o autismo é um transtorno e não uma doença. É uma condição e não tem cura, existem tratamentos medicamentosos e terapêuticos que podem contribuir muito para a melhora dessa condição.”

A especialista ainda ressalta que o transtorno pode apresentar três níveis diferentes.

“No antigo Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM), o autismo era caracterizado por graus, no atual é classificado por níveis. As pessoas que se enquadram no nível 1, apresentam sintomas menos graves, por isso é denominado como autismo leve. No nível 2 de autismo precisam de mais suporte do que as com autismo leve. O nível 2 é a faixa intermediária do autismo, no que se refere à gravidade dos sintomas e à necessidade de suporte. E o nível 3 precisam de muito apoio, já que é a forma mais grave de TEA (Transtorno do Espectro do Autismo)”, acrescentou Márcia.

Diferente do que muitos pensam, as pessoas com autismo podem evoluir positivamente caso tenham um bom acompanhamento e principalmente uma intervenção precoce. Para os profissionais da área, existe um lema de que “O autista pode tudo”, mas isso depende do nível do transtorno e de quando será feita essa intervenção. A principal dificuldade está atrelada ao poderio econômico, tendo em vista que o tratamento tem um alto custo.

De acordo com os dados do novo documento do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, uma agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, sediada na Geórgia, no mundo, uma pessoa possui TEA a cada 54 que nascem. O Brasil se utiliza desse levantamento, por não ter um estudo próprio sobre a prevalência da síndrome no país. Com isso, medidas que amenizem a rotina dessas pessoas ajudaria uma parcela significativa da população.

Realidade das famílias

O cenário em que se encontram as famílias de pessoas com autismo nem sempre é o mais favorável. As desavenças dentro de casa podem prejudicar bastante a evolução do quadro dos autistas, principalmente com o agravamento da pandemia.

“Tenho a ajuda da minha mãe e do meu sogro. É preciso ter muita fé em Deus, disciplina e disposição. Mas a minha realidade é diferente de muitas mães, porque eu tenho ajuda dos avós e o meus filhos têm um pai presente que participa das atividades deles. Infelizmente isso não é comum nas famílias de pessoas com autismo. Quase 80% das famílias são de pais separados”, comenta Marlucia Vargas, mãe de dois filhos com a síndrome.

Marlucia também pontua que as políticas públicas de apoio a essa causa precisam urgentemente serem criadas. Segundo ela, essa parcela da população necessita de centros de tratamentos gratuitos, tanto para crianças, como para adultos, e reforça a urgência da inclusão.

“Precisamos que as leis de inclusão nas escolas sejam cumpridas com rigor, precisamos de cursos profissionalizantes para os adultos autistas, precisamos de inclusão no mercado de trabalho... Em São Gonçalo, mais precisamente, gostaria de ver o apoio financeiro do Governo nas ONGs que atendem os autistas", ressaltou.

ONG Espaço do Autista

Diante da pouca oferta de tratamento para jovens e adolescentes, Márcia Medeiros desenvolve um projeto para ajudar essas pessoas em São Gonçalo. Nesta iniciativa, os jovens fazem aula de hip-hop, artes plásticas, musicalização e são acompanhados por uma psicóloga.

O projeto chegou ser contemplado no Edital da Lei Aldir Blanc, mas o patrocínio durou apenas dois meses. Como os resultados foram muito positivos, os diretores decidiram manter a iniciativa apenas cobrando o valor de custo.

A ONG ainda conta com espaço para as crianças, com uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos, fono, psicopedagogo, musicoterapeuta, educador físico, professor de artes e de dança.

A instituição fica em São Gonçalo, na Rua Dr. Gradim, no Porto da Madama. Para quem quiser conhecer mais sobre o trabalho, basta acessar o perfil do Instagram (@espacodoautistasg).

Estagiário sob supervisão de Cyntia Fonseca*

Matérias Relacionadas